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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Pod Minoga

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.02.2017
1972 Brasil / São Paulo / São Paulo
1980 Brasil / São Paulo / São Paulo
Data/Local

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Data/Local

1972/1976 - São Paulo SP - Fase amadora

1977/1980 - São Paulo SP - Fase profissional

Histórico

O Pod Minoga é um exemplo de grupo experimental da década de 1970, caracterizado pela criação coletiva e pela proposta alternativa de produção, à margem da corrente comercial do teatro.

O grupo tem origem em um curso de artes para adolescentes ministrado por Naum Alves de Souza na Faculdade Armando Álvares Penteado - Faap, de 1965 a 1969. Entre seus fundadores estão o próprio Naum, Carlos Moreno, Dionísio Jacob, Flávio de Souza e Mira Haar. Com a proposta de desenvolver a capacidade de expressão dos participantes, o curso abrange várias atividades artísticas. Jogos teatrais estimulam a improvisação e a mímica, técnicas de artes plásticas são usadas na confecção de cenários e figurinos. Muitas vezes textos clássicos como os de William Shakespeare servem de base para as criações, que se desviam bastante do original.

Ao terminarem o curso, em 1970, alguns de seus integrantes decidem continuar as atividades. Instalam-se provisoriamente na casa de Naum e apresentam experimentos para convidados. Uma das realizações dessa fase é a peça Júlia Pastrana, 1971, filmada pelo Museu da Imagem e do Som - MIS, de São Paulo. Ainda nesse ano fazem apresentações da peça O Hotel San Marino, em sistema ambulante, utilizando residências particulares. Em 1972 é inaugurado o Pod Minoga Studio, situado na Rua Oscar Freire, onde desenvolvem a prática da criação coletiva, com temática própria e cenas baseadas nas vivências de seus integrantes. Paralelamente incorporam outras linguagens artísticas como o circo, o teatro de revista, a ópera, o cinema e o rádio. A apropriação, no entanto, é feita como citação e paródia, carregando no exagero dos traços estilísticos originais, o que confere uma marca kitsch aos espetáculos do grupo.

A profissionalização se dá com Folias Bíblicas, em 1977. A partir daí, preocupam-se com a unidade do espetáculo, sem deixar de fazer um teatro lúdico e informal. Como analisa Sílvia Fernandes: "No caso de Folias Bíblicas, por exemplo, os episódios soltos, fruto da colaboração de cada ator, não encontravam um caminho de organização. Para solucionar a diversidade surgiu a idéia de transformar as histórias em números de um espetáculo apresentado por um grêmio de bairro".1 Salada Paulista segue essa mesma idéia. O grupo encadeia as diversas cenas tendo como pano de fundo a cidade de São Paulo. Às Margens Plácidas, 1980, procura desenvolver uma narrativa mais linear. A peça é estruturada por monólogos justapostos que são dirigidos diretamente à platéia.

Movidos pelo prazer e pelo descompromisso em relação às técnicas tradicionais do teatro, os integrantes do Pod Minoga criaram uma forma cênica original e um estilo próprio de representação, com primazia à plasticidade da cena. No Pod Minoga, o ator constitui-se como criador, utilizando seu potencial expressivo e imaginativo para compor personagens e situações. A crítica, sempre elogiosa no que diz respeito ao aspecto visual das produções do grupo, aponta a prolixidade dos espetáculos e a falta de preparo técnico dos atores quando esses deixam de representar personagens inspiradas no cotidiano para parodiar a ópera ou outras linguagens artísticas.

A estética do Pod Minoga propaga-se com a absorção de seus participantes pelo circuito profissional. Naum Alves de Souza firma-se como diretor, cenógrafo, figurinista e dramaturgo. Aspectos da dramaturgia da equipe permanecem na produção dos textos do autor Flávio de Souza; o mesmo acontecendo com a interpretação, identificável pelos trabalhos do ator Carlos Moreno, caso único de sucesso publicitário com a personagem do Garoto Bombril. Até mesmo a publicidade absorveu o estilo criado pelo grupo, utilizando-se de elementos presentes em seus espetáculos, tais como máscaras, travestilidade, infantilismo, paródia e non-sense.

Notas

1. FERNANDES, Sílvia. Grupos teatrais: anos 70. Campinas: Unicamp, 2000. p. 192.

Espetáculos 21

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Fontes de pesquisa 3

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  • COSTA, Felisberto Sabino da. A dramaturgia nos grupos alternativos no período de 1975 a 1985. São Paulo, SP, 1990. 3 v. Dissertação (Mestrado). Escola de Comunicações e Artes, USP.
  • FERNANDES, Sílvia. Grupos teatrais: aqnos 70. Campinas: Unicamp, 2000.
  • MEICHES, Mauro; FERNANDES, Sílvia. Sobre o trabalho do ator. São Paulo: Perspectiva, 1988.

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