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Companhia Ensaio Aberto

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Dedicada ao teatro antiilusionista, à pesquisa de uma linguagem frontal na relação ator/espectador e a temas ideológicos, a companhia tem, como núcleo fixo em seus espetáculos, o diretor Luiz Fernando Lobo e a atriz Tuca Moraes.

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Histórico

Dedicada ao teatro antiilusionista, à pesquisa de uma linguagem frontal na relação ator/espectador e a temas ideológicos, a companhia tem, como núcleo fixo em seus espetáculos, o diretor Luiz Fernando Lobo e a atriz Tuca Moraes.

Estréia em 1993 com O Cemitério dos Vivos, de João Batista, baseado na obra e na biografia de Lima Barreto (1881 - 1922). O espetáculo é realizado no teatro de arena da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, construído em um pátio interno, a céu aberto. Encena, no mesmo ano,  A Missão, de Heiner Müller, no pátio do Paço Imperial.

Em 1995, apresenta Cabaré Youkali, um café-teatro no espírito alemão dos anos 20. O espetáculo volta a ser encenado três anos depois, com textos de Bertolt Brecht e músicas de Kurt Weill, no Café do Teatro, um bar no foyer do Teatro dos Quatro. O crítico Macksen Luiz descreve: "O espetáculo (...) se espalha por entre as mesas onde ficam os espectadores, que podem, nesse ambiente menos formal do que a platéia de um teatro com palco italiano, conviver com maior intimidade com a representação e 'responder' às insinuações interativas do elenco. Ainda que no início haja uma certa dificuldade de criar clima cênico - fica muito visível a tentativa de aproximar a platéia da encenação -, Cabaré Youkali vai construindo atmosfera de teatro de variedades que se mistura a um toque provocativo que acaba por levar a um espetáculo vibrante. (...) Da mágica à farsa, os atores correspondem ao desafio de pular de uma cena a outra sem perder o ritmo nervoso dos atos de variedades".1

Também em 1995, Luiz Fernando Lobo encena Bósnia, Bósnia, de Ad de Bont. De 1996 a 1998, a companhia faz apresentações de A Mãe, de Bertolt Brecht. O projeto recebe o Prêmio Rio Teatro 96, da Secretaria Municipal de Cultura. O crítico Macksen Luiz comenta: "O espetáculo de Luis Fernando Lobo toma uma posição decisivamente fiel ao espírito da obra. (...) leva a extremos a interpretação didática da peça. O diretor propõe um espetáculo frontal, que se dirige à platéia, num confronto corpo-a-corpo. É um espetáculo olho no olho, com os atores buscando a compreensão da platéia como um enfrentamento (...). No pequeno espaço do teatro, os espectadores são distribuídos numa área que reforça a proximidade com o palco. A tensão dos corpos dos atores e os gestos rígidos são coreografados ao som violento das mudanças de cenários (os móveis são deslocados como se fossem armas, manipuladas raivosamente). E a platéia é induzida a cantar com os atores pelo menos duas canções revolucionárias - o espetáculo termina com a Internacional comunista. O didatismo leva a uma rigidez que, muitas vezes, prejudica o próprio estilo épico da narrativa. (...) O elenco da Cia. Ensaio Aberto demonstra empenho e disciplina na linha de interpretação tensa e virulenta".2

Seguem-se Companheiros, coletânea de textos, 1999; Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, 2000; no mesmo ano, Filhos do Silêncio, texto e direçao de Luiz Fernando Lobo; Missa dos Quilombos, de Milton Nascimento, Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra, 2002. Em 2004, apresenta Havana Café, com fragmentos de textos.

Notas

1. LUIZ, Macksen. Corpo-a-corpo com Brecht. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1997.


2.
LUIZ, Macksen. Vibrante, com um toque provocativo. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 de abril de 1998.

Espetáculos 18

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Fontes de pesquisa 3

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  • GRAÇA, Eduardo. A volta do teatro político. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 de abril de 1999.
  • LUIZ, Macksen. Corpo-a-corpo com Brecht. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1997.
  • LUIZ, Macksen. Vibrante, com um toque provocativo. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 de abril de 1998.

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