Artigo da seção eventos Festival de Teatro Amador de Maringá (Fetam)

Festival de Teatro Amador de Maringá (Fetam)

Artigo da seção eventos
Teatro  
Data de inícioFestival de Teatro Amador de Maringá (Fetam): 1982 | Data de término: 1991
Local de realização: (Brasil / Paraná / Maringá)
Tipo do evento: eventos

Primeiro evento do tipo a ser realizado na cidade de Maringá, o Festival de Teatro Amador acontece entre os dias 2 e 8 de setembro de 1982, promovido pela Federação Independente de Teatro Amador do Paraná (Fitap), pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), pela Secretaria Municipal da Cultura e pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Dois anos depois passa a se chamar Festival Estadual de Teatro Amador de Maringá (Fetam).

Além da mostra de espetáculos dos grupos selecionados, com debates ao final de cada apresentação, o Fetam é criado como mostra não competitiva tendo como objetivo promover o teatro por meio de seminários, palestras e oficinas que garantam o necessário contato com profissionais capacitados a suprir parte da carência técnica e artística dos grupos da cidade e da região. Paralelamente à mostra dos espetáculos, acontece também o Congresso de Teatro Amador, reunindo representantes de vários grupos paranaenses. Promovido pela Fitap/sub-sede Maringá, de acordo com o regulamento do festival, o congresso se estabelece como um fórum de discussão e deliberação de questões e reivindicações a serem apresentadas e debatidas nas reuniões anuais da Federação Nacional de Teatro Amador (Fenata) e da Confederação Nacional de Teatro Amador (Confenata).  

A militância dos amadores maringaenses é a grande responsável pela criação e pela existência do Fetam. Importante capítulo da história do teatro em Maringá, o Fetam nasce do movimento de teatro amador que a cidade conhece antes de completar sua primeira década de existência (já que ela é fundada em 1947). É o que comprova a criação do Teatro Maringaense de Comédia (TMC), em 1956. Denominado como “pioneiro”, esse período registra ainda o surgimento de mais dois grupos: a Agremiação Maringaense de Teatro Amador (Amta), liderada por Oscar Leandro (1926), e o Grupo de Teatro Pioneiro (GTP), coordenado por José Dutra (1910-1991).

São esses grupos e seus coordenadores que organizam e comandam a primeira aventura teatral da cidade. Aventura essa que prossegue nos anos 1970, quando diversas organizações -  Grupo Independente de Teatro Amador (Grita), Teatro Maringaense Independente (Temi), Teatro Estudantil de Comédia (TEC), Teatro Experimental da Universidade Estadual de Maringá, Grupo Pau de Fita, Grupo Aletófilo, Grupo Sem Compromisso, Grupo Escada e Grupo Chão de Giz, entre outros - se unem para a criação do Fetam. Ao longo dos anos 1980, Maringá chega a contabilizar mais de duas dezenas de grupos teatrais. Um número que, paradoxalmente, contrasta com os dois únicos pequenos auditórios que a cidade oferece para as suas apresentações e para a realização do festival.

Mesmo assim, sem se deixar intimidar pela falta de recursos e espaços mais adequados, recorrem ao improviso, utilizam o pequeno auditório do Sesc ou até mesmo uma lona circense, como no 4° Festival, em 1985. Os coletivos de teatro elencados anteriormente e o empenho de seus diretores e atores, como Leonil Lara (1945), Alaor Gregório (1943), Jonas Lourenço (1956), Sueli Alves de Souza (1956), Valter Pedrosa (1955), Elfrida Biscaia (1937-1988), Tisley Barbosa (1961) e Majô Baptistoni (1961) respondem de forma direta pela criação e história do Fetam.

Em 1982, a primeira edição do festival é celebrada por 12 grupos: Proteu de Londrina, Tubarão Azul de Tapejara, Teatral Ribalta de Nova Londrina, Pau de Fita de Maringá, TEP de Paranavaí, Delta de Londrina, Experimental Utopia de Ponta Grossa (com dois espetáculos), Pé no Chão de Paranacity, Unimar de Maringá, Sem Compromisso de Mandaguari e Teatral Amador - Sesc de Curitiba. A peça de Fernando Arrabal (1932), Piquenique no Front, é encenada pelo Grupo Teatro Universitário, da Universidade Federal de São Carlos (Tufscar), convidado do I Fetam.

