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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Grupo TAPA

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.08.2019
1979 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
1986 Brasil / São Paulo / São Paulo
Grupo estável liderado pelo diretor Eduardo Tolentino de Araújo, que desenvolve um trabalho rigoroso, essencialmente voltado para um "teatro de dramaturgia" e um indiscutível empenho em investigar os processos de criação através de pesquisa e análise.

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Grupo estável liderado pelo diretor Eduardo Tolentino de Araújo, que desenvolve um trabalho rigoroso, essencialmente voltado para um "teatro de dramaturgia" e um indiscutível empenho em investigar os processos de criação através de pesquisa e análise.

O Teatro Amador Produções Artísticas - TAPA, é fundado em 1979, no Rio de Janeiro, estreando com o infantil Apenas um Conto de Fadas, de sua autoria. Seguem-se realizações que buscam ampliar e aprimorar o know-how do encenador e de sua equipe: Uma Peça por Outra, de Jean Tardieu, em 1980; O Anel e a Rosa, de William Makepeace Thackeray, em 1981, e Trágico Acidente Destronou Tereza, de José Wilker, em 1982.

Criações mais consistentes surgem a partir de 1983, como Viúva, Porém Honesta, de Nelson Rodrigues, e Pinóquio, de Carlo Collodi, 1984. No ano seguinte, o TAPA abre o Festival de Teatro Brasileiro, projeto que se perpetua por muitos anos, através de encenações de grandes autores nacionais, realizando, incialmente, O Noviço, de Martins Pena; Caiu o Ministério, de França Jr, este com direção de Celso Lemos; e A Casa de Orates, de Artur Azevedo. Os êxitos reencidem com O Tempo e os Conways, de J. B. Priestley, ainda em 1985. Sob a direção de Peter Palitszch, debruçam-se sobre Bertolt Brecht, em A Verdadeira Vida de Jonas Wenka, em 1986. No mesmo ano, o grupo transfere-se para São Paulo, ocupando, como sede, o Teatro Aliança Francesa, por quinze anos. A Mandrágora, de Maquiavel, e Solness, o Construtor, de Henrik Ibsen, em 1988, demonstram sua dedicação aos clássicos, e aprimoram os recursos e linguagem do conjunto.

Tais procedimentos consolidam-se, em 1989, com as encenações de Sr. de Porqueiral, de Molière, e Nossa Cidade, de Thornton Wilder. Em 1990, o TAPA realiza uma encenação de peso: As Raposas do Café, incursão grotesca e debochada sobre os primórdios da economia cafeeira, de Celso Luís Paulini e Antônio Bivar. Em 1991, faz sua própria leitura de A Megera Domada, de William Shakespeare; um cabaré lírico sobre poemas e canções de Jaques Prévert em As Portas da Noite, e um espetáculo corrosivo com texto de Plínio Marcos, Querô, uma Reportagem Maldita.

O grupo retoma o teatro realista em 1993, com Senhora Klein, de Nicholas Wright, e, no ano seguinte, ousa renovar Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. Em 1995, encena Corpo a Corpo, de Oduvaldo Vianna Filho; prestigiam Jorge Andrade, montando Rasto Atrás; reencontra o universo carioca em Do Fundo do Lago Escuro, de Domingos Oliveira; realiza um espetáculo seco e profundo com Navalha na Carne, mais um texto de Plínio Marcos; Moço em Estado de Sítio, novamente Oduvaldo Vianna Filho, em 1997; aproxima-se da cultura russa com Ivanov, de Anton Tchekhov; em 1999, além de A Serpente, outro Nelson Rodrigues, As Viúvas, reunindo textos curtos de Artur Azevedo e uma adaptação de histórias de Maupassant, Contos de Sedução, em 2000.

Em 2001, o conjunto de atores interpreta Os Órfãos de Jânio, de Millôr Fernandes, e pesquisam os autores irlandeses, em Major Bárbara, de Bernard Shaw, 2001, e A Importância de Ser Fiel, de Oscar Wilde, protagonizado por Nathália Timberg, em 2002. No mesmo ano, realiza Executivos, texto do ator, encenador e dramaturgo contemporâneo francês Daniel Besse.

Em 2003, novamente numa parceria com Nathália Timberg, revisita Melanie Klein, de Nicholas Wright, montagem de Tolentino realizada em 1993.

