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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Véxoa: Nós sabemos

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.02.2022
31.10.2020 - 22.03.2021 Brasil / São Paulo / São Paulo – Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_)
Véxoa: Nós sabemos, apresentada na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_), é a primeira exposição do museu dedicada exclusivamente à produção indígena contemporânea e concebida por uma pesquisadora indígena, a curadora Naine Terena (1980). A mostra é um marco da representatividade dentro da Pinacoteca, reivindicando outros critérios estéti...

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Véxoa: Nós sabemos, apresentada na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_), é a primeira exposição do museu dedicada exclusivamente à produção indígena contemporânea e concebida por uma pesquisadora indígena, a curadora Naine Terena (1980). A mostra é um marco da representatividade dentro da Pinacoteca, reivindicando outros critérios estéticos relacionados à contribuição das nações indígenas no Brasil hoje.

Em cartaz entre 31 de outubro de 2020 e 22 de março de 2021, a exposição reúne obras de vinte e três artistas e coletivos indígenas brasileiros de etnias1 de diversas partes do país. Os trabalhos, – entre pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, instalações e ativações – revelam a contemporaneidade dos saberes indígenas e problematizam posturas historicamente arraigadas. 

A exposição é parte de um projeto de pesquisa mais amplo, intitulado OPY (Casa de Oração), uma colaboração entre a Pinacoteca, Casa do Povo e a aldeia Tekoa Kalipety, da comunidade Guarani Mbya, localizada no sul da capital paulista. Os trabalhos ocupam três salas do segundo andar da Pina Luz, e não se organizam de maneira cronológica ou conforme o local de origem, mas acompanham as diferentes temporalidades presentes na produção artística indígena. A exposição apresenta tanto trabalhos inéditos de artistas conhecidos, como Denilson Baniwa (1984), como obras de novos artistas, como Gustavo Caboco (1989). 

Um dos destaques da exposição é a ampla presença do cinema e da fotografia indígenas. No filme Kaapora – O chamado das matas (2020), da jornalista e documentarista Olinda Yawar Tupinambá (1989), a ligação dos povos indígenas com a terra é narrada a partir de entidades espirituais. Sete filmes documentais produzidos entre 2014 e 2020 pela Associação Cultural de Realizadores Indígenas (Ascuri), formada por jovens dos povos Guarani-Kaiowá e Terena, abordam temas como gestão dos territórios indígenas e questões ambientais. Por sua vez, as fotografias em preto e branco de Edgar Corrêa Kanaykõ (1990), do povo indígena Xakriabá, retratam a dança, a pintura corporal e a luta de seu povo pela demarcação de terras.

Iniciativas de comunicação comunitária estão em evidência na Yandê (nós, em tupi), primeira rádio difusora indígena do Brasil na internet, que integra a exposição com uma programação de músicas, falas e entrevistas coordenada pelo seu cofundador Anapuaka Muniz Tupinambá (1974).

Já a arte ativista feminina é tema das ilustrações de Yacunã Tuxá (1994), da etnia Tuxá da Bahia. Realizadas com tecnologias computacionais, as obras propõem reflexões sobre a ancestralidade feminina e os preconceitos vividos pela mulher indígena nas grandes cidades.

Na pintura, destacam-se as obras de Mahku – Movimento dos Artistas Huni Kuin, coletivo que promove sua cultura por intermédio da produção ritual de desenhos e pinturas. A artista, ativista e comunicadora Daiara Tukano (1982) também apresenta uma série de pinturas realizadas entre 2018 e 2020 em que reproduz o hori, mirações produzidas pelo kahpi (ayahuasca), propondo um diálogo com a cosmovisão tukano. 

No campo das esculturas, a artista, ativista e poeta pataxó Tamikuã Txihi (1993), da Terra Indígena Jaraguá (SP), expõe Áxiná, exna (Onça fêmea e sua cria), Nuhwãy (Fortaleza), Kuypô (Vento) e Txahab (Fogo), obras que simbolizam os guardiões da memória2. Todas as peças são feitas de barro e pintadas em acrílico. Máscaras e trajes dos Wauja também são exibidos, confeccionados entre 2000 e 2001 por membros da aldeia Piuylaga, do Território Indígena do Xingu. Entre os Wauja, as máscaras são utilizadas com aerofones (flautas e clarinetes) em rituais xamânicos da comunidade.

O artista makuxi Jaider Esbell (1979-2021) integra a exposição com a pintura coletiva Árvore de todos os saberes, painel de lona de dois metros que, desde 2013, vem sendo trabalhado por comunidades indígenas do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, México e Estados Unidos. Além da pintura, Esbell também apresenta quatro vídeos produzidos em 2020 que discutem temas como o neoxamanismo e a mercantilização dos saberes dos povos originários.

Denilson Baniwa, da comunidade Baturité/Barreira, no Amazonas, apresenta duas obras: a instalação Nada que é dourado permanece 2: Amáka (Coivara) (2000), na qual são dispostos vestígios do incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, em referência à destruição da cultura material indígena ali preservada; e Nada que é dourado permanece 1: Hilo, ação de plantio e semeadura de flores, ervas medicinais e pimenteiras na área externa da Pinacoteca. A ação representa uma espécie de antimonumento aos indígenas atingidos pela epidemia de Covid-19, e é transmitida no espaço expositivo por meio de câmeras de segurança.

A mostra também oferece uma programação pública de falas e discussões em torno das questões presentes na exposição e ativações, como a das mulheres Terena de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, que se reúnem para entoar cânticos lúdicos e ritualísticos. Acompanha a exposição um catálogo com imagens das obras, textos curatoriais e ensaios de autores como Denilson Baniwa, Gustavo Caboco e o filósofo e escritor Daniel Munduruku (1964).

Véxoa: Nós sabemos aponta para a necessidade de novos critérios estéticos capazes de reconhecer a contribuição dos povos originários do Brasil e se afirma como instrumento de luta e resistência indígena. A exposição colabora com a visibilidade de artistas e coletivos indígenas brasileiros, promovendo reflexões fundamentais sobre questões históricas e sociais e demonstrando a pluralidade da produção de artistas indígenas.

Notas

1. Como Baniwa, Bakairi, Guarani-Mbya, Huni Kuin, Kaingang, Kaiowá, Krenak, Makuxi, Pankararu, Pataxó Hã-hã-hãe, Terena, Tukano, Tupinambá, Tuxá, Wapichana, Wauja, Xakriabá, Xetá e Yudjá.

2. Em 2019, Axiná, exna e Nuhwãy foram quebradas num ataque racista à Mostra Regional M’Bai de Artes Plásticas, no Centro Cultural Mestre Assis, em Embu das Artes, em São Paulll. Em resposta ao ataque, Kuypô e Txahab foram criadas e adicionadas ao conjunto.

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