Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.

Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Waldemar Cordeiro: Fantasia Exata

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 30.10.2020
03.07.2013 - 22.09.2013 Brasil / São Paulo / São Paulo – Itaú Cultural
Edouard Fraipont/Itaú Cultural

Contradição Espacial, 1958
Waldemar Cordeiro
Esmalte sobre compensado
95,00 cm x 100,00 cm

Waldemar Cordeiro: Fantasia Exata é uma exposição realizada no Instituto Itaú Cultural, em São Paulo, entre 3 de julho e 22 de setembro de 2013. Com curadoria de Arlindo Machado (1949) e Fernando Cocchiarale (1951), a mostra reúne todas as fases de produção de Waldemar Cordeiro (1925-1973), desde as pinturas figurativas, realizadas em meados dos...

Texto

Abrir módulo

Waldemar Cordeiro: Fantasia Exata é uma exposição realizada no Instituto Itaú Cultural, em São Paulo, entre 3 de julho e 22 de setembro de 2013. Com curadoria de Arlindo Machado (1949) e Fernando Cocchiarale (1951), a mostra reúne todas as fases de produção de Waldemar Cordeiro (1925-1973), desde as pinturas figurativas, realizadas em meados dos anos 1940, passando pela produção concreta nos anos 1950 e 1960, até chegar à produção eletrônica, que se inicia no fim dos anos 1960 e prossegue até seu prematuro falecimento. A mostra exibe também os primeiros desenhos abstratos da produção do artista, feitos em nanquim. Esses trabalhos enfatizam a relação entre cor e plano, impondo um exercício livre da forma que se afasta cada vez mais da produção figurativa.

É importante destacar que Cordeiro é o artífice do Grupo Ruptura, coletivo de artistas baseado em São Paulo, no início dos anos 1960, que tem importância radical na produção e exibição de obras de tendência construtiva. O grupo é um dos pioneiros da relação entre arte e tecnologia no Brasil: faz uso de computadores, como uma mídia de suporte e produção de obras. Cordeiro torna-se teórico e líder do Ruptura que, em 1952, inaugura exposição homônima no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Nessa mostra, é lançado o manifesto do grupo, que deseja romper com “os que criam formas novas de princípios velhos”1. Toda a produção diretamente ligada ao Ruptura, com fortes vínculos com a arte concreta e a op art, é exibida na mostra no Itaú Cultural. Destaca-se a ordem de elementos progressivos e ilusórios adotados em Ideia Visível (1956): é uma produção singular que expõe as bases da arte abstrata no país. A obra cria alicerces e define ações para uma nova fase nas artes visuais brasileiras: a passagem do moderno para o contemporâneo. Além das obras de Cordeiro, a primeira sala da exposição concentra trabalhos de artistas ligados ao Ruptura, como Geraldo de Barros (1923-1998), Lothar Charoux (1912-1987) e Luiz Sacilotto (1924-2003).

Outra fase da trajetória artística de Cordeiro está na obra Popcretos (ca. 1965), assemblages formadas por objetos derivados de vidro, concreto, madeira, metal e espelho, acoplados a um plano ou com dimensão autônoma. Essa obra representa a continuidade da pesquisa e dos preceitos do artista: a busca pelo novo que transcende em uma arte objetiva, a defesa da arte como realidade autônoma, a utilização de materiais industriais e a intenção de reprodutibilidade. Estas características são importantes para entendermos as associações de Cordeiro com o design, a arquitetura e o paisagismo. 

Em 1967, começam as pesquisas de arte e tecnologia, e uma seção da mostra é dedicada a essa fase. A exposição apresenta suas obras cinéticas, que reproduzem imagens de partes do corpo como tema, mas sempre apresentando-o partilhado (como em Autorretrato Probabilístico). O artista introduz uma imagem virtual, digital e manipulada na produção plástica brasileira. Um ano depois, em parceria com o físico Giorgio Moscati (1934), utiliza o computador como mídia de produção artística. Para Cordeiro, a arte eletrônica é uma consequência lógica da arte concreta. Mulher que não é BB (1973), realizada com base em um programa gerador de combinações probabilísticas, é um exemplo dessa prática. O comentário do artista ajuda-nos a entender as proximidades entre as fases de trabalho: 

A arte concreta, o que fazia? Digitalizava a imagem, números, superfícies com quantidades, relacionava essas quantidades, programava os quadros. A execução era artesanal apenas porque não havia indústria alguma que quisesse fazer isso. [...] Os quadros concretos poderiam ter sido executados por uma tipografia, por uma indústria, por uma máquina, porque eles tinham na sua base um programa numérico – note bem – como a arte digitalizada2.

A exposição tem o mérito, entre outros, de apresentar os mais diversos suportes, mídias e inovações desse artista e crítico que ajuda a construir os rumos da arte abstrata e tecnológica no Brasil.

Ficha Técnica

Abrir módulo
Curadoria
Arlindo Machado
Fernando Cocchiarale

Artista participante
Waldemar Cordeiro

Projeto expográfico
Ivan Pascarelli

Pesquisa
Aida Cordeiro

Obras 1

Abrir módulo

Exposições 1

Abrir módulo

Mídias (1)

Abrir módulo
Museu Virtual - "Waldemar Cordeiro: Fantasia Exata" (2013)
Itaú Cultural

Fontes de pesquisa 6

Abrir módulo
  • AMARAL, Aracy (org.). Arte construtiva no Brasil - Constructive art in Brazil. Tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Companhia Gráfica Melhoramentos: DBA Artes Gráficas, 1998. (Coleção Adolpho Leirner).
  • AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na arte (1950-1962). Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna; São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1977.
  • CORDEIRO, Waldemar. Waldemar Cordeiro: fantasia exata. Organização Analívia Cordeiro; curadoria Arlindo Machado, Fernando Cocchiarale; tradução John Norman, Marisa Shirasuna, Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Itaú Cultural, 2014.
  • COSTA, Helouise. Waldemar Cordeiro: a ruptura como metáfora. São Paulo: Cosac & Naify : Centro Universitário Maria Antônia, 2002. (Arte concreta paulista).
  • FERREIRA, Glória (Org.). Crítica de arte no Brasil: temáticas contemporâneas. Rio de Janeiro: Funarte, 2006.
  • WALDEMAR CORDEIRO. CD-ROM. Desenvolvimento: Cabo Verde. Design Digital: Álvaro Bussab. Realização: Galeria Brito Cimino, 2001.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: