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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Brincante

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 17.01.2017
10.08.1992 Brasil / São Paulo / São Paulo – Teatro Hilton
Registro fotográfico Ary Brandi

Brincante, 1992
Ary Brandi
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Espetáculo concebido a partir da pesquisa pessoal de Antonio Nóbrega (1952), estruturado sobre a recriação de narrativas do romanceiro popular nordestino, tendo como personagem condutora da ação o brincante Tonheta, um herói picaresco do Brasil.

Texto

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Histórico
Espetáculo concebido a partir da pesquisa pessoal de Antonio Nóbrega (1952), estruturado sobre a recriação de narrativas do romanceiro popular nordestino, tendo como personagem condutora da ação o brincante Tonheta, um herói picaresco do Brasil.

O termo brincante designa, no Nordeste, os artistas populares dedicados aos folguedos tradicionais; onde podem cantar, dançar, tocar instrumentos, etc. Após a idealização de Tonheta, Antônio Nóbrega o explora em alguns espetáculos, mostrando toda sua versatilidade como artista multifacetado.

A realização de Brincante é de 1992, após Figural e O Reino do Meio Dia, espetáculos solos que catapultam o intérprete no Brasil e no exterior. Nele, Nóbrega e sua mulher Rosane Almeida interpretam dois atores ambulantes. Em meio às histórias nas quais se enreda a extrovertida personagem, o casal encontra tempo e espaço para cenas de idílio, briga, desafio, podendo explorar longamente o canto, as habilidades com diversos instrumentos, as danças, a comicidade peculiar das ruas e praças.

A direção de Romero de Andrade Lima (1957) é fiel à poética "armorial" de Ariano Suassuna (1927-2014), seu tio, mantendo o ritmo inquieto e pulsante da realização. A cenografia é concebida a partir de uma carroça, coberta de panos, objetos, fotografias, adereços múltiplos, possibilitando a criação dos diversos ambientes exigidos pela fábula. O texto de Bráulio Tavares, juntando histórias e propiciando entreatos variados, ajusta-se como uma luva à expressividade dos artistas.

Nos comentários do jornalista Álvaro Machado, "a carreira de Antônio Nóbrega como continuador de uma expressão teatral autenticamente brasileira toma contornos exemplares com Brincante, seu último espetáculo. [...] Agora empresta a mesma importância à parte plástica do espetáculo, com cenários e figurinos do artista Romero de Andrade Lima, 'cria', como Nóbrega, do Movimento Armorial de Ariano Suassuna. A beleza e informação contidas em objetos iconográficos como a carroça de andarilho do anti-herói Tonheta são um dos trunfos da montagem. [...] Tonheta, personagem picaresco que alcança a indagação metafísica, emociona ainda por recuperar para a cena paulista uma tradição de teatro de alma brasileira quase sepultada depois da década de 70".1

O espetáculo, ao longo de sua temporada paulista, abre as portas de um importante espaço teatral paulistano, o Teatro Brincante, lugar e ambiente de criação e apresentações da família Nóbrega, como também escola para formadores - brincantes, e centro cultural promotor de Encontros e Mostras voltados para a difusão e fomento da cultura brasileira.

Notas
1. MACHADO, Álvaro. Brincante retoma alma do teatro brasileiro. Folha de S.Paulo, São Paulo, 31 ago. 1992. Ilustrada, p. 5-4.

Ficha Técnica

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Obras 1

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Fontes de pesquisa 5

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  • DIAS, Mauro. Instrumentos ajudam a entender a história de um povo. O Estado de S. Paulo, 3 jul.1998. Caderno 2, p.D9.
  • HONOR, Rosângela. Aventuras picarescas. Jornal da Tarde, São Paulo, 11 ago.1992. p.18.
  • HONOR, Rosângela. Novas bravatas de Tonheta. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 25 jun.1994. Caderno 2, p.2.
  • MACHADO, Álvaro. "Brincante" retoma alma do teatro brasileiro. Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 ago. 1992. Ilustrada, p. 5-4.
  • PEREIRA, Maria Lúcia. "Antonio Nóbrega, a cara do Brasil", entrevista em Sete Palcos, Cena Lusófona, nº 3, setembro de 1998, p. 59-65.

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