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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Viajou sem Passaporte

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Data/Local 1978/1982 - São Paulo SP

Texto

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Data/Local
1978/1982 - São Paulo SP

Histórico
Grupo experimental que se propõe a intervir em apresentações artísticas ou no cotidiano, de forma a romper ou questionar a normalidade de uma situação, através da criação coletiva e de trabalhos com base na improvisação.

Em maio de 1978, alguns integrantes do grupo de teatro MOVE, extinto, criam o grupo Viajou sem Passaporte, com oito integrantes: Beatriz Caldano, Celso Santiago, Carlos Alberto Gordon, Luiz Sergio Ragnole Silva, Marli de Souza, Márcia Meirelles, Marilda Carvalho, Roberto Mello, todos alunos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP. O grupo, formado pela afinidade entre seus membros, não tem líderes nem diretores, e não tem a intenção de montar ou de elaborar textos teatrais.

Os artistas desenvolvem experimentações que misturam teatro, música e artes plásticas, sem um critério exclusivamente teatral. Vencem concurso para ocupar o Teatro de Arena Eugênio Kusnet por três meses, de julho a setembro de 1978, com um projeto de estudo sobre o gesto. Em vez de usarem a improvisação como parte do processo de criação, usam-na em cena, durante os eventos. Desenvolvem vários jogos criativos que têm o objetivo de despertar a imaginação. Um deles baseia-se no seguinte roteiro: quando começa a ação, uma caixa é colocada em cena; depois de 3 minutos, entra em cena um cavalete; depois de 4 minutos, um saco plástico; depois de 5 minutos, a ação deve acabar. Dentro disso, os jogadores desenvolvem ações com a mais absoluta liberdade de fazer um dramalhão ou um discurso completamente fragmentado e sem lógica. Seu objetivo é deixar a criatividade fluir, no exercício do jogo livre, aberto, sem compromissos de engajamento político ou temática moralizante.

Terminada a oficina no Eugênio Kusnet, os integrantes do grupo partem para os happenings na rua, iniciando o ciclo das Trajetórias. Na Trajetória do Curativo, por exemplo, eles se distribuem ao longo do trajeto de um ônibus. Um deles, com curativo no olho esquerdo, entra no ônibus, paga a passagem e desce no ponto seguinte, onde um outro com curativo sobe, e assim por diante, até que os passageiros começam a estranhar e a fazer comentários. No último ponto um ator do grupo mostra um cartaz que traz o nome do trabalho, com o desenho de uma pessoa com curativo no olho.

Posteriormente, em 1979, essas experiências são canalizadas para interferências em espetáculos teatrais, visando a promover uma crise na relação palco-plateia. A Vaca Surrealista é o espetáculo escolhido para a primeira intervenção: dois membros do grupo invadem o palco e um terceiro senta-se em uma cadeira do cenário; a cena prossegue, e um dos atores do espetáculo, nervoso, atira um copo d'água no provocador. Em seguida o grupo, intervém em Quem Tem Medo de Itália Fausta?, de Miguel Magno e Ricardo de Almeida, do Teatro Orgânico Aldebarã, mas a reação dos atores os decepciona, pois estes não se abrem para o jogo do imprevisível, e tentam a qualquer custo dar continuidade ao espetáculo ensaiado.

Com uma proposta intervencionista e inusitada, esse grupo constitui um dos vários modos de criação coletiva na década de 1970, como forma de negar os modelos culturais vigentes e de agir sobre eles, na procura de caminhos alternativos para a arte.

Espetáculos 11

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Festivais 2

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Fontes de pesquisa 3

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  • LIMA, Mariângela Alves de. Quem Faz o Teatro. In: ARRABAL, José; LIMA, Mariângela Alves de; PACHECO, Tânia. Anos 70 - Teatro. Rio de Janeiro: Europa, 1979.
  • MELLO, Roberto; RAGNOLE, Luís Sérgio. Entrevista concedida a Marcelo Kahns e Heloísa Helena Bauab. São Paulo, 21 set. 1979.
  • RAGNOLE, Luís Sérgio. Viajou sem Passaporte. Arte em Revista, São Paulo, ano 6, n. 8, p. 116-119, out. 1984.

Como citar

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