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Teatro do Pequeno Gesto

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.02.2017
1991 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
A companhia, formada em 1991, tem se dedicado principalmente à encenação de textos importantes da dramaturgia mundial. A partir de 2007, passa a trabalhar com as questões da dramaturgia contemporânea. E, desde janeiro de 1998, publica Folhetim, revista de ensaios sobre teatro.

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Histórico

A companhia, formada em 1991, tem se dedicado principalmente à encenação de textos importantes da dramaturgia mundial. A partir de 2007, passa a trabalhar com as questões da dramaturgia contemporânea. E, desde janeiro de 1998, publica Folhetim, revista de ensaios sobre teatro.

O Teatro do Pequeno Gesto estréia em 1991, com o espetáculo Quando Nós os Mortos Despertarmos, de Henrik Ibsen. Desde então, a companhia se define pela encenação de grandes clássicos da literatura dramática, pelo apreço ao texto de bons diálogos e sólida construção, que a equipe procura tornar claro ao espectador atual.

Em 1992 e 1993, a companhia ocupa o Teatro Duse, uma sala pequena, de 50 lugares, antiga residência de Paschoal Carlos Magno. Lá, além dos espetáculos O Marinheiro, de Fernando Pessoa, e Valsa nº 6, de Nelson Rodrigues, realizam tertúlias, noites de encontros literários e teatrais. Dois anos depois, estréia Penélope, de Antonio Guedes e Fátima Saadi, respectivamente, diretor e dramaturgista do conjunto.

Em 1998, a companhia traz à cena A Serpente, de Nelson Rodrigues, e o O Jogo do Amor, de Marivaux, adaptado para crianças, ambos nos jardins do Museu da República. O crítico Macksen Luiz comenta a encenação do texto de Nelson Rodrigues: "O espetáculo de Antonio Guedes, que simplifica ao extremo a cena - uma única janela, impositiva, onipresente, operística, toma conta do palco como cenário de vários significados dramáticos. O diretor concentra o nervosismo do texto na ocupação permanente do palco, numa movimentação em que os gestos e as vozes entrecortadas apóiam e revelam a interioridade da ação. Os atores, em movimentos coreografados e ao som de um tango de Astor Piazzola (referência reiterativa e óbvia), circulam pelo palco numa dança agitada, na qual os diálogos ganham um tom rascante. Cria-se, com este movimento intenso dos atores, uma tensão que se fragmenta pela forma como são interpretadas as frases curtas do diálogo".1

Ainda em 1998, lança a revista Folhetim, com artigos e entrevistas. Inicialmente quadrimensal, torna bimensal a partir de 2004. Lança em 2003 a coleção Folhetim/Ensaios, com ensaios mais longos do que aqueles que a revista tem condição de acolher. Os dois primeiros volumes são de autoria de Denis Guénoun (A exibição das palavras. Uma idéia (política) do teatro, 2003) e de Béatrice Picon-Vallin (A arte do teatro: entre tradição e vanguarda. Meyerhold e a cena contemporânea, 2006).

Em 2000, estréia Henrique IV, de Luigi Pirandello. A adaptação de Fátima Saadi reduz o tempo da peça de 3 horas para 70 minutos, concentrando-a no cerne da trama. Em 2001, a companhia realiza o Festival Pequeno Gesto, no Espaço 3 do Teatro Villa-Lobos, no qual apresenta três espetáculos em repertório: A Serpente, Henrique IV e Penélope, e lança o décimo número da revista Folhetim.

Em 2002, estréia A Rua dos Cataventos, de Marcos França, inspirado na obra de Mario Quintana, e Medéia, de Eurípides. Nesse ano, a companhia inicia a reforma do espaço que terá como sede, para ensaios, oficinas, acervo e confecção de cenários: um andar de uma fábrica semi-desativada. Dois anos depois, estréia Vestir os Nus, de Luigi Pirandello.

Uma das particularidades do Teatro do Pequeno Gesto está no núcleo gestor, composto pelo diretor Antonio Guedes e pela dramaturgista Fátima Saadi. Seus espetáculos, mais do que realizações cênicas, são resultados de estudos literários e teóricos. O foco de suas encenações se coloca sobre o texto, sobre a fala do ator e sobre a economia na relação entre os demais elementos da cena.

Em 2007, a companhia inicia uma nova fase, concentrando-se na pesquisa sobre as questões do teatro contemporâneo. Remonta Valsa nº 6, de Nelson Rodrigues e encena A Rua do Inferno, do autor espanhol Antonio Onetti. O crítico Lionel Fischer comenta em A Tribuna da Imprensa: "Quanto ao espetáculo e fugindo um pouco à estética habitual do grupo, Antonio Guedes trabalha a cena em um ritmo mais acelerado do que de costume, e também consegue criar marcas surpreendentes e divertidas, afora o fato de ter feito ótimo trabalho junto às atrizes".2

Notas

1. LUIZ, Macksen. Uma abordagem viva de Nelson. Jornal do Brasil, Caderno B, Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 1998.

2. FISCHER, Lionel. Surpresas e conflitos no supermercado. A Tribuna da Imprensa, 8 de novembro de 2007, p. 3.

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Fontes de pesquisa 4

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  • CERRONE, Lúcia. O essencial da história em texto bem autoral. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 de novembro de 1998.
  • FISCHER, Lionel. Surpresas e conflitos no supermercado. A Tribuna da Imprensa, 8 de novembro de 2007, p. 3.
  • LUIZ, Macksen. Pirandello sem identidade. Jornal do Brasil, Caderno B, Rio de Janeiro, 22 de abril de 2000.
  • LUIZ, Macksen. Uma abordagem viva de Nelson. Jornal do Brasil, Caderno B, Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 1998.

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