Artigo da seção eventos Um Deus Dormiu Lá em Casa

Um Deus Dormiu Lá em Casa

Artigo da seção eventos
Teatro  
Data de inícioUm Deus Dormiu Lá em Casa: 13-12-1949
Local de realização: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Instituição de realização: Teatro Copacabana
Tipo do evento: espetaculo

O espetáculo, êxito de crítica e de público, projeta os atores Tônia Carrero e Paulo Autran e consagra o autor Guilherme Figueiredo e o diretor Silveira Sampaio.

A história cômica de Anfitrião é aproveitada por inúmeros dramaturgos, desde a Antigüidade, e o exemplar mais antigo que se conhece é de Plauto. O deus Júpiter, desejando possuir a mortal Alcmena, assume a identidade de seu marido, o general Anfitrião, e, na companhia de Mercúrio, por sua vez disfarçado de Sósia, o servo do general, entra na casa da mulher um dia antes de Anfitrião voltar da guerra. Na maioria dos textos, a chave de comicidade consiste na série de mal-entendidos provocados com a volta do verdadeiro general, principalmente em cenas como a do encontro entre o falso Sósia e o verdadeiro.

Em Um Deus Dormiu Lá em Casa, Guilherme Figueiredo modifica o enredo original ao eliminar as personagens Júpiter e Mercúrio: o espectador vê apenas Anfitrião, que, ao voltar da guerra, para testar a fidelidade de sua esposa, se apresenta a ela como a encarnação de Júpiter sob a aparência humana de Anfitrião. A comicidade é mantida pelo jogo de enganos: Anfitrião pensa que engana Alcmena, que, desde o início, percebe o estratagema do marido. Esta opção conduz a linguagem a uma perspectiva eminentemente realista, uma vez que os espectadores têm o mesmo ponto de vista de Alcmena, isto é, só vêem o que é humano.

Esse jogo, que na época era bastante inovador, é acompanhado também de outros elementos originais. Além da cenografia de Carlos Thiré, conhecido por sua atividade em pintura, os jovens atores surpreendem. Os críticos são unânimes em aplaudir texto, encenação e interpretação. Tônia Carrero e Paulo Autran recebem diplomas da Associação Brasileira de Críticos Teatrais - ABCT, como as revelações do ano, e Carlos Thiré como cenógrafo. A ABCT confere também medalhas de ouro ao autor e ao diretor. Para Brício de Abreu "aquela Alcmena, altiva, coquette, bela, 'apetitosa', criada pelo autor e movimentada com donaire e graça, encontrou na sra. Carrero uma intérprete que não só convenceu, mas obrigou-nos a admirá-la".1

O espetáculo obtém também grande êxito de público, ficando em cartaz, com casa cheia, por mais de dois meses. Segundo o crítico Gustavo Dória, em O Globo, "Fernando de Barros conseguiu fazer um espetáculo que, agradando a um determinado grupo mais vanguardista, digamos assim, agrada em cheio a qualquer platéia normal".2

A mesma dupla de protagonistas reedita o espetáculo em 1956, oito anos após a montagem original, agora pela Companhia Tônia-Celi-Autran - CTCA, com direção de Adolfo Celi.

Notas

1. ABREU, Brício de. Um deus dormiu lá em casa e a crítica. Sem referências. Arquivo Olavo de Barros em UM DEUS dormiu lá em casa (espetáculo adulto), CEDOC/ Funarte.

2. DÓRIA, Gustavo. Um deus dormiu lá em casa. O Globo, Rio de Janeiro, 14 dez. 1949.

Ficha Técnica do evento Um Deus Dormiu Lá em Casa:

Fontes de pesquisa (3)

  • ABREU, Brício de. Um deus dormiu lá em casa e a crítica. Sem referências. Arquivo Olavo de Barros em UM DEUS dormiu lá em casa (espetáculo adulto), CEDOC/ Funarte.
  • DÓRIA, Gustavo. Um deus dormiu lá em casa. O Globo, Rio de Janeiro, 14 dez. 1949.
  • UM DEUS DORMIU LÁ EM CASA (ANFITRIÃO). Direção Silveira Sampaio. Rio de Janeiro, 1949. 1 folder. Programa do espetáculo, apresentado no Teatro Copacabana em 1949.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • UM Deus Dormiu Lá em Casa. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento398258/um-deus-dormiu-la-em-casa>. Acesso em: 17 de Out. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7