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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

1ª Exposição Nacional de Arte Concreta

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.04.2021
04.12.1956 - 18.12.1956 Brasil / São Paulo / São Paulo – Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP)
O poeta Décio Pignatari (1927-2012) afirma em 1957: "Esse foi o primeiro encontro nacional das artes de vanguarda realizado no país, tanto no que se refere às artes visuais quanto à poesia concreta", explicitando o espírito que comandou a Exposição Nacional de Arte Concreta. Realizada por iniciativa do grupo concreto paulista, a mostra tem lugar...

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Histórico

O poeta Décio Pignatari (1927-2012) afirma em 1957: "Esse foi o primeiro encontro nacional das artes de vanguarda realizado no país, tanto no que se refere às artes visuais quanto à poesia concreta", explicitando o espírito que comandou a Exposição Nacional de Arte Concreta. Realizada por iniciativa do grupo concreto paulista, a mostra tem lugar em São Paulo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), dezembro de 1956 e no Rio de Janeiro (Ministério da Educação e Saúde, janeiro e fevereiro de 1957), com artistas das duas cidades. A exposição é composta de cartazes-poemas, obras pictóricas, esculturas e desenhos, além de palestras e conferências. A revista Ad-arquitetura e decoração inclui em seu n. 20 o material exposto, funcionando como uma espécie de catálogo da mostra. Nos dois eventos, são exibidas obras de diversos artistas plásticos como: Geraldo de Barros (1923 - 1998), Aluísio Carvão (1920 - 2001)Waldemar Cordeiro (1925 - 1973), João José da Silva Costa (1931), Judith Lauand (1922) e Maurício Nogueira Lima (1930 - 1999). Além disso, participam como convidados especiais do evento os poetas Décio Pignatari, os irmãos Haroldo de Campos (1929 - 2003) e Augusto de Campos (1931)Ferreira Gullar (1930-2016) e Ronaldo Azeredo (1937 - 2006).

A Exposição Nacional de Arte Concreta dá expressão nacional ampliada às tendências concretas que se manifestam nas artes visuais desde as décadas iniciais do século XX, e que remontam às experiências do grupo De Stijl [O Estilo], de Piet Mondrian (1872 - 1944) e Theo van Doesburg (1883 - 1931), popularizando-se com Max Bill (1908 - 1994), ex-aluno da Bauhaus.

É importante lembrar, nessa direção, a 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata (1953), que reúne artistas ligados às mais diversas tendências do abstracionismo no país, e as seguintes mostras realizadas na cidade de São Paulo: 19 Pintores (1947), na Galeria Prestes Maia, semente do grupo concreto paulista; Do Figurativismo ao Abstracionismo (1949); Alexander Calder (1948); e Fotoformas, de Geraldo de Barros (1950). Mas é o ano de 1952 e a exposição do Grupo Ruptura no MAM/SP que assinalam o início oficial do movimento concreto na capital paulista.

A Exposição Nacional de Arte Concreta reúne a arte concreta praticada no Brasil e explicita também divergências entre grupos e tendências. À investigação do grupo paulista, centrada no conceito de pura visualidade da forma, o grupo carioca opõe progressivamente uma articulação forte entre arte e vida - que afasta a consideração da obra como "máquina" ou "objeto" - e uma maior ênfase na intuição como requisito fundamental do trabalho artístico. A Exposição Nacional de Arte Concreta marca, desse modo, o início da ruptura neoconcreta, efetivada em 1959. O Manifesto de 1959, assinado por Amilcar de Castro (1920-2002), Ferreira Gullar, Franz Keller - Leuzinger (1835 - 1890), Lygia Clark (1920-1988), Lygia Pape (1927 - 2004), Reynaldo Jardim (1926-2011) e Theon Spanudis (1915), denuncia, já nas linhas iniciais, que a "tomada de posição neoconcreta" se faz "particularmente em face da arte concreta levada a uma perigosa exacerbação racionalista". Contra as ortodoxias construtivas e o dogmatismo geométrico, os neoconcretos defendem a liberdade de experimentação, o retorno às intenções expressivas e o resgate da subjetividade.

Ficha Técnica

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Exposições 3

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Fontes de pesquisa 5

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  • ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. Metrópole e cultura: São Paulo no meio século XX. Bauru: Edusc, 2001. 482 p., il. color., p&b. (Ciências Sociais).
  • BRITO, Ronaldo. Neoconcretismo: vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro. 2. ed. São Paulo: Cosac & Naify, 1999. (Espaço da arte brasileira).
  • GRUPO Noigandres. Texto João Bandeira, Lenora de Barros; versão em inglês Anthony Doyle. São Paulo: Cosac & Naify, 2002. 80 p., il. color. (Arte concreta paulista).
  • GRUPO Ruptura: revisitando a exposição inaugural. Texto Rejane Cintrão, Ana Paula Nascimento; versão em inglês Anthony Doyle, David Warwick. São Paulo: Cosac & Naify : Centro Universitário Maria Antônia, 2002. 80 p., il. color. (Arte concreta paulista).
  • INSTITUTO ITAÚ CULTURAL. Abstracionismo: marcos históricos. São Paulo: Instituto Cultural Itaú, 1993. 39 p., il. color. (Cadernos história da pintura no Brasil, 4).

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