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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

A Farsa de Inês Pereira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 25.09.2015
31.05.1978 Brasil / São Paulo / São Paulo – Teatro João Caetano (São Paulo, SP)
Registro fotográfico Ruth Toledo

A Farsa de Inês Pereira, 1978
Ruth Toledo
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Marcante encenação do Grupo de Teatro Mambembe, atualiza a farsa medieval para os usos e costumes kitsch da cultura suburbana de São Paulo.

Texto

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Histórico

Marcante encenação do Grupo de Teatro Mambembe, atualiza a farsa medieval para os usos e costumes kitsch da cultura suburbana de São Paulo.

Depois da primeira montagem pelo Grupo Universitário de Teatro (GUT), numa adaptação de Décio de Almeida Prado (1917-2000), nomeada de Farsa de Inês Pereira e do Escudeiro, em 1945, a montagem seguinte do texto de Gil Vicente (1465-1537) é de Carlos Alberto Soffredini (1939-2001), em continuidade ao projeto do Teatro Mambembe de fazer um teatro popular, tendo por base as fontes de nossa cultura.

O grupo inicia pesquisa em espetáculo anterior, A Vida do Grande dom Quixote de la Mancha e do Gordo Sancho Pança, adaptado do original de Antônio José da Silva, o Judeu. Com o texto de Gil Vicente, Soffredini aprofunda seus recursos estilísticos.

A trama é centrada em um casamento de encomenda, orquestrado por uma alcoviteira que propõe alguns pretendentes, contando com a intervenção de alguns vizinhos da casa de Inês. Sátira de costumes, presta-se à exploração de diversos tipos cômicos de fácil reconhecimento e empatia popular.

Nas explicações do encenador, vários são os objetivos buscados: uma pesquisa cenográfica e de visualidade (emprego de telão, sucatas diversas e materiais baratos, devidamente adaptados); uso de técnicas de interpretação de cunho não-ilusionista (tais como o aparte, a triangulação, a busca de cumplicidade com a platéia), além de inovar o uso da música e da dança em cena. Tais recursos aproximam-se das propostas brechtianas, mas inteiramente abrasileirados.

Inês Pereira melhor sintetiza as propostas do Mambembe e na apreciação do crítico Fausto Fuser "a presença do diretor é bastante forte no espetáculo, mas nem por isso os atores foram apagados. O elenco do Mambembe soube entender muitíssimo bem a proposta de Soffredini. No palco há uma festa, mais do que uma representação teatral. Eugênia de Domênico, no papel de Inês Pereira, domina a apresentação com muita felicidade. Ela dá conta do recado brilhantemente, cantando, fazendo sátira ou drama; é um prazer ver esta jovem e bela atriz em cena. Todo o elenco assume muitíssimo bem seus papéis, num nivelamento em ponto excelente".1

Notas

1. FUSER, Fausto. Esta ótima farsa merece ficar nos palcos. Última Hora, São Paulo, p. 11, 31 maio 1978.

 

Ficha Técnica

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Autoria
Gil Vicente

Direção
Carlos Alberto Soffredini

Cenografia
Eurico Sampaio

Direção musical
Tato Fischer

Trilha sonora
Tato Fischer

Coreografia
Tato Fischer

Elenco
Calixto Inhamuns / A Farsa de Inês Pereira
Carlos Alberto Soffredini / A Farsa de Inês Pereira
Ednaldo Freire / A Farsa de Inês Pereira
Flávio Dias / A Farsa de Inês Pereira
Genézio de Barros / A Farsa de Inês Pereira
Julinho Vicente / A Farsa de Inês Pereira
Maria do Carmo Soares / A Farsa de Inês Pereira
Maria Eugênia de Domênico / A Farsa de Inês Pereira
Noemi Gerbelli / A Farsa de Inês Pereira
Rosi Campos / Mãe de Inês
Rubens Brito / A Farsa de Inês Pereira

Obras 1

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Fontes de pesquisa 3

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  • Anuário de Teatro 1978. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1978.
  • FERNANDES, Sílvia. Grupos teatrais: aqnos 70. Campinas: Unicamp, 2000.
  • FUSER, Fausto. Esta ótima farsa merece ficar nos palcos. Última Hora, São Paulo, p. 11, 31 maio 1978.

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