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Teatro

A Bao A Qu - Um Lance de Dados

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.07.2015
09.07.1990 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro – Espaço Cultural Sérgio Porto
O espetáculo, construído sobre o tema da invenção artística, lança a Cia dos Atores, sob a direção de Enrique Diaz (1967), unindo experimentação cênica e comunicabilidade.

Texto

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Histórico
O espetáculo, construído sobre o tema da invenção artística, lança a Cia dos Atores, sob a direção de Enrique Diaz (1967), unindo experimentação cênica e comunicabilidade.

Sem um texto nem propriamente uma história para contar, o espetáculo é concebido como uma parábola da criação artística, baseada nas obras de Jorge Luis Borges, Livros dos Seres Imaginários, e de Malarmé, Um Lance de Dados. O diretor Enrique Diaz parte da pesquisa das possibilidades narrativas não verbais para criar associações livres e sem sentido fechado. Com uma língua inventada e uma linguagem corporal que lembra um desenho animado, o roteiro propõe situações dramáticas, sem um fio condutor, a não ser a possibilidade de tudo ali emanar da imaginação de um escritor. A narrativa é demarcada pela fluência rítmica e não pela ação. A distribuição de tapadeiras no palco possibilita a agilidade das marcações. O espetáculo se assume, desta forma, como uma brincadeira teatral, uma investigação cênica sem nada a perseguir a não ser o interesse em si mesmo e na fluência do espectador.

Resultado da pesquisa e da experimentação desenvolvidas na sala de ensaio, A Bau A Qu se torna um espetáculo cult, com filas na porta embora não faça nenhuma publicidade. Na temporada paulista a crítica percebe, na linguagem proposta pelo grupo, uma genuína inquietação estética - e confere ao espetáculo o Prêmio Molière de 1991.

O crítico Jefferson Del Rios (1943) descreve: "O espetáculo não tem quase nada a dizer. É a sua audácia e o seu limite. Quer deixar sensações poéticas e divertidas. (...) as personagens de A Bau A Qu executam uma maratona de idas e vindas, montagens e desmontagens de pilhas de tijolos e jogos variados com pneus e guarda-chuvas. Eles se atrapalham e se exaltam dentro de uma engraçada incomunicabilidade (...). As cenas são estruturadas com agilidade e de forma ultradetalhista. O preciosismo mandaria falar de minimalismo, mas talvez seja melhