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Teatro de Anônimo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Especializado no teatro de rua, com ênfase em acrobacia aérea e números de palhaços, o grupo utiliza a técnica circense para extrair comicidade do erro, com uma linguagem popular pontuada pelo lirismo. Dedicado à pesquisa sobre as origens do circo, dos cômicos, das companhias mambembes de circo-teatro, tem trabalho voltado a projetos sociocultur...

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Histórico

Especializado no teatro de rua, com ênfase em acrobacia aérea e números de palhaços, o grupo utiliza a técnica circense para extrair comicidade do erro, com uma linguagem popular pontuada pelo lirismo. Dedicado à pesquisa sobre as origens do circo, dos cômicos, das companhias mambembes de circo-teatro, tem trabalho voltado a projetos socioculturais.

Oriundos do subúrbio do Rio de Janeiro, os integrantes do grupo se conhecem na escola e, ligados a manifestações culturais populares, como a poesia de rua, fundam o Teatro de Anônimo, em 1986.

O primeiro espetáculo, Flashs da Cidade, com textos de poetas populares, os coloca em contato com os espaços públicos. Buscando a comunicabilidade da cena com os passantes, surge a proposta de se dedicar à pesquisa de linguagem para um "teatro de rua popular e participativo", linha que passaria a orientar o trabalho dos atores. Em dois anos, o espetáculo realiza cerca de 90 apresentações, apenas três pagas.

A falta de condições financeiras faz com que o grupo decida investir na profissionalização. Para o espetáculo seguinte, os atores estudam percussão, lançam mão de máscaras, bandeiras e de fogo. Cura-tul, criação coletiva, espetáculo itinerante feito em forma de cortejo, traça a breve trajetória de Fulano de Tal, em meio a personagens alegóricos, como a fome, até sua morte e o ritual de ressurreição.

Durante 1993, o grupo realiza 50 apresentações em diversas cidades do país. Ingressa na Escola Nacional de Circo, onde se forma a dupla de atrizes-trapezistas Regina Oliveira e Maria Angélica Gomes.

Em 1994, depois de um processo de quase dois anos de criação e preparação técnica, o grupo estréia Roda Saia Gira Vida, dedicado ao público infantil e inspirado nas pequenas trupes de circo que circulam pelo interior. Seu primeiro espetáculo em uma sala comercial recebe críticas favoráveis, como a de Lúcia Cerrone, no Jornal do Brasil: "Sem nenhuma pieguice no resgate histórico, os artistas desse picadeiro brincam com a ingenuidade de personagens como a mulher barbada, o palhaço perna-de-pau, o mágico de cartola e os malabaristas do trapézio, em performance digna de figurar no teatro de variedades de Federico Fellini. No interessante contraponto ao circo-espetáculo das companhias internacionais, que invadem a cidade com trapezistas voadores que despencam das alturas, dentro da maior segurança, os atores do Anônimo arriscam a vida a poucos metros da platéia".1

Com esse trabalho, conquista o Prêmio Mambembe 1995 de "melhor espetáculo". No ano seguinte, realiza sua primeira turnê na Europa, apresentando-se em Madri, Granada e Roma, e participa do Festival Internacional de Belo Horizonte. Em três anos, o espetáculo contabiliza mais de 200 apresentações. Por ocasião do aniversário de dez anos, o grupo lança o evento Anjos do Picadeiro, que a cada dois anos passa a reunir grupos voltados para a linguagem clownesca. Integra-se também a diversos projetos na área social: Palhaços Sem Fronteiras, Circo do Mundo, Se Essa Rua Fosse Minha, A Fábrica dos Sonhos, Grupo Cultural Afro-Reggae e Cirque du Soleil.

Em 1998, o grupo cria In Concerto, sem nenhum texto, assim como Roda Saia Gira Vida. O espetáculo é formado por esquetes que resgatam gags clássicas de palhaços de todos os tempos. Em 2001, a dupla de trapezistas estréia Caleidoscópio, com números aéreos.

No ano seguinte, o Teatro de Anônimo monta um pequeno picadeiro cercado por arquibancadas em uma área aberta, em frente à sua sede, no centro da cidade. Lá se apresentam diversos grupos convidados, além de seu novo espetáculo, Tomara Que Não Chova, em que, a exemplo dos circos antigos, realiza a encenação de um melodrama após os números cômicos.

Em 2004, estréia Almas Berrantes, em que procura pela primeira vez a construção de um texto, formado de fragmentos de contos de autores cariocas, como João do Rio, Lima Barreto (1881 - 1922) e Machado de Assis (1839 - 1908). Ambientado da Lapa dos anos da malandragem, misturando fragmentos de textos dramatizados à estrutura de números de técnica, o espetáculo tem música ao vivo e formato de cabaré, inspirado nos "chopes berrantes", que agitavam a noite com shows de variedades no começo do século XX.

O Teatro de Anônimo tem atuação em diversas áreas da cultura do Rio de Janeiro, onde promove desde rodas de samba, em que procura resgatar o clima de festividade familiar, até ações na política cultural, como a Associação de Grupos de Circo e Teatro de Rua. É formado, desde sua fundação, por João Carlos Artigos, Maria Angélica Gomes, Regina Oliveira, Márcio Libar e Shirley Britto, que ingressa em 1991.

Notas

1. CERRONE, Lúcia. Um espetáculo de tirar o fôlego, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Caderno B, 06 mai. 1995.

Eventos relacionados 17

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Fontes de pesquisa 4

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  • CERRONE, Lúcia. "Um espetáculo de tirar o fôlego", Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Caderno B, 6 de maio de 1995.
  • GRAÇA, Eduardo. "O momento certo de rir". Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, Caderno B, 26 de junho de 1998.
  • LEMOS, Renato. "A rua como personagem: Teatro do Anônimo se inspira em livros de João do Rio e Tinhorão para recriar na Fundição a origem da carioquice". Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 de junho de 2004.
  • Revista Teatro de Anônimo 10 anos. Rio de Janeiro, Teatro de Anônimo, 1996.

Como citar

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Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: