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Teatro

Gimba

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.05.2016
17.04.1959 Brasil / São Paulo / São Paulo
Gimba, o Presidente dos Valentes, peça de Gianfrancesco Guarnieri é o primeiro grande sucesso de direção de Flávio Rangel, surpreendente êxito não apenas no Brasil como no exterior, quando da apresentação no Festival do Théâtre des Nations, em Paris, 1960.

Texto

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Histórico
Gimba, o Presidente dos Valentes, peça de Gianfrancesco Guarnieri é o primeiro grande sucesso de direção de Flávio Rangel, surpreendente êxito não apenas no Brasil como no exterior, quando da apresentação no Festival do Théâtre des Nations, em Paris, 1960.

Após o notável sucesso de Eles Não Usam Black-Tie no Teatro de Arena, em 1958, Gianfrancesco Guarnieri escreve seu segundo peça: Gimba, em 1959. Pela quantidade de personagens e pelas dificuldades de montagem - a ação se passa numa populosa favela carioca, com cenas de canto e dança - a realização cênica exige um grande palco. Sandro Polloni, produtor do Teatro Maria Della Costa - TMDC, interessa-se pelo texto e chama o jovem Flávio Rangel, para comandar a encenação, a segunda de sua carreira.

Gimba, o Presidente dos Valentes trata de personagens favelados, mas sem o matiz político do texto anterior. Descreve a dura realidade dos morros cariocas, dominados pelo jogo do bicho e por constantes batidas policiais, traçando um grande painel que introduz algo de exótico no realismo através das cenas de samba e gafieira, ao mesmo tempo que busca movimento e ação nas de grandes cenas coletivas, como a invasão policial ou as reuniões dos moradores.

Embora ainda inexperiente, Flávio Rangel obtém um verdadeiro trunfo artístico na condução de marcações complexas. A loura Maria Della Costa, caracterizada, como mulata Guiô, desempenha o papel principal, cantando e sambando com atores negros, especialmente recrutados em escolas de samba. A cenografia de Cyro Del Nero propicia grande apoio imagístico à criação do ambiente e a música de Jorge Kaszás introduz o colorido necessário ao empreendimento, ingredientes habilmente explorados pelo encenador.

O crítico Décio de Almeida Prado comenta sobre a estréia: "Do ponto de vista teatral, Guarnieri ainda é imaturo: muitas e muitas cenas isoladas são excelentes, as suas réplicas ferem justo, surpreendem e fazem rir pela acuidade da observação psicológica, mas falta-lhes ainda a técnica da construção, a arte do enredo, do desenvolvimento gradual das situações. [...] Como se explica, nesse caso, a poderosa força de sedução exercida pela peça, sedução que este crítico não nega e a que ficou sujeito, durante todo o espetáculo, não menos do que os seus entusiasmados companheiros de estréia? [...] O ambiente é o mesmo: as favelas do Rio de Janeiro. Mas as personagens, desta vez, são menos criaturas de carne e osso do que figuras míticas: o malandro de bom coração, puro dentro do crime como se fosse uma criança, a macumbeira, o delator, o menino que se inicia na carreira dos mais velhos quase contra a vontade, a prostituta por força das circunstâncias, etc. Acima e por detrás, iluminando toda a ação, o grande mito por excelência: o morro carioca, lugar estranho e cheio de sortilégio, onde o amor, o samba, a compreensão entre os homens e a alegria de viver redimem moralmente a pobreza. [...] Flávio Rangel assegurou com este trabalho, o segundo de sua vida profissional, um lugar na primeiríssima linha de nossos diretores, encenando com perfeição uma grande máquina teatral e dando magníficas oportunidades a um punhado de atores".1

Sandro Polloni, com tino empresarial, havia estreado com uma pauta bastante definida de apresentações: a temporada paulista; uma curta temporada no Rio de Janeiro, que volta a consagrar a companhia, e uma excursão à Europa, que incluiu Lisboa, Roma e a triunfal consagração obtida no Festival do Théâtre des Nations, onde Gimba obtém o prêmio do júri popular, confirmando seu irresistível apelo junto às plateias.

A montagem abre novos caminhos para Flávio Rangel e Gianfrancesco Guarnieri: um ano depois, em 1960, juntam-se novamente para apresentar no Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, mais uma peça de Guarnieri: A Semente.

Notas
1 PRADO, Décio de Almeida. Teatro em progresso. São Paulo: Martins, 1964. p. 124-126.

Ficha Técnica

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Autoria
Gianfrancesco Guarnieri

Direção
Flávio Rangel

Direção (assistente)
Benjamin Cattan

Cenografia
Tulio Costa

Figurino
Malgari Costa

Trilha sonora
Jorge Kaszás

Coreografia
Edson de Souza

Elenco
Altamiro Martins / Gimba
Batista de Oliveira / Gimba
Benjamin Cattan / Gimba
Celeste Lima / Gimba
Edson de Souza / Gimba
Eugênio Kusnet / Gimba
Frederico Santana / Gimba
Gianfrancesco Guarnieri / Gimba
Hilton Vianna / Gimba
Ilema de Castro / Gimba
Ivan de Paula / Gimba
Jacyra Costa / Gimba
Jorge Vieira / Gimba
Maria Della Costa / Gimba
Oswaldo Louzada / Gimba
Paulo Pinheiro / Gimba
Raul Martins / Gimba
Regis Fioravante / Gimba
Ruthinéa de Moraes / Gimba
Sadi Cabral / Gimba
Sebastião Campos / Gimba
Tonio Savino / Gimba
Victor Jamil / Gimba
William Ricardi / Gimba

Produção
Danilo Bastos
Sandro Polloni

Fontes de pesquisa 5

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  • GIMBA. Direção Flávio Rangel. São Paulo, 1959. 1 folder. Programa do espetáculo, apresentado no Teatro Maria Della Costa em abril de 1959.
  • PRADO, Décio de Almeida. Peças, pessoas, personagens: o teatro brasileiro de Procópio Ferreira a Cacilda Becker. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
  • PRADO, Décio de Almeida. Teatro em progresso: crítica teatral, 1955-1964. São Paulo: Martins, 1964.
  • SILVA, Tânia Brandão da. Peripécias modernas: companhia Maria Della Costa. 1998. 204 p. Tese (Doutorado em História da Arte) - Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998.
  • SIQUEIRA, José Rubens. Viver de teatro: uma biografia de Flávio Rangel. São Paulo: Nova Alexandria, 1995.

Como citar

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