Artigo da seção eventos Mekukradjá - Círculo de Saberes Indígenas

Mekukradjá - Círculo de Saberes Indígenas

Artigo da seção eventos
Cinema / literatura / artes visuais / música  
Data de inícioMekukradjá - Círculo de Saberes Indígenas: 28-09-2016 | Data de término: 30-09-2016
Local de realização: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Instituição de realização: Itaú Cultural
Tipo do evento: eventos | Classificação do evento: Coletiva

Mekukradjá – Círculo de Saberes é um encontro entre artistas, pensadores, educadores e lideranças de diferentes povos ou nações indígenas brasileiras. Mekukradjá tem origem Kayapó/Mebengokrê1 e significa “sabedoria” ou “transmissão de conhecimentos”. Apresentar, convidar a conhecer e valorizar a diversidade de modos de ser, existir e se expressar de autores e coletivos indígenas são objetivos do evento, que tem concepção e curadoria do escritor Daniel Munduruku (1964) e da antropóloga Júnia Torres.

O encontro e sua documentação ampliam a visibilidade de produções em diversos campos de atuação cultural e política indígenas, com participação de artistas de variadas áreas de e de diferentes regiões do país, demonstrando a vitalidade da permanência de suas culturas como aspecto formador e constitutivo da sociedade brasileira.  

O Mekukradjá contribui para a valorização da cultura indígena por meio de sua autorrepresentação. Ressignificações da tradição, renovação, dinâmica cultural, de territórios e resistência são temáticas em pauta. Os quatro primeiros encontros Mekukradjá (2016 a 2019) acontecem na sede do Itaú Cultural e reúnem representantes de diferentes povos. Com apresentações artísticas e tradicionais, contam ainda com exposição de literatura e projeção de trabalhos realizados pelos participantes, além de produção em outras áreas, como ciências humanas, direito e educação.

O trabalho de documentação e memória produzido está disponível permanentemente no site do Itaú Cultural, por meio de vídeos, podcasts, artigos, pesquisas, cartografias e textos analíticos realizados por observadores indígenas e não indígenas. Especialmente para relatar as ações e refletir sobre os resultados de cada edição, essa produção gera um acervo de pensamento e presença indígenas relevantes com acesso público e gratuito.

A primeira edição do Mekukradjá (2016), chamada de Círculos de Saberes de Escritores e Realizadores Indígenas, é organizada em torno de temas relacionados à oralidade, escrita e imagem por meio da produção artística, principalmente do cinema e da literatura. A língua e a esfera do sagrado também são temas do evento, que conta com a presença de artistas como Eliane Potiguara (1950), Patricia Ferreira (1985) e Kaká Werá (1964), além de intelectuais e ativistas como Ailton Krenak (1953). O encontro traz também discussões sobre políticas culturais para povos indígenas e suas inclusões nos debates sobre a sociedade brasileira.

No ano seguinte, a segunda edição do Mekukradjá – Círculo de Saberes: Língua, Terra e Território, retoma temáticas do primeiro evento, como oralidade, língua, escrita, imagens e literatura, e traz também a tradição e o papel das novas tecnologias na atualização da memória ancestral. São temas centrais do evento: reflexões sobre políticas públicas para os povos indígenas e formas de resistência na defesa de seus direitos históricos, a escola nas comunidades e os usos que os indígenas dão ao aprendizado, além do conceito dinâmico de cultura e memória, especialmente no território virtual que se apresenta aos povos originários. Segundo o curador Daniel Munduruku, os corpos indígenas expressam sua leitura de mundo por meio de sua arte, que se atualiza, acompanhando os desafios dos novos tempos.

A terceira edição, Círculo de Saberes: Movimento da Memória, em 2018, reúne representantes de diversas etnias para discutir arte, cultura e identidade no âmbito das questões indígenas. Do passado ao presente, a memória ressignifica e atualiza. Articulação entre memória, oralidade, educação e tecnologia são temas tratados nos círculos de saberes. Um dos eixos dessa edição são os 30 anos da Constituição Brasileira, e lideranças protagonistas dos direitos indígenas ali garantidos são convidados de destaque, como Paulinho Payakan (1953), Álvaro Tukano e Marcos Terena (1952?) junto a nomes das artes contemporâneas como Jaider Esbell (1979) e cineastas como Kamikia Kisedje e Graci Guarani.

O encontro de 2019, (Re)existência: Muitas Línguas, Muitos Saberes, discute identidade, linguagem, questões de gênero e política cultural. Os círculos de conversas se constituem em torno da resistência por meio de manifestações culturais como língua e arte, além da educação e da divulgação da memória de diferentes povos. Entre os artistas participantes estão Jerá Guarani, Ely Macuxi e Denilson Baniwa (1984).