A pesquisadora Maria Everalda Almeida Sampaio, que faz dissertação de mestrado sobre o TAPA, analisa: "Nenhum outro grupo de teatro do Brasil teve a coragem, a determinação e as condições que teve o TAPA. O grupo correu o risco de montar peças que poderiam ser desprezadas pelo público e pela classe artística; correu o risco de amargar grandes prejuízos (e amargou), pois não considerou o modismo do mercado; correu o risco de suas montagens serem taxadas de datadas, e algumas o foram; mas, com a experiência do PET (Projeto Escola Tapa), que se iniciou em 1985, resultando no Festival de Teatro Brasileiro Anos I e II, o grupo obteve grande aceitação do público estudantil carioca. O TAPA acreditou que o projeto Panorama do Teatro Brasileiro viria preencher uma lacuna gerada pelo nosso próprio teatro e investiu tudo, chegando a manter seis peças em cartaz, ao mesmo tempo. Foi o momento de maior produtividade do grupo. É inegável a importância do projeto Panorama do Teatro Brasileiro, o qual apresentou os seguintes autores: Martins Pena (O Noviço); Artur e Aluísio Azevedo (1857 - 1913) (As Viúvas e A Casa de Orates); Machado de Assis (1839 - 1908) (O Alienista); Jorge Andrade (O Telescópio e Rasto Atrás); Oduvaldo Vianna Filho (Moço em Estado de Sítio e Corpo a Corpo); Nelson Rodrigues (Vestido de Noiva e A Serpente); João Cabral de Melo Neto (Morte e Vida Severina); Plínio Marcos (Navalha na Carne); Antonio Bivar e Celso Luiz Paulini (As Raposas do Café); Domingos Oliveira (Do Fundo do Lago Escuro); Millôr Fernandes (Os Órfãos de Jânio); e Anamaria Nunes (O Tambor e o Anjo)".1

A crítica Mariangela Alves de Lima sintetiza a representatividade do grupo: "Em parte, o prestígio do TAPA no panorama do teatro brasileiro deve-se à alta definição do projeto artístico do grupo. Trabalhando sobre textos dramáticos de qualidade excepcional e explorando as conexões entre estilos consagrados e formalizações contemporâneas, o repertório do grupo, visto em perspectiva, converge para um núcleo ideológico onde o tema central é a responsabilidade do indivíduo na ordenação social. No tratamento cênico dado à literatura dramática do passado, o grupo tem procurado evidenciar não só a beleza das obras que permanecem como um patrimônio venerável, mas o modo como registram condições de vida que não conseguimos superar, ainda que os autores do passado as tivessem considerado, no tempo da escritura, estados contingentes da sociedade e da história".2

Notas

1. SAMPAIO, Maria Everalda Almeida. Grupo Tapa: Histórico, Repertório Nacional e Perfil Sociopolítico. 2003. Dissertação (Mestrado) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), 2003.

2. LIMA, Mariângela Alves de. Tapa brilha em batalha por poder e dinheiro. São Paulo, O Estado de São Paulo, São Paulo, 21 fev. 2003. Caderno 2.

Espetáculos 55

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Fontes de pesquisa 6

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Eduardo Tolentino (ficha curricular) In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • LIMA, Mariângela Alves de. Tapa brilha em batalha por poder e dinheiro. São Paulo, O Estado de São Paulo, Caderno 2, 21 de fevereiro de 2003.
  • LIMA, Mariângela Alves de. Tapa contraria a neutralidade narrativa de Guy de Maupassant. São Paulo, O Estado de São Paulo, Caderno 2, 14 de setembro de 2000.
  • LIMA, Mariângela Alves de. Tapa recria memória de violência militar. São Paulo, O Estado de São Paulo, Caderno 2, 13 de abril de 2001.
  • SAMPAIO, Maria Everalda Almeida. Grupo Tapa: Histórico, Repertório Nacional e Perfil Sociopolítico. 2003f. Dissertação (Mestrado) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, 2003.
  • SANTOS, Valmir. Após os Excluídos, Tapa Volta-se para os que Excluem. São Paulo, Folha de S.Paulo, Ilustrada, p. E2, 06 de fevereiro de 2003.

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