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Véxoa: Nós sabemos

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.10.2021
31.10.2020 - 22.03.2021 Brasil / São Paulo / São Paulo – Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_)
Véxoa: Nós sabemos é apresentada na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_) é a primeira exposição do museu dedicada exclusivamente à produção indígena contemporânea e concebida por uma pesquisadora indígena, a curadora Naine Terena (1980), a mostra é um marco da representatividade dentro da Pinacoteca, reivindicando outros critérios estéti...

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Véxoa: Nós sabemos é apresentada na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_) é a primeira exposição do museu dedicada exclusivamente à produção indígena contemporânea e concebida por uma pesquisadora indígena, a curadora Naine Terena (1980), a mostra é um marco da representatividade dentro da Pinacoteca, reivindicando outros critérios estéticos relacionados à contribuição das nações indígenas no Brasil hoje.

Em cartaz de 31 de outubro de 2020 a 22 de março de 2021. A exposição reúne obras de vinte e três artistas e coletivos indígenas brasileiros de etnias1 de diversas partes do país. Os trabalhos, entre pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, instalações, e ativações, revelam a contemporaneidade dos saberes indígenas e problematizam posturas historicamente arraigadas. 

A exposição é parte de um projeto de pesquisa mais amplo, intitulado OPY (Casa de Oração), uma colaboração entre a Pinacoteca, o centro cultural Casa do Povo e a aldeia Tekoa Kalipety, da comunidade Guarani Mbya, no sul da capital paulista. A organização dos trabalhos ocupa três salas do segundo andar da Pina Luz, e não se dá de maneira cronológica ou conforme o local de origem, mas acompanha as diferentes temporalidades presentes na produção artística indígena. Há na exposição desde trabalhos inéditos de artistas já conhecidos, como Denilson Baniwa (1984), e também de novos artistas, como Gustavo Caboco (1989). 

Um dos destaques é a forte atuação do cinema e da fotografia indígena. No filme Kaapora - O chamado das matas (2020), da jornalista e documentarista Olinda Yawar Tupinambá (1989), a ligação dos povos indígenas com a terra é narrada a partir de entidades espirituais. Sete filmes documentais produzidos entre 2014 e 2020 pela Associação Cultural de Realizadores Indígenas (Ascuri), formada por jovens dos povos Guarani-Kaiowá e Terena, abordam temas como a gestão dos territórios indígenas e questões ambientais. Já as fotografias em preto e branco de Edgar Kanaykõ (1990), do povo indígena Xakriabá, retratam a dança, a pintura corporal e a luta de seu povo pela demarcação de terras.

Iniciativas de comunicação comunitária estão em evidência na Rádio Yandê (Nós, em Tupi), primeira rádio difusora indígena do Brasil na internet, que integra a exposição com uma programação de músicas, falas e entrevistas, coordenada pelo seu co-fundador Anápuàka Tupinambá (1974).

Já a arte ativista feminina é tema das ilustrações de Yacunã Tuxá (1993), da etnia Tuxá na Bahia. Realizadas com tecnologias computacionais, as obras propõem reflexões sobre a ancestralidade feminina e os preconceitos vividos pela mulher indígena nas grandes cidades.

No tocante à pintura, destacam-se as obras do Mahku - Movimento dos artistas huni kuin, coletivo que promove sua cultura por intermédio da produção ritual de desenhos e pinturas. A artista, ativista e comunicadora Daiara Tukano (1982), também apresenta uma série de pinturas realizadas entre 2018 e 2020 em que reproduz o hori, mirações produzidas pelo kahpi (ayahuasca), propondo um diálogo com a cosmovisão Tukano. 

No campo das esculturas, a artista, ativista e poeta pataxó Tamikuã Txihi (1993), da Terra Indígena do Jaraguá (SP), expõe Áxiná, exna (Onça fêmea e sua cria), Nuhwãy (Fortaleza), Kuypô (Vento) e Txahab (Fogo), que simbolizam os guardiões da memória2. Todas as peças são feitas de barro e pintadas em acrílico. Máscaras e trajes wauja também são exibidos, confeccionados entre 2000 e 2001 por membros da aldeia Piuylaga, do Território Indígena do Xingu. Entre os Wauja, as máscaras são utilizadas com aerofones (flautas e clarinetes) em rituais xamânicos da comunidade.

O artista makuxi Jaider Esbell (1979), integra a exposição com a pintura coletiva Árvore de todos os saberes, um painel de lona de 2 metros que, desde 2013, vem sendo trabalhado por comunidades indígenas do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, México e Estados Unidos. Além da pintura, Esbell também apresenta quatro vídeos produzidos em 2020 que discutem temas como o neoxamanismo e a mercantilização dos saberes dos povos originários.

Denilson Baniwa, da comunidade Baturité/Barreira, no Amazonas, apresenta duas obras: a instalação Nada que é dourado permanece 2: Amáka (Coivara), de 2000, onde são dispostos vestígios do incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, numa referência à destruição da cultura material indígena ali preservada; e uma ação de plantio e semeadura de flores, ervas medicinais e pimenteiras, na área externa da Pinacoteca - Nada que é dourado permanece 1: Hilo. A ação representa uma espécie de anti-monumento aos indígenas atingidos pela epidemia de Covid-19, e é transmitida no espaço expositivo por meio de câmeras de segurança.

A mostra também oferece uma programação pública de falas e discussões em torno das questões presentes na exposição e ativações, como a das mulheres Terena de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, que se reúnem para entoar seus cânticos lúdicos e ritualísticos na exposição. Um catálogo com imagens das obras, textos curatoriais, e ensaios de autores como Denilson Baniwa, Gustavo Caboco, e o filósofo e escritor Daniel Munduruku (1964), acompanha a exposição.

Véxoa: Nós sabemos aponta para a necessidade de novos critérios estéticos aptos a reconhecer a contribuição dos povos originários do Brasil e se afirma como um instrumento de luta e resistência indígena. A exposição colabora com a visibilidade de artistas e coletivos indígenas brasileiros, promovendo reflexões fundamentais sobre questões históricas e sociais, e demonstrando também a pluralidade da produção de artistas indígenas.

Notas

1. Como Baniwa, Bakairi, Guarani-Mbya, Huni Kuin, Kaingang, Kaiowá, Krenak, Makuxi, Pankararu, Pataxó Hã-hã-hãe, Terena, Tukano, Tupinambá, Tuxá, Wapichana, Wauja, Xakriabá, Xetá e Yudjá.

2. Em 2019, Axiná, exna e Nuhwãy foram quebradas num ataque racista na Mostra Regional M’Bai de Artes Plásticas, no Centro Cultural Mestre Assis, (Embu das Artes, SP). Em resposta ao ataque, Kuypô e Txahab foram criadas e adicionadas ao conjunto.

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