O evento de 2020 amplia o debate ao trazer quilombolas para as mesas de debate. Totalmente on-line e transmitido pelo site do Itaú Cultural, Construção de Pontes de Saberes entre Culturas Indígenas e Quilombolas aborda questões como cura, educação, meio ambiente, resiliência e as produções audiovisual e literária a partir dos olhares e experiências de diferentes comunidades. 
Os debates são dedicados às tradições, à resistência, às renovações e a outros aspectos dos universos indígenas no Brasil contemporâneo. Esta edição contribui para a formação de uma importante aliança entre povos e culturas tradicionais em uma perspectiva política contra-colonizadora, na definição do pensador quilombola Nego Bispo, presente em uma das mesas dessa edição. Outros participantes são Takiwara Pataxó, Telma Taurepang (1972), João Paulo Tukano, Lucely Pio, Julia Suzarte e Ana Mumbuca.

De 2016 a 2020, o Mekukradjá – Círculo de Saberes reúne representantes de mais de 30 povos indígenas oriundos de todas as cinco regiões do Brasil, configurando um mapa da diversidade no país. Apresentar suas diferentes perspectivas ontológicas e aprender com eles é passo fundamental para a construção de outros mundos possíveis.

 

Notas:

1. Povos que ocupam os estados do Mato Grosso e do Pará.    

Ficha Técnica do evento Mekukradjá - Círculo de Saberes Indígenas:

Midias (1)

Mekukradjá – Círculo de Saberes de Escritores e Realizadores Indígenas (2016)
Mekukradjá – Círculo de Saberes de Escritores e Realizadores Indígenas (2016)

Mekukradjá é uma palavra de origem caiapó – etnia que ocupa Mato Grosso e Pará – e significa “sabedoria, “transmissão de conhecimentos”. Com esse ideal em perspectiva, o evento Mekukradjá – Círculo de Saberes de Escritores e Realizadores Indígenas reuniu artistas de 11 estados e 11 etnias em cinco sessões de conversa, em setembro de 2016, na sede do Itaú Cultural, em São Paulo (SP), com a curadoria de Daniel Munduruku, Cristino Wapichana, Cristina Flória, Junia Torres e Andrea Tonacci.

Neste vídeo, estão reunidas falas de participantes desta primeira edição do Mekukradjá, com o intuito de trazer um panorama sobre a reflexão do fazer artístico e a identidade de cada povo.

Créditos
Presidente: Alfredo Setubal
Diretor: Eduardo Saron
Gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura: Tânia Rodrigues
Coordenadora do Núcleo de Audiovisuak e Literatura: Glaucy Tudda
Conteúdo Enciclopédia Itaú Cultural: Equipe de editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura: Claudiney Ferreira
Coordenadora do Núcleo de Audiovisual e Literatura: Kety Fernandes Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Captação: Bela Baderna (terceirizada)
Roteiro: Letícia Santos e Flecha Produções Culturais (terceirizada)
Edição: Flecha Produções Culturais (terceirizada)
Interpretação em Libras: FFomin Acessibilidade e Libras (terceirizada)

Fontes de pesquisa (5)

  • EM três edições, 38 representantes de povos indígenas de todo o Brasil participaram do Mekukradjá. In: ITAÚ Cultural, 16 maio 2019. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: https://www.itaucultural.org.br/em-tres-edicoes-38-representantes-de-povos-indigenas-de-todo-o-brasil-participaram-do-mekukradja. Acesso em: 21 dez. 2020.
  • Material enviado pela curadora Junia Torres em 21 dez. 2020.
  • MEKUKRADJÁ 2020 - “Já é madrugada, vem o sol, quero alegria, que é para esquecer o que eu sofria”. In: ITAÚ Cultural, 13 nov. 2020. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Culturas indígenas. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=D1MGggZdINw&list=PLaV4cVMp_odz6HQTxtbmEG5ZmcrljHSsx.  Acesso em: 21 dez. 2020.
  • MEKUKRADJÁ 2020: evento aborda troca de saberes entre culturas indígenas e quilombolas. In: ITAÚ Cultural, 05 nov. 2020. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: https://www.itaucultural.org.br/secoes/agenda-cultural/mekukradja-2020-evento-aborda-troca-saberes. Acesso em: 21 dez. 2020.
  • MEKUKRADJÁ – Círculo de Saberes de Escritores e Realizadores Indígenas. 14 nov. 2016. Disponivel em: https://www.itaucultural.org.br/mekukradja-circulo-de-saberes-de-escritores-e-realizadores-indigenas#apresentacao. Acesso em: 16 dez. 2020.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MEKUKRADJÁ - Círculo de Saberes Indígenas. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento647225/mekukradja-circulo-de-saberes-indigenas>. Acesso em: 27 de Fev. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7