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Teatro

Teatro de Brinquedo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Data/Local

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Data/Local

1927 - Rio de Janeiro RJ

Histórico

O Teatro de Brinquedo tem vida curta, mas representa uma transformação completa na concepção do espetáculo, no processo de produção e criação e nas relações com o público, revelando-se como manifestação precoce da modernidade teatral no Brasil.

O grupo é fundado em 1927, por Alvaro Moreyra e Eugênia Moreyra, freqüentadores dos salões onde circulam os modernistas, elite intelectual carioca na época. Alvaro Moreyra, além de produtor da montagem, escreve o texto, dirige e é também ator do espetáculo Adão, Eva e Outros Membros da Família, que permanece pouco tempo em cartaz e não chega a influenciar diretamente sua geração. Sua importância é manifestar no teatro as idéias modernistas, embora com cinco anos de atraso em relação à Semana de Arte Moderna.

Na dramaturgia, que escapa inteiramente à comédia de costumes que reina solitária nos palcos da época; no modo de produção, expresso em um teatro assumidamente amador; e nos pressupostos da interpretação, que conta com modernistas das diversas áreas artísticas e nenhum ator profissional, o Teatro de Brinquedo traz à cena um exemplar totalmente diferenciado que na época se entende e se pratica como teatro. Também no que diz respeito à fruição, a iniciativa representa uma ruptura, pois propõe como local de apresentação a sala de um cassino, especialmente preparada para o evento e com lotação máxima de 180 pessoas, numa época em que as platéias normalmente comportam, no mínimo, 500 lugares.

Parte da concepção dos Moreyra consiste em levar para o palco o clima descontraído e culto das reuniões dos modernistas nos salões da alta sociedade: "Poetas dizendo seus poemas, músicos tocando suas músicas",1 como eles mesmos explicam.

"É o teatro de elite para a elite, teatro para as criaturas que não iam ao teatro. É uma brincadeira de pessoas cultas... Ele só serve aos que têm curiosidade intelectual".2

Com o título da iniciativa, os Moreyra pretendem se contrapor ao teatro vigente, essencialmente comercial. Por isso, eles dizem que "a mise-en-scène é de brinquedo, como tudo lá",3 e acabam com a marcação, o principal campo dos ensaiadores, adotando a movimentação e a ação livres. Recusando a idéia de agradar ao público, afirmam: "O público não tem importância. O público não existe".4

O espetáculo seguinte, Espetáculo do Arco da Velha, que estréia vinte dias depois, traz números isolados, em que cada artista mostra o que sabe e gosta de fazer no campo do modernismo.

Desfeito o Teatro de Brinquedo, Alvaro Moreyra e Eugênia Moreyra passam a realizar viagens, em geral às próprias custas, pelo interior e pela periferia, mostrando aos que nunca vêem teatro os textos de Luigi Pirandello, Henrik Ibsen e outros autores inovadores.

Rosyane Trotta comenta: "(...) Alvaro Moreyra foi mais moderno na teoria que na prática (...) não tinha relação com o velho teatro, não trazia o ranço 'trianonino' e estava enfronhado no meio que discutia os novos conceitos artísticos. Foi o que lhe permitiu, por exemplo, aproveitar, dentro do possível, a influência de Copeau no seu contato direto com Vieux Colombier. (...) em Alvaro ela [a modernidade] encontra uma abertura no despojamento, no humor crítico, numa diretriz bem mais independente e autêntica que não tenta agradar a gregos e troianos".5

Notas

1. MOREYRA, Alvaro. Citado por TROTTA, Rosyane. O teatro brasileiro: décadas de 1920-30. In: O TEATRO através da história. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. v. 2. p. 130.

2. Idem. p. 130.

3. Idem. p. 131.

4. MOREYRA, Eugênia. Citado por MOREYRA, Alvaro. Citado por TROTTA, Rosyane. O teatro brasileiro: décadas de 1920-30. In: O TEATRO através da história. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. v. 2. p. 130. p. 131.

5. TROTTA, Rosyane. O teatro brasileiro: décadas de 1920-30. In: O TEATRO através da história. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. v. 2. p. 132.

Espetáculos 2

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Fontes de pesquisa 3

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  • DÓRIA, Gustavo A. Moderno teatro brasileiro: crônica de suas raízes. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1975.
  • SOUZA, Walder Gervásio Virgulino de. Roteiros de um teatro brasileiro (e moderno): Álvaro Moreyra e os anos 20 no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Faculdade de Letras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 1992. Mimeografado.
  • TROTTA, Rosyane. O teatro brasileiro: décadas de 1920-30. In: O TEATRO através da história. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. v. 2.

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