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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Histórias Afro-atlânticas

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 27.08.2022
29.06.2018 - 21.10.2018 Brasil / São Paulo / São Paulo – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp)
"A exposição Histórias afro-atlânticas entrelaça e justapõe, pela primeira vez e em larga escala, obras em torno dos trânsitos ocorridos entre a África, as Américas, o Caribe e a Europa, durante os séculos XVI e XXI, que tocam em uma variedade de tópicos, como cultos, vivências, criações e filosofias. Uma parceria entre o Museu de Arte de São Pa...

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"A exposição Histórias afro-atlânticas entrelaça e justapõe, pela primeira vez e em larga escala, obras em torno dos trânsitos ocorridos entre a África, as Américas, o Caribe e a Europa, durante os séculos XVI e XXI, que tocam em uma variedade de tópicos, como cultos, vivências, criações e filosofias. Uma parceria entre o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Instituto Tomie Ohtake, Histórias afro-atlânticas é apresentada nas duas instituições, em São Paulo, entre 29 de junho e 21 de outubro de 2018.

Com curadoria de Adriano Pedrosa (1965), Lilia Schwarcz (1957), Ayrson Heráclito (1968), Hélio Menezes Neto (1986), e assistência curatorial de Tomás Toledo (1986), a exposição é um marco para a história da arte: além de explorar conexões diaspóricas, lida com o legado violento da escravidão e rememora os 130 anos da abolição oficial da escravatura negra no Brasil, completados no mesmo ano, dando visibilidade a importantes pesquisas, artistas e obras sobre o assunto. A exposição é um desdobramento de Histórias mestiças, realizada em 2014, no Instituto Tomie Ohtake, organizado por Adriano Pedrosa e Lilia Schwarcz.

Com 450 obras de 214 artistas, de diversas instituições e coleções particulares do mundo, a exposição se articula em torno de oito núcleos temáticos1. Em cada um deles, friccionam-se diferentes movimentos artísticos, geografias, temporalidades e materialidades, sem compromisso cronológico ou enciclopédico. Ao adotar a noção plural de "histórias" no título, os curadores afirmam que a exposição não se propõe a esgotar um assunto tão complexo, mas incitar novos debates e questionamentos.

O núcleo "Mapas" e margens aborda deslocamentos da população negra pelo Atlântico, evocando dois conceitos centrais da exposição: "fluxos e refluxos", cunhado pelo fotógrafo e antropólogo francês Pierre Verger (1902-1996) para se referir aos intercâmbios culturais dos trânsitos atlânticos; e "atlântico negro", expressão utilizada pelo historiador britânico Paul Gilroy (1956) para aludir a uma geografia sem fronteiras precisas, em que experiências africanas invadem e ocupam outras localidades. Integra esse núcleo Into Bondage (1926), do pintor estadunidense Aaron Douglas (1899-1979), que retrata africanos capturados em seu continente antes de serem escravizados, e A permanência das estruturas (2017), da artista Rosana Paulino (1967), que reflete sobre o racismo estrutural brasileiro.

"Cotidianos" apresenta imagens envolvendo o cotidiano de populações africanas e afro-diaspóricas, buscando superar a imagem reducionista atribuída a esses povos pelos chamados artistas viajantes, como nas pinturas do estadunidense William Johnson (1901-1970), em que são retratadas comunidades afro-americanas. 

Desdobramento de Cotidianos, o núcleo "Ritos e ritmos "apresenta experiências populares e afro-religiosas, como o samba e o candomblé. Destaca-se o universo carnavalesco carioca do brasileiro Heitor dos Prazeres (1898-1966), como na pintura Samba (cerca de 1938).

"Rotas e transes: Áfricas, Jamaica, Bahia" apresenta um recorte mais contemporâneo, destacando fenômenos a partir dos anos 1960, como o movimento rastafari, a psicodelia e as religiões afro-americanas. São obras seminais desse núcleo as esculturas dos artistas baianos Mário Cravo Júnior (1923-2018), Agnaldo Manuel dos Santos (1926-1962) e Mestre Didi (1917-2013), que exploram a ancestralidade africana na cultura popular brasileira.

O núcleo Retratos reúne obras que representam o negro. Destacam-se a escultura Amnésia (2015), de Flávio Cerqueira (1983), em que um garoto negro despeja um balde de tinta branca sobre a cabeça; e duas pinturas comissionadas do brasilerio Dalton de Paula (1982), que retratam dois importantes líderes escravizados até então invisibilizados, João de Deus Nascimento (1771-1799) e Zeferina (século XIX).

"Modernismos afro-atlânticos" reúne pinturas de alguns dos principais nomes do modernismo e da abstração afro-atlântica, em uma seleção cronológica que varia de 1942 a 1975. Entre as telas, há trabalhos do cubano Wifredo Lam (1902-1982) e do nigeriano Uche Okeke (1933-2016).

O núcleo "Emancipações" trata da resistência à escravidão e das lutas pela emancipação. The Secret of England's Greatness (c. 1863), do pintor militar inglês Thomas Jones Barker (c. 1815-1882), é um trabalho central, que retrata um príncipe africano ajoelhando-se para receber a bíblia da rainha da Inglaterra.

Em "Resistências e ativismos" são tematizadas diversas formas de luta antirracista, como em Organizações de resistência negra (1995), de J. Cunha (1948), em que bandeiras usadas por integrantes da banda Afro Ilê AyIe ressaltam o potencial subversivo da autodeterminação dos povos negros.

