Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Aldeotas

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.11.2017
13.03.2004 - 02.05.2004 Brasil / São Paulo / São Paulo
Escrita pelo dramaturgo Gero Camilo (1970), Aldeotas evidencia a capacidade de empregar a palavra como ferramenta essencial de um teatro voltado para o ator e a poesia.

Texto

Abrir módulo

Histórico

Escrita pelo dramaturgo Gero Camilo (1970), Aldeotas evidencia a capacidade de empregar a palavra como ferramenta essencial de um teatro voltado para o ator e a poesia.

O espetáculo conta o reencontro de dois homens na faixa dos 50 anos, Levi e Elias, amigos de infância que há muito tempo não se vêem. Levi, poeta, foge da cidade de Coti das Fuças assim que termina o ensino médio; Elias não tem igual ousadia, não o acompanha, como havia sido combinado, permanecendo em sua terra, onde recebe de Levi uma peça que rememora as peripécias da dupla. A montagem arma-se a partir da leitura dessa peça por Elias o que possibilita reviver o passado em cena.

A abordagem da memória conduz o texto de Gero Camilo. É dele a interpretação de Levi e o centro da narrativa; Elias cabe a Marat Descartes. O desempenho de Camilo, ator dotado de excelente consciência corporal, é favorecido pela iluminação de Marisa Bentivegna, pelo cenário de Vinícius Simões, que usa apenas um tapete e uma tela, e pela direção de Cristiane Paoli-Quito (1960), ganhadora do Prêmio Shell por este espetáculo. Para o crítico Sérgio Salvia Coelho, Paoli-Quito "monta uma partitura de movimentos tão precisa que chega a ser invisível".1

Boa parte do encantamento da apresentação repousa sobre a performance de Gero Camilo. A transformação gradativa de sua personagem de criança em adulto se dá por meio de uma modulação de voz precisa e uma escolha competente de vocabulário e postura. Exemplo disso vê-se logo nas cenas iniciais, em que o menino Levi descreve sua viagem ao centro da terra, onde conhece o reino das formigas.

O tapete no centro do palco assume a função de representar diferentes ambientes, configurando-se desde a casa das personagens, onde, por exemplo, os garotos elaboram um jornal rodado em mimeógrafo, até os espaços em que vivenciam suas primeiras experiências amorosas, como um salão de dança ou um mirante. Graças à iluminação acertada, as modulações necessárias a esses vários lugares são bem-sucedidas.

A natureza do espetáculo e as virtudes da direção também chamam a atenção da crítica carioca Barbara Heliodora (1923-2015), que se impressiona com a apresentação da peça no festival de teatro riocenacontemporânea de 2005: "Os dois atores que formam o elenco são cúmplices dedicados a seus personagens, Levi, o que viaja, e Elias, o que fica, com o segundo [...] perfeitamente à vontade com a idéia de seu papel ser o de apoio, simplesmente porque, dos dois, Levi foi sempre o mais imaginativo. De algum modo, o simples tamanho e peso de Elias parecem prendê-lo à rotina da aldeota, enquanto a leveza do pequeno Levi o faz voar para a poesia e a distância. A atuação de Gero Camilo é excepcional, comunicativa e cativante, rica e despojada, emocionada e marota".2

Notas

1. COELHO, Sergio Salvia. Gero Camilo honra a sua (e a nossa) aldeia. Folha de S.Paulo, São Paulo, Ilustrada, 29 abr. 2004. p. 2.

2. HELIODORA, Barbara. Rara, imaginativa e comovente obra de arte. O Globo, Rio de Janeiro, Cultura, 15 out. 2005. Disponível em: http://www.nordesteweb.com/not10_1205/ne_not_20051015b.htm.

 

Ficha Técnica

Abrir módulo
Autoria
Gero Camilo

Direção
Cristiane Paoli-Quito (Prêmio Shell)

Cenografia
Marisa Bentivegna

Cenotécnica
Vinicius Simões

Iluminação
Marisa Bentivegna

Preparação corporal
Cristiano Karnas

Elenco
Gero Camilo / Aldeotas
Marat Descartes / Aldeotas

Produção
Dora Leão

Fotografia
Edu Marin Kessedjian
Luiz de Oliveira

Fontes de pesquisa 2

Abrir módulo
  • COELHO, Sergio Salvia. Gero Camilo honra a sua (e a nossa) aldeia. Folha de S.Paulo, São Paulo, Ilustrada, 29 abr. 2004. p. 2.
  • HELIODORA, Barbara. Rara, imaginativa e comovente obra de arte. O Globo, Rio de Janeiro, Cultura, 15 out. 2005. Disponível em: http://www.nordesteweb.com/not10_1205/ne_not_ 20051015b.htm.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: