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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

A Falta Que Nos Move ou Todas as Histórias São Ficção

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 22.07.2022
01.04.2005 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
A linguagem do espetáculo, que investiga as fronteiras entre realidade e ficção, é construída a partir de elementos naturalistas, que instauram uma cumplicidade entre artistas e público.

Texto

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A linguagem do espetáculo, que investiga as fronteiras entre realidade e ficção, é construída a partir de elementos naturalistas, que instauram uma cumplicidade entre artistas e público.

O espetáculo, dirigido por Christiane Jatahy (1968), também chamado de peça-performance, mistura ficção e realidade, personagem e ator. No texto, feito dos fragmentos trazidos pelos intérpretes ao processo de ensaio, as personagens recordam acontecimentos e pessoas de um passado em comum enquanto preparam um jantar, em que a comida e a bebida são reais. Os espectadores recebem um guardanapo onde podem deixar registradas suas histórias, memórias e relatos. Esses guardanapos compõem uma exposição permanente no teatro. Os próprios atores controlam a sonorização e iluminação da peça à vista do público.

A peça tem recepção polêmica. A crítica Barbara Heliodora (1923-2015), de O Globo, questiona a informação contida no programa sobre a existência de uma pesquisa de linguagem e, sob o título "Quando a falta de idéias domina o espetáculo", escreve que os diálogos não formam um todo coerente e que não compreende a pesquisa desenvolvida pelo grupo.1

Já o crítico Sérgio Salvia Coelho, do jornal Folha de S.Paulo, enaltece a montagem, considerando-a "a obra-prima do naturalismo experimental de Christiane Jatahy": "Nesse jantar entre amigos, que evocam fragmentos da infância nos anos 1970, tudo parece aleatório e no entanto é cuidadosamente medido, como uma jam session de jazz [...] os conflitos em psicodrama que promovem constantes guinadas no ritmo e no tom do espetáculo são minuciosamente embalados por uma trilha acionada em cena aberta pelos próprios participantes, e uma marcação tão fina e precisa que não se enxerga. [...] Os atores vestem personagens tão sob medida que parecem estar em um reality show [...]. Mais do que isso: convidada, a platéia não se constrange em dar o próprio depoimento, o que faz com que sempre mude um espetáculo que dá a impressão que nem começou, até o momento em que acaba. [...] Sem hermetismos nem fórmulas esgotadas, esse naturalismo experimental seduz o público de novela e o leva a um grande salto conceitual, quando o faz compartilhar a angústia pela busca do tempo perdido".2

Notas

1. HELIODORA, Barbara. Quando a falta de idéias domina o espetáculo, O Globo, Rio de Janeiro, 7 abr. 2005.

2. COELHO, Sérgio Salvia. Nova peça de Jatahy leva teatro ao seu mais alto papel, Folha de S.Paulo, São Paulo, 4 dez. 2006.

Ficha Técnica

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Fontes de pesquisa 3

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  • COELHO, Sérgio Salvia. Naturalismo experimental aparece no FIT, Folha de S.Paulo, São Paulo, 22 jul. 2006.
  • OLIVEIRA, Roberta. Entre a ficção e a realidade, O Globo, Rio de Janeiro, 1 abr. 2005.
  • SANTOS, Valmir. Cia. estréia peça de improvisos e interatividade, Folha de S.Paulo, São Paulo, 25 nov. 2006.

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