Durante dez edições, realizadas anualmente entre os meses de agosto e setembro, o Fetam recebe grupos de Curitiba, Londrina, Umuarama, Apucarana, Cambé, Gioierê, Cascavel, Jacarezinho, Planaltina, Campo Mourão, Dois Vizinhos e Loanda. Da mesma forma que no primeiro festival, a cada ano há um convidado para a sua abertura. Na última edição, realizada entre os dias 30 de agosto e 8 de setembro de 1991, é a vez do Teatro Universitário da Universidade Católica de São Paulo (Tuca) com o espetáculo As Viúvas do Arthur, uma criação coletiva sobre textos de Arthur Azevedo (1855-1908).

Os objetivos do Fetam em suas dez edições não têm alterações significativas. Pequenas mudanças ocorrem apenas em função da linha de atuação de cada diretoria, que se pauta em amplos objetivos traçados por ocasião da elaboração do seu regulamento em 1982: promover seminários, palestras, oficinas e subsidiar as edições do Congresso de Teatro Amador. Como estratégia para revitalizar o evento, o único acontecimento diferenciado é proposto e decidido durante a 6° edição do Fetam, em 1987. O festival fica encarregado pela Fitap de eleger o espetáculo que irá representar o estado do Paraná no Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa (Fenata), tradicional e reconhecido evento premiativo de âmbito nacional. No 7° Fetam, em 1988, a criação coletiva O Porcenteiro, do Grupo de Teatro Águas Claras, da cidade de Goioerê, é o trabalho escolhido para estar no 25° Fenata, conquistando o prêmio de melhor espetáculo. 

O Fetam reúne em média 15 espetáculos por evento, contabilizando em 1991, data da sua última edição, 19 peças. Entre montagens destinadas ao público adulto e ao público infantil, importantes nomes e coletivos de teatro participam de suas dez edições: o Proteu, dirigido por Nitis Jacon (1935); o Delta, sob o comando de José Antonio Teodoro (1953-1987); o grupo Cemitério de Automóveis, liderado por Mario Bortolotto (1962); e o Grupo de Teatro Bom-Bom, dirigido por Paulo Moraes (1965). Luis Melo (1947) e Eudósia Acuña Quinteiro (1944) estão entre os profissionais convidados a ministrar oficinas durante o Fetam.

Tudo indica que a principal razão que marca o fim do Fetam seja o desinteresse crescente dos grupos de teatro pela própria Fitap, a principal promotora do festival. Além disso, há também pouco interesse das demais instituições promotoras do evento – Secretária da Cultura do Município, Universidade Estadual de Maringá e Sesc/Maringá. De forma contrastante, um final que ocorre no momento mesmo em que a cidade registra o surgimento de seus primeiros espaços efetivamente teatrais: a Oficina de Teatro (UEM), fundada no fim de 1987 com a reorganização do Teatro Universitário de Maringá, e o Teatro Barracão, inaugurado em 1989 pela Secretaria da Cultura do Município. 

No anos 2000, Maringá conta com cinco salas teatrais, sendo o Teatro Calil Haddad, inaugurado em 1996, a segunda maior e mais bem equipada sala de teatro do estado do Paraná, só perdendo para o Teatro Guaíra, em Curitiba.

Fontes de pesquisa (2)

  • MONTAGNARI, Eduardo Fernando. Teatro universitário em cenas: referências e experiências. Maringá: Eduem, 1999.
  • PELUSO, Laura Chaves de Souza. Festivais sem teatro, teatros sem festival (recortes do movimento teatral em Maringá). Monografia apresentada à Universidade Estadual de Maringá para obtenção do título de especialista em ciências sociais, sob a orientação do prof. dr. Eduardo Fernando Montagnari. Maringá, 1999.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • FESTIVAL de Teatro Amador de Maringá (Fetam). In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento645762/festival-de-teatro-amador-de-maringa-fetam>. Acesso em: 26 de Out. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7