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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Arlequim, Servidor de Dois Amos

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.01.2017
09.03.1949 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro – Teatro Ginástico
Registro fotográfico autoria desconhecida

Arlequim Servidor de Dois Amos, 1949
Acervo Cedoc/FUNARTE

Encenação do Teatro dos Doze - equipe que se forma a partir do Teatro do Estudante do Brasil (TEB) - com direção de Ruggero Jacobbi (1920-1981), e Sergio Cardoso (1925-1973) no papel de Arlequim.

Texto

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Histórico

Encenação do Teatro dos Doze - equipe que se forma a partir do Teatro do Estudante do Brasil (TEB) - com direção de Ruggero Jacobbi (1920-1981), e Sergio Cardoso (1925-1973) no papel de Arlequim.

O Teatro dos Doze tem vida efêmera. Estréia, em 1949, com uma remontagem do Hamlet criada para o TEB; logo em seguida produz Arlequim, Servidor de Dois Amos, de Carlo Goldoni; Tragédia em New York, de Maxwell Anderson, e o infantil Simbita e o Dragão, de Lúcia Benedetti.

A equipe, sob o comando do diretor alemão Hoffmann Harnish e do diretor italiano Ruggero Jacobbi, inclui: Sergio Cardoso, Jaime Barcelos, Sergio Britto (1923-2011), Luiz Linhares, Elísio de Albuquerque, Carlos Couto, Zilah Maria, Beyla Genauer.

O texto foi escrito por Carlo Goldoni em 1745, respeitando o esquema tradicional da commedia dell'arte e pondo em cena os personagens habituais do gênero. O primeiro ator encarregado do papel de Arlequim foi Antonio Sacchi, que tinha liberdade total de improvisação. Só quando o ator deixou de representar, e não tendo sido encontrado substituto à altura, Goldini redigiu completamente o papel do criado que se vê envolvido em uma série de trapalhadas por ter aceitado servir simultaneamente a dois patrões, no intuito de conseguir ganhar um pouco mais e, sobretudo, de garantir as refeições, que, ao longo da comédia, jamais consegue realizar. Arlequim é um personagem astuto, ágil, capaz de tiradas extremamente maliciosas e inteligentes para safar-se das confusões em que se envolve.

Ruggero assina também os cenários e os figurinos, criando uma atmosfera harmônica e cheia de vida, seguindo a idéia dominante nos pequenos teatri stabili (teatros estáveis), de aliar a qualidade de um clássico ao sabor popular. Inicialmente, o encenador encontra dificuldades junto ao elenco, para fazê-lo, incorporar um gestual tipicamente popular que lembra nos arquétipos da commedia dell'arte - "os espiritozinhos nacionais do moleque negro, do saci-pererê, do dançarino grotesco índio, do carioca carnavalesco", como afirmará muitos anos depois".1

Sobre o trabalho de Jacobbi na direção dos atores, Sergio Britto observa: "Nós éramos um grupo de atores muito inexperientes; nós tínhamos saído de um espetáculo ou dois e estávamos fazendo Goldoni, que exigia uma elegância de gesto. Ele embutia isso na gente com muito sacrifício, lógico. Então, nós não sabíamos muito ainda, mas havia, não há dúvida de que havia, uma elegância de gestos, de atitudes, que foi ele que colocou na gente. Quando eu digo que ele era um literato e tudo, não quer dizer que ele não fazia nada de teatro; não vamos chegar a esse extremo, o que eu digo é que ele era antes de tudo aquele que explicava, dizia: 'Esse gesto é assim'. Eu me lembro até do Ruggero fazendo certos gestos, mas quem captou todos foi o Sergio Cardoso, que era um Arlequim extraordinário".2

E sobre a atuação de Sergio Cardoso comenta: "Ensaiamos duzentas vezes a famosa cena do jantar, em que o Arlequim tem que servir aos dois patrões. Olha, o Sergio fez malabarismos! Não sei como ele conseguiu fazer aquela cena! (...) Mas o Sergio era muito bom (...) Foi um grande sucesso (...) realmente mostrava o ator que ele era!" 3

A produção destaca, além de Sergio Cardoso, os atores Sergio Britto, Jaime Barcelos e Elísio de Albuquerque, considerados excepcionais em suas criações.

Arlequim, Servidor de Dois Amos é uma encenação tão bem-sucedida, que incita o empresário Franco Zampari (1898-1966) a atrair Jaccobi para o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), no intuito de que ele dirija outro Goldoni, O Mentiroso, montagem que vai à cena no mesmo ano, com mais uma interpretação marcante de Sergio Cardoso.

Notas

1. JACOBBI, Ruggero. Meditazioni su un mito e su biografia. Le Rondini di Spoleto. In: OLIVEIRA, Berenice Albuquerque Raulino de. Ruggero Jacobbi: uma presença italiana no teatro brasileiro. 2000. 293 p. Tese (Doutorado em Artes Cênicas)-Escola de Comunicações e Artes. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000. p. 63.

2. BRITTO, Sergio. Entrevista concedida a Berenice Raulino em 31 de janeiro de 1998. In: OLIVEIRA, Berenice Albuquerque Raulino de. Ruggero Jacobbi: uma presença italiana no teatro brasileiro. 2000. 293 p. Tese (Doutorado em Artes Cênicas)-Escola de Comunicações e Artes. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.

3. BRITTO, Sergio. Entrevista. Folhetim, Rio de Janeiro, n. 25, jan-jun 2007, p.107. Entrevista concedida à Fátima Saadi e Antonio Guedes.

Ficha Técnica

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Autoria
Carlo Goldoni

Tradução
Carla Civelli

Direção
Ruggero Jacobbi

Cenografia
Ruggero Jacobbi

Figurino
Ruggero Jacobbi

Trilha sonora
Renzo Massarani

Elenco
Beyla Genauer / Arlequim, Servidor de Dois Amos
Elísio de Albuquerque / Doutor Lombardi
Jaime Barcelos / Arlequim, Servidor de Dois Amos
Luiz Linhares / Arlequim, Servidor de Dois Amos
Rejane Ribeiro / Arlequim, Servidor de Dois Amos
Sergio Britto / Arlequim, Servidor de Dois Amos
Sergio Cardoso / Arlequim, Servidor de Dois Amos
Tarciso Zanotta / Arlequim, Servidor de Dois Amos
Wilson Grey / Arlequim, Servidor de Dois Amos
Zilah Maria / Arlequim, Servidor de Dois Amos

Obras 2

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Fontes de pesquisa 4

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  • BRITTO, Sergio. Entrevista. Folhetim, Rio de Janeiro, n. 25, jan-jun 2007, p. 102-134.
  • BRITTO, Sérgio. Fábrica de ilusão: 50 anos de teatro. Rio de Janeiro: Funarte, 1996. 260 p.
  • GUZIK, Alberto. TBC: crônica de um sonho. São Paulo: Perspectiva, 1984.
  • OLIVEIRA, Berenice Albuquerque Raulino de. Ruggero Jacobbi: uma presença italiana no teatro brasileiro. 2000. 293 p. Tese (Doutorado em Artes Cênicas)-Escola de Comunicações e Artes. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.

Como citar

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