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Teatro

Um Molière Imaginário

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.08.2019
08.03.1997 Brasil / Minas Gerais / Tiradentes
Primeira montagem em que um integrante do Grupo Galpão assina a direção de um espetáculo da companhia. Um Molière Imaginário é uma adaptação do clássico O Doente Imaginário, de Molière, com direção de Eduardo Moreira e dramaturgia de Cacá Brandão, realizada depois dos premiados espetáculos Romeu e Julieta, 1992, e A Rua da Amargura, 1994, dirigi...

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Primeira montagem em que um integrante do Grupo Galpão assina a direção de um espetáculo da companhia. Um Molière Imaginário é uma adaptação do clássico O Doente Imaginário, de Molière, com direção de Eduardo Moreira e dramaturgia de Cacá Brandão, realizada depois dos premiados espetáculos Romeu e Julieta, 1992, e A Rua da Amargura, 1994, dirigidos por Gabriel Villela.

Um Molière Imaginário, produzida em comemoração dos 15 anos do Galpão, é uma homenagem declarada ao dramaturgo francês e ao teatro, e uma reflexão sobre o ofício do ator. O dramaturgista Cacá Brandão relata os motivos que levam o grupo a escolher a peça: "Molière aparecia como a própria encarnação do fazer teatral, identificava-se com a trajetória do grupo, seja pelo seu amor e dedicação a essa arte, seja pelo seu caráter popular e sua formação mambembe, e fornecia uma impiedosa crítica à hipocrisia da sociedade contemporânea".1  

Comédia entremeada de música e dança, a peça original integra um ciclo de obras que satirizam a medicina da época. Molière morre em cena, em 1673, durante uma apresentação de O Doente Imaginário. O espetáculo do Galpão se inicia com o cortejo fúnebre que conduz o caixão do dramaturgo. Segue-se uma comédia, com tom farsesco, na qual o próprio autor renasce para contar, pelo enredo de O Doente Imaginário, sua vida e sua morte. O autor/personagem interfere no espetáculo, fala sobre teatro e assume o papel do irmão do hipocondríaco Argan, protagonista da peça. A reviravolta se dá no desfecho do espetáculo, quando Argan se diploma em medicina e morre em seguida, em alusão à morte real do autor. Enquanto isso, Molière, o autor/personagem, tem um fim glorioso: morre em uma tourada e é sepultado com carnaval e festa. Mas, como o autor permanece vivo em suas obras, reaparece em cena vindo de debaixo do palco.  

Como no teatro que Molière apresenta para a corte de Luís XIV, na montagem do Grupo Galpão a música tem lugar de destaque, tanto na estrutura das cenas quanto na construção dos personagens. O bolero identifica o vilão da peça, o samba acentua a malandragem do tabelião e as árias de ópera dão o tom romântico que envolve os enamorados. 

A dramaturgia incorpora ao texto referências ao livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1893 - 1908), utilizando-as para encontrar o tom sarcástico da peça. Figurinos e movimentos são inspirados no clima onírico e na leveza das pinturas de Marc Chagall, com predomínio da cor lilás. A atmosfera de sonho está presente também nos adereços e na cenografia, que remete a obras do pintor Piero della Francesca, representante do quatroccento italiano. 

A estreia de Um Molière Imaginário ocorre na praça em frente a uma igreja da cidade histórica de Tiradentes, em Minas Gerais. Em seguida, o Galpão abre o 6º Festival de Teatro de Curitiba com o espetáculo. Sobre a apresentação, a crítica Barbara Heliodora escreve: "O Festival de Teatro de Curitiba estreou lindamente sob o signo do milagre do encantamento teatral graças à contagiante alegria de 'Um Molière Imaginário' [...] O resultado é ótimo, com a leve caricatura circense contribuindo para tornar clara a história a ser contada, cheio de momentos inesperados, pleno de carinho para com Molière e para com o mundo dos mambembes".2 

Com o espetáculo, o Grupo Galpão abre a quarta edição do festival Porto Alegre em Cena; reúne cerca de 1.500 pessoas na Praça do Papa, em Belo Horizonte; além de viajar por vários países. 

Um Molière Imaginário recebe, em 1997, o Prêmio Bonsucesso de melhor espetáculo, hors-concours. Em maio de 1998, ganha o Prêmio Sesc/Sated nas categorias melhor espetáculo, direção, figurino, trilha sonora, iluminação, texto e melhor ator, para Rodolfo Vaz. 

Notas

1. BRANDÃO, Carlos Antônio Leite. Grupo Galpão: 15 anos de risco e rito. Belo Horizonte: O Grupo, 1999. p. 134
2. HELIODORA, Barbara. Um exemplo de encanto com alma mambembe. O Globo, Rio de Janeiro, 15 mar. 1997.

Ficha Técnica

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Autoria
Molière

Tradução
Edla van Steen

Dramaturgia
Cacá Brandão

Direção
Eduardo Moreira

Direção (assistente)
Chico Pelúcio

Cenografia
Paulo Pessoa

Figurino
Wanda Sgarbi

Iluminação
Alexandre Galvão
Chico Pelúcio (Prêmio Sated)
Wladimir Medeiros

Trilha sonora
Ernani Maletta
Fernando Muzzi

Coreografia
Fernanda Vianna

Elenco
Antonio Edson / Sr. Boa Fé e Dr. Purgan
Arildo de Barros / Dr. Disáforus
Beto Franco / Sr. Flores
Chico Pelúcio / Sr. Flores
Eduardo Moreira / Tomás Disáforus
Fernanda Vianna / Rainha Mab e Belinha
Inês Peixoto / Belinha
Júlio Maciel / Molière e Beraldo
Lydia Del Picchia / Rainha Mab e Angélica - substituição eventual
Margareth Serra / Nieta
Paulo André / Cleanto
Rodolfo Vaz / Argan
Simone Ordones / Angélica
Teuda Bara / Nieta

Fontes de pesquisa 4

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  • ALVES, Júnia & Noe, Márcia. O palco e a rua: a trajetória do teatro do Grupo Galpão. Belo Horizonte: Editora PUC Minas, 2006.
  • BRANDÃO, Carlos Antônio Leite. Grupo Galpão: 15 anos de Risco e Rito. Belo Horizonte: O Grupo, 1999.
  • BRANDÃO, Carlos Antônio Leite. Grupo Galpão: diário de montagem. Belo Horizonte: UFMG, 2003.
  • MOLIÈRE. O Doente Imaginário. Belo Horizonte: Crisálida, 2002.

Como citar

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