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Teatro Ipanema

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.08.2018
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Data/Local

1959/1964 - Rio de Janeiro RJ - Teatro do Rio

1968/1989 - Rio de Janeiro RJ - Teatro Ipanema

Histórico

Já a partir do primeiro ano de fundação, o Teatro Ipanema aglutina um conjunto de artistas cariocas - dramaturgos, cenógrafos, músicos, coreógrafos - sintonizados com o movimento contracultural de ruptura com o realismo que ocorria na Europa e nos Estados Unidos. O principal marco de sua história é o espetáculo Hoje É Dia de Rock, que atrai público cativo no decorrer de mais de dois anos.

A formação do grupo começa quando Rubens Corrêa e Ivan de Albuquerque fundam o Teatro do Rio, que estréia em 1959 no antigo Teatro São Jorge (hoje Cacilda Becker). Mais tarde, a atriz Leyla Ribeiro, esposa de Ivan, se junta à dupla na direção e administração do teatro.

No período do Teatro do Rio, Rubens Corrêa e Ivan de Albuquerque realizam Oscar, de Claude Magnier, com direção de Ivan, 1959; O Prodígio do Mundo Ocidental, de John Millington Synge, também dirigido por Ivan, 1960; A Falecida, de Nelson Rodrigues, encenado por Rubens, 1960; Espectros, de Henrik Ibsen, e O Círculo Vicioso, de Somerset Maugham, ambos com direção de Ziembinski, professor da dupla na Fundação Brasileira de Teatro - FBT, 1961; Pigmaleoa, de Millôr Fernandes, direção de Adolfo Celi, 1962; A Escada, de Jorge Andrade, dirigido por Ivan de Albuquerque, 1963; e Diário de um Louco, de Nikolai Gogol, em 1964, com direção de Ivan, boa oportunidade de interpretação para Rubens Corrêa.

O palco do Teatro Ipanema é erguido onde antes existia um barracão construído para ensaio e depósito de cenários, no quintal da antiga residência de Rubens. A sede própria, que dá nome ao novo teatro e à companhia, em 1968, abre para o grupo novas perspectivas que começam a se definir com a estréia da montagem de O Assalto, de José Vicente, em 1969. É o ingresso da companhia na inquietação experimentalista da época - no caso do Ipanema, feita a partir da jovem dramaturgia brasileira que surge no mesmo período. Lá estréiam autores que inauguram uma concepção própria do texto teatral: Isabel Câmara, As Moças, 1970; José Wilker, A China é Azul, 1972; Hoje é Dia de Rock, 1971, Ensaio Selvagem, 1974, e A Chave das Minas, 1977, todos novamente de José Vicente. No campo da técnica do ator, o Teatro Ipanema acolhe, de 1970 a 1974, a "expressão corporal" sob orientação de Klauss Vianna, substituindo-a, a partir de 1979, pelo "trabalho de corpo" de Lourdes Bastos. A criação musical é marcada pela pesquisa sonora de Cecília Conde. Os cenários e figurinos são na maioria de Anísio Medeiros, com intervalos para a elegância das criações de Hélio Eichbauer e as experimentações de Luiz Carlos Ripper. São lançados ali os atores José Wilker, José de Abreu, Isabel Ribeiro, Tetê Medina, entre muitos outros.

Vale ainda mencionar as bem-sucedidas montagens de O Beijo da Mulher Aranha, de Manuel Puig, em 1981; e Artaud!, textos de Antonin Artaud, em 1986; ambas boas direções de Ivan de Albuquerque, que projetam o talento do ator Rubens Corrêa.

O Teatro Ipanema segue um pensamento apoiado simultaneamente na experimentação e no bom acabamento dos espetáculos. Atravessa vários momentos da história do teatro, às vezes assimilando o contexto econômico, político e cultural, outras vezes resistindo a ele. O grupo se caracteriza prioritariamente pelos princípios de trabalho e pela mentalidade artística, adotando diferentes diretores de espetáculo e várias configurações de equipe. Nos anos 1980, com o progressivo fechamento do mercado de trabalho, o Teatro Ipanema torna-se um dos poucos da cidade ocupados por uma companhia, foco de resistência contra a rotatividade que apaga o perfil artístico das casas de espetáculo.

Com a morte de Rubens Corrêa e de Ivan de Albuquerque o Teatro Ipanema passa a funcionar sem direção artística definida abrigando shows musicais e espetáculos infantis e adultos.

Espetáculos 37

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Fontes de pesquisa 4

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  • LIMA, Mariângela Alves de. Quem Faz o Teatro. In: ARRABAL, José; LIMA, Mariângela Alves de; PACHECO, Tânia. Anos 70 - Teatro. Rio de Janeiro: Europa, 1979.
  • MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão: uma frente de resistência. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
  • QUASE 84. São Paulo, 1983. 1 folder. Programa do espetáculo, apresentado em 1983.
  • TROTTA, Rosyane. Projeto Teatro Ipanema. Rio de Janeiro: Cenacen, 1988. Apresentação de projeto.

Como citar

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