Por ocasião do projeto, três seminários de discussão são realizados. Os dois primeiros ocorrem no Masp e antecedem a mostra – "Histórias da escravidão", em outubro de 2016, e "Histórias Afro-Atlânticas", em outubro de 2017 –, e o terceiro ocorre no Tomie Ohtake, durante o período da exposição. Além dos seminários, duas publicações são editadas: um catálogo que reúne imagens e textos curatoriais de cada núcleo temático; e uma antologia de textos que discutem questões sobre uma noção afro-atlântica.

Histórias afro-atlânticas é uma marco para as histórias das exposições, tanto por colaborar com a visibilidade, inclusive internacional, de importantes pesquisas, artistas e obras, quanto por promover reflexões fundamentais sobre culturas e trânsitos visuais dos territórios afro-atlânticos em um país como o Brasil, central para essa pesquisa, já que recebeu aproximadamente 46% dos cerca de onze milhões de africanos e africanas que desembarcaram compulsoriamente neste lado do Atlântico.

Notas

1. No Masp são apresentados seis núcleos temáticos: "Mapas e margens"; "Cotidiano"; "Ritos e ritmos"; "Rotas e transes: Áfricas, Jamaica, Bahia"; "Retratos"; e "Modernismos afro-atlânticos". No Instituto Tomie Ohtake, são introduzidos outros dois núcleos: "Emancipações" e "Ativismos e resistências". 

Ficha Técnica

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Exposições 2

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Fontes de pesquisa 17

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  • CERQUEIRA, Flávio. Site Oficial do artista. Disponível em: http://flaviocerqueira.com/bio-e-cv/. Acesso em: 7 jul. 2021.
  • GERMANO, Beta. A mostra Histórias Afro-atlânticas viajará para Houston e Washington. ARTEQUEACONTECE, São Paulo, 29 jun. 2020. Disponível em: https://www.artequeacontece.com.br/a-mostra-historias-afro-atlanticas-viajara-para-houston-e-washington/. Acesso em: 7 jul. 2021.
  • GILROY, Paul. O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo; Rio de Janeiro: Editora 34; Universidade Cândido Mendes – Centro de Estudos Afro-Asiáticos, 2001.
  • GOMES, Sonia. [Currículo]. Enviado pela artista em: 15 jul. 2021.
  • HIRSZMAN, Maria. Histórias Afro-atlânticas: uma arte plural, diversa e militante. ARTE!Brasileiros, São Paulo, 14 ago. 2018. Exposições. Disponível em: https://artebrasileiros.com.br/arte/exposicoes/uma-arte-plural-diversa-e-militante/. Acesso em: 7 jul. 2021.
  • INSTITUTO TOMIE OHTAKE. Histórias Afro-atlânticas. Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2018. Disponível em: https://www.institutotomieohtake.org.br/exposicoes/interna/historias-afro-atlanticas. Acesso em: 7 jul. 2021.
  • MENEZES NETO, Hélio Santos. Entre o visível e o oculto: a construção do conceito de arte afro-brasileira. 2017. Dissertação (Mestrado) FFLCH, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.
  • MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO. Seminário Histórias da Escravidão. Museu de Arte de São Paulo, São Paulo, 2016. Disponível em: http://maspinscricoes.org.br/Seminarios/detalhes/74. Acesso em: 7 jul. 2021.
  • NAZARETH, Paulo. [Currículo virtual]. Disponível em: https://mendeswooddm.com/pt/artist/paulo-nazareth/exhibitions. Acesso em: 16 set. 2021.
  • PAULINO, Rosana. [Currículo]. Enviado pela artista em: 19 jul. 2021.
  • PEDROSA, Adriano e outros (Orgs.). Histórias afro-atlânticas. 2 v. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake; Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, 2018.
  • PEDROSA, Adriano; CARNEIRO, Amanda; MESQUITA, André. Histórias Afro-atlânticas: antologia. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake; Masp, 2018.
  • PEDROSA, Adriano; HERÁCLITO, Ayrson; MENEZES, Hélio; SCHWARCZ, Lilia Moritz; TOLEDO, Tomás (Curadoria e textos). Histórias Afro-Atlânticas – Volume 1. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake; Museu de Arte de São Paulo, 2018. 416 p. Exposição realizada no período de 29 jun. a 21 out. 2018.
  • PINHEIRO, B. Uma visita à exposição Histórias Afro-Atlânticas. Modos – Revista de História da Arte, Campinas, v. 3, n. 2, pp. 306-317, maio 2019. Disponível em: https://www.publionline.iar.unicamp.br/index.php/mod/article/view/4173. Acesso em: 7 jul. 2021.
  • SOUZA, M. R. A. de. Histórias Afro-atlânticas, afro-poéticas e corporeidades afro-atlânticas. Revista Espaço Acadêmico, v. 20, n. 225, pp. 106-119, 13 nov. 2020. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/53782. Acesso em: 7 jul. 2021.
  • VERGER, Pierre. Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o golfo do Benin e a Bahia de todos os Santos. Salvador: Corrupio, 2002.
  • ΜUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO. Histórias Afro-atlânticas. Museu de Arte de São Paulo, São Paulo, 2018. Disponível em: https://masp.org.br/seminarios/historias-afro-atlanticas. Acesso em: 7 jul. 2021.

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