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Teatro

Acordei que Sonhava

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.03.2021
21.03.2003 Brasil / São Paulo / São Paulo
Segunda montagem do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, adaptação de A Vida É Sonho, de Calderón de la Barca, consolida o aprofundamento na pesquisa sobre a cultura hip-hop e a estética da arte das ruas.

Texto

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Segunda montagem do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, adaptação de A Vida É Sonho, de Calderón de la Barca, consolida o aprofundamento na pesquisa sobre a cultura hip-hop e a estética da arte das ruas.

As questões do texto original sobre destino e livre-arbítrio inspiram uma abordagem sobre a realidade brasileira. Na peça do dramaturgo espanhol, o príncipe Segismundo vive em uma prisão até a vida adulta, por ordem do próprio pai, o rei Basílio, que ouvira do oráculo que o filho seria um tirano ao assumir o poder. Basílio, pensando na sua sucessão, resolve testar o rapaz e manda dopá-lo. Quando este acordasse, estaria no trono. Se o comportamento fosse reprovável, seria drogado novamente e informado de que tudo não havia passado de um sonho. A descoberta de sua prisão gera revolta no povo e conflito entre pai e filho.

No início do espetáculo, um mestre-de-cerimônias convida o público a refletir sobre a história que será contada. Sugere-se assim que se apreendam as metáforas que a montagem vai construir. Segundo a diretora Cláudia Schapira, esta versão centra-se nas referências à cultura televisiva e ao processo de massificação imposto ao povo brasileiro. Exemplo disso é a cena em que Segismundo poderá ser 'príncipe por um dia', alusão sarcástica a um quadro de programa de tevê brasileiro e mote para uma seqüência de paródias a outras atrações televisivas.

Constantes na montagem, as citações ao universo da periferia, da marginalidade e da exclusão social brasileira servem como contraponto, ou releitura, ao ambiente da corte apresentado no texto original. No projeto do espetáculo, há a ênfase na discussão sobre o poder público, suas responsabilidades e omissões e o abandono dos que deveriam receber sua assistência.

A profusão de câmeras, microfones, aparelhos de televisão, rappers, a fala rimada, a música, tudo gera um impacto sensorial significativo. O figurino, de Cláudia Schapira, também surpreende pela simplicidade e pelo efeito da composição.  No elenco, a atriz Paula Pretta, como Buzina, uma menina de rua, destaca-se por sua interpretação. Fica evidente o alinhamento da montagem aos preceitos do teatro épico, uma vez que esses atores MC's (como eles próprios se denominam) narram e anunciam as cenas que devem ser desenvolvidas. O grupo consegue também explorar a performance de seus repentistas urbanos.

Para a crítica Silvana Garcia (1951), o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos "desenvolve projeto estético que traz para o palco a sonoridade do ambiente urbano. Em Acordei que Sonhava, a vozearia das ruas constitui-se em personagem, variando o sentido de espaço forte, transferindo-o para o espaço sonoro: o hip-hop, o linguajar da marginalidade, a retórica dos dominantes, o dialeto dos oprimidos, o palavrório televisivo remetem-nos à rua, mas devidamente distanciados dela como para perceber nela os motivos e os enredos que a constituem".1

Notas

1. GARCIA, Silvana. Teatro político: verso e reverso. Folhetim, Rio de Janeiro, n. 22, jullho-dezembro de 2005. p. 69-76.

Ficha Técnica

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Autoria
Calderón de la Barca

Adaptação
Cláudia Schapira

Dramaturgia
Cláudia Schapira

Roteiro
Cláudia Schapira

Direção
Cláudia Schapira

Direção (assistente)
Nô Cavalcanti

Cenografia
Júlio Dojcsar

Cenografia (assistente)
Patrick Toosey

Adereço
Júlio Dojcsar

Figurino
Cláudia Schapira

Figurino (assistente)
Renata Soarez

Iluminação
Miló Martins

Operação de luz
Duani Bin

Visagismo
Emi Sato

Direção musical
Eugênio Lima

Trilha sonora
Eugênio Lima

Coreografia
Eugênio Lima
Mariana Lima

Preparação corporal
Érika Moura
Mariana Maia / Yoga

Preparação de atores
Georgette Fadel
Mariana Senne

Elenco
Benito Carmona / Astolfo, Duque de Moscou; Guarda; Coro-Povo
Cláudia Schapira / General Clotaldo e Coro-Povo
Estela Lapponi / Rei Basílio e Coro-Povo
Eugênio Lima / MC Povo e Líder Revolucionário
Luaa Gabaninni / Rosaura, Filha de Clotaldo; DJ Povo
Maysa Lepique / Princesa Estrela; Guarda e Coro-Povo
Paula Pretta / Buzina, Menina de Rua, Parceira de Rosaura; Coro-Povo
Roberta Estrela D'Alva / Príncipe Segismundo

Produção
Benito Carmona
Cláudia Schapira
Estela Lapponi
Eugênio Lima
Júlio Dojcsar
Luaa Gabaninni
Mariana Lima
Maysa Lepique
Nô Cavalcanti
Paula Pretta
Roberta Estrela D'Alva

Fotografia
Jeyne Stakflett
Pitxo Falconi

Fontes de pesquisa 5

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  • ACORDEI que Sonhava. São Paulo: Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, 2003. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Carlos Miranda.
  • AIROLDI, Rennata. Acordei que Sonhava. In Digestivo Cultural. São Paulo, 2003. Disponível em: http://www.digestivocultural.com. Acesso em 30 mar. 2007.
  • GARCIA, Silvana. A nova revolução. Bravo!, São Paulo, n. 102, fev. 2006. p. 82-87.
  • GARCIA, Silvana. Teatro político: verso e reverso. Folhetim, Rio de Janeiro, n. 22, jul-dez 2005.
  • LIMA, Jefferson Alves de. Teatro hip hop em nova peça. Folha de S.Paulo, São Paulo, 4 abr. 2003. Revista da Folha, p. 46.

Como citar

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Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: