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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Festival Sesc_VideoBrasil

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 01.11.2022
1983 Brasil / São Paulo / São Paulo
Evento bienal composto de três plataformas curatoriais voltadas para a produção artística do Sul geopolítico1 do planeta: exposição e exibição de filmes; programas públicos de debates; e lançamento de publicações. Promove encontros e intercâmbios entre artistas, instituições e comunidades por meio de um programa de residências, fortalecendo laço...

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Evento bienal composto de três plataformas curatoriais voltadas para a produção artística do Sul geopolítico1 do planeta: exposição e exibição de filmes; programas públicos de debates; e lançamento de publicações. Promove encontros e intercâmbios entre artistas, instituições e comunidades por meio de um programa de residências, fortalecendo laços e processos criativos fora do eixo europeu e norte-americano da arte contemporânea.

Criado pelo fotógrafo húngaro Thomaz Farkas (1924-2011) e pela curadora e gestora cultural Solange Farkas (1955), o 1º Festival de Vídeo Brasil2 tem seu momento inaugural em 1983, no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo. Em suas edições anuais até 1989, divide os trabalhos inscritos nas categorias de vídeo em VHS e U-Matic, sendo a primeira dedicada aos artistas amadores, por utilizar um equipamento acessível ao uso doméstico, e a segunda aos semiprofissionalizados. 

Lidando com as tensões entre o monopólio estatal dos canais de TV e os produtores independentes, a linguagem documental e o experimentalismo, o Festival busca promover trocas. Exclui da seleção trabalhos já exibidos em emissoras para priorizar a diversidade das obras autorais, como as dos grupos Olhar Eletrônico e TVDO, e, ao mesmo tempo, convida diretores e roteiristas de televisão para compor o júri de premiações.

Mostras paralelas à competitiva veiculam trabalhos do diretor de cinema Glauber Rocha (1939-1981) no programa Abertura (TV Tupi, 1979) e trazem as primeiras obras em videoarte no Brasil, realizadas entre 1974 e 1980, na retrospectiva Os Pioneiros. A partir da quarta edição do Festival, também são organizadas mostras informativas internacionais, com panoramas das produções alemã, canadense, francesa e norte-americana. Artistas, representantes de instituições de arte e de emissoras estrangeiros são convidados para exibir seus trabalhos e passam a conhecer os artistas, as obras e as instituições nacionais, discutindo produção e distribuição e abrindo caminho para a internacionalização do evento em 1990.

Na oitava edição, a mostra competitiva se abre para a participação de realizadores da América do Sul, Austrália, África e do Sudeste Asiático. Esse recorte geopolítico busca estabelecer o evento como um âmbito de fortalecimento dos artistas e das obras excluídos do circuito hegemônico da videoarte – majoritariamente países da Europa Ocidental e Estados Unidos.

A partir do nono festival, em 1992, várias mudanças determinantes se dão nas diretrizes do evento, que passa a ser de periodicidade bienal. O Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc) forma parceria com a Associação Cultural Videobrasil, fundada em 1991, para realizá-lo. Intensifica-se a presença de performances, instalações e obras comissionadas, sendo a primeira The Desert In My Mind (1992), do artista Eder Santos (1960). Cada vez mais, as questões da arte se tornam evidentes nas obras e nos debates, ultrapassando as discussões sobre a televisão e apontando para outros meios, como o CD-ROM interativo, a internet e a realidade virtual.

A arte eletrônica entra em primeiro plano na denominação do Festival, que, em sua 13a edição (2001), divide a mostra competitiva entre vídeos e novas mídias, o que compreende obras interativas. Em outras frentes e nos anos seguintes são lançados os documentários da Coleção de Autores e os Cadernos Sesc_Videobrasil; constroem-se os debates com base no tema central de cada edição e ampliam-se as concessões de prêmios de residência aos artistas.

Depois de dois festivais, respectivamente com os temas Performance e Limite – este último sobre as aproximações entre cinema, vídeo e artes visuais –, as passagens entre o vídeo e outros campos da arte os tornam indissociáveis em suas investigações criativas. A designação arte eletrônica, que nomeia o evento, é substituída por arte contemporânea, atendendo à compreensão curatorial, que abre a mostra competitiva Panoramas do Sul a todas as manifestações artísticas.

Por três edições seguidas, o Sul geopolítico toma o eixo central em toda programação, refletindo sobre as questões contidas na produção desse território, suas perspectivas e seus desafios. Na 21a edição, o evento passa de Festival a Bienal, posicionando-se no contexto das artes em escala global e se inserindo no calendário internacional das bienais. O foco geopolítico é reafirmado com esse gesto por meio de sua ampliação para outras comunidades artísticas à margem da sociedade e fora do sistema mercadológico.

Da videoarte à arte contemporânea, o Festival Sesc_Videobrasil, agora também como Bienal, constitui-se como um evento em contínua reflexão. Suas modificações ao longo do percurso são fruto do olhar atento aos caminhos traçados pelo vídeo em suas contaminações mútuas com o universo da arte. A aposta inicial na experimentação e nos artistas independentes se consolida ao compor espaço para o fomento às obras do Sul geopolítico.

 

Notas:

1. Na apresentação de sua 19a edição, o Festival aponta o Sul global como: América Latina, Caribe, África, Oriente Médio, Oceania e alguns países da Europa e da Ásia. 

2. Ao longo dos anos o Festival passa por modificações em sua nomeação de acordo com as instituições realizadoras ou a partir dos nortes curatoriais definidos. Em 1984, é denominado 2º Festival Fotoptica-MIS de Vídeo Brasil. De 1985 a 1989, Festival Fotoptica Videobrasil. No ano seguinte, com sua internacionalização, passa a ser chamado 8th Fotoptica International Video Festival. Em 1992, 9º Festival Internacional Videobrasil. De 1994 a 2005, Videobrasil Festival Internacional de Arte Eletrônica. A partir da 16ª edição, o nome do Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc), parceiro desde 1992, é incluído: Festival Internacional de Arte Eletrônica Sesc_Videobrasil. A expressão Arte Eletrônica é substituída por Arte Contemporânea nas edições de 2011 em diante e, em 2019, é designado como Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil.

Fontes de pesquisa 5

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  • ASSOCIAÇÃO Cultural Videobrasil. São Paulo. Disponível em: http://site.videobrasil.org.br. Acesso em: 9 abr. 2020.
  • BIENAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA SESC_VIDEOBRASIL, 21., 2019/2020, São Paulo. Comunidades Imaginadas. São Paulo: Associação Cultural Videobrasil; Sesc São Paulo, 2019/2020. Disponível em: http://bienalsescvideobrasil.org.br. Realizada no período de 9 out. 2019 a 2 fev. 2020. Acesso em: 9 abr. 2020.
  • FESTIVAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA SESC_VIDEOBRASIL, 19., 2015, São Paulo. Panoramas do Sul. São Paulo: Associação Cultural Videobrasil; Sesc São Paulo, 2015. Disponível em: http://www.19festival.com. Realizado no período de 6 out. a 6 dez. 2015. Acesso em: 9 abr. 2020.
  • FESTIVAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA SESC_VIDEOBRASIL, 20., 2017/2018, São Paulo. Panoramas do Sul. São Paulo: Associação Cultural Videobrasil; Sesc São Paulo, 2017/2018. Disponível em: http://site.videobrasil.org.br/festival/arquivo/festival/2199157. Realizado no período de 3 out. 2017 a 14 jan. 2018. Acesso em: 9 abr. 2020.
  • MARTINHO, Teté; FARKAS, Solange (org.). Videobrasil: três décadas de vídeo, arte, encontros e transformações. São Paulo: Edições Sesc: Videobrasil, 2015.

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