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A Bilha Quebrada

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.07.2015
06.12.1961 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre – Theatro São Pedro
Texto do alemão Heinrich Von Kleist encenado por alunos do Curso de Arte Dramática da Faculdade de Filosofia da Universidade do Rio Grande do Sul, em colaboração com o Instituto Cultural Brasileiro-Alemão.

Texto

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Histórico
Texto do alemão Heinrich Von Kleist encenado por alunos do Curso de Arte Dramática da Faculdade de Filosofia da Universidade do Rio Grande do Sul, em colaboração com o Instituto Cultural Brasileiro-Alemão.

A obra de Kleist é traduzida por Gerd Bornheim (1929-2002) e Linneu Dias (1927-2002). Em entrevista, Linneu recorda: "Eu e o Gerd Bornheim ficamos dias e dias traduzindo, ele com o texto em alemão, eu com o texto em francês. Fizemos uma tradução supercriteriosa, discutimos cada palavra, cada intenção. Depois apresentamos em Porto Alegre e foi um sucesso estrondoso. O Cláudio Heemann (1930-1999) estourou, aliás, o elenco todo era muito bom. Havia a Lilian Lemmertz (1937-1986), a Yetta Moreira, o Carlos Cardoso, que era um bailarino que trabalhava pela primeira vez em teatro".1

A ação da peça se passa na aldeia holandesa de Huisum e inicia com os moradores à espera do desembargador Walter. Quando ele chega, conduz o julgamento sobre a quebra da bilha de estimação que pertence a uma moradora do local. Durante o processo, Adão, o juiz da localidade, usa de várias estratégias para conquistar o amor da filha da dona do objeto. No desfecho da peça, quando se descobre quem foi o provocador do incidente, o juiz é desmascarado.

O autor e diretor Fernando Peixoto (1937-2012) conta que a criação do texto nasce de uma espécie de concurso artístico estabelecido entre Zschokkle, Kleist e o jovem Wieland, com base em uma gravura que Debucourt possui, na qual são representados um par de jovens apaixonados e tristes, uma mãe barulhenta trazendo uma bilha quebrada e um juiz de nariz grande. Isso serve de ponto de partida para Heinrich Von Kleist escrever, entre 1802 e 1806, a comédia que permanece como curiosa exceção em sua intensa obra dramática. Segundo Peixoto, "A Bilha Quebrada foi encenada pela primeira vez por Goethe, resultando um fracasso memorável",2 o que não acontece com a montagem gaúcha.

Após a curta temporada no Theatro São Pedro em dezembro de 1961, o espetáculo participa, em 1962, em Porto Alegre, do 4º Festival Nacional de Teatro de Estudantes, organizado por Paschoal Carlos Magno, sendo escolhido como um dos cinco melhores daquela edição. Yetta Moreira e Lilian Lemmertz integram o grupo das dez melhores atrizes da competição. Cláudio Heemann, intérprete de Adão, recebe a medalha de ouro como melhor ator brasileiro.

Em março de 1962, o espetáculo cumpre nova temporada no Theatro São Pedro. Desta vez a produção recebe a assinatura do grupo Os Comediantes da Cidade. Fernando Peixoto escreve sobre a encenação e destaca a interpretação de Heermann: "A Bilha Quebrada voltou ao cartaz com o mesmo elenco e mantendo um mesmo nível geral de espetáculo, mas modificada, pela direção, em alguns pontos. Linneu não se limitou a reensaiar e reapresentar o trabalho feito. Alterou o que lhe pareceu mais fraco na primeira versão. O início, por exemplo, ganhou, pela nova marcação, em rendimento cênico; antes era forçado e às vezes falso. De resto, o espetáculo não evidenciou o que se poderia esperar, maior amadurecimento nas interpretações. Ainda é dominado pela correção de Linneu Dias e, principalmente, pela presença viva de Cláudio Heemann, explorando seus recursos próprios de comicidade, que chegam a parecer inesgotáveis, com uns olhos que não param nunca, maliciando as frases mais inesperadas, claro sentido de efeito cômico, utilizando seu físico na composição de um personagem bastante pessoal".3

O espetáculo é a última produção gaúcha em que atuam Lilian Lemmertz e Linneu Dias, que logo em seguida ingressam no elenco do Teatro Cacilda Becker, no Rio de Janeiro.

Notas

1. WASILEWSKI, Luís Francisco. Linneu Dias: Esperando Godot em Porto Alegre. Jornal da UFRGS, ago. 2002, p. 15.

2. PEIXOTO, Fernando. Kleist e a Bilha Quebrada. Folha da Tarde, Porto Alegre. 5 mar. 1962.

3. PEIXOTO, Fernando. A bilha quebrada em cena. Folha da Tarde, Porto Alegre, mar. 1962.

 

Ficha Técnica

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Autoria
Kleist

Tradução
Gerd Bornheim
Linneu Dias

Direção
Linneu Dias

Cenografia
Armando Piazza Filho

Figurino
Gilberto Vigna

Elenco
Adaides A. da Silva / A Bilha Quebrada
Antônio Carlos Cardoso / A Bilha Quebrada
Cláudio Heemann / A Bilha Quebrada (Medalha de Ouro no Festival do Estudante de Paschoal Carlos Magno)
Ilo Bandeira / A Bilha Quebrada
Ivanoska Meidel / A Bilha Quebrada
Jayra Silveira / A Bilha Quebrada
Lilian Lemmertz / A Bilha Quebrada (Prêmio no Festival do Estudante de Paschoal Carlos Magno)
Linneu Dias / A Bilha Quebrada
Mário Textor / A Bilha Quebrada
Solita Elnecavé / A Bilha Quebrada
Yetta Moreira / A Bilha Quebrada

Fontes de pesquisa 3

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  • PEIXOTO, Fernando. A bilha quebrada em cena. Folha da Tarde, Porto Alegre, mar. 1962.
  • PEIXOTO, Fernando. Kleist e a Bilha Quebrada. Folha da Tarde, Porto Alegre. 5 mar. 1962.
  • WASILEWSKI, Luís Francisco. Linneu Dias: Esperando Godot em Porto Alegre. Jornal da UFRGS, ago. 2002, p. 15.

Como citar

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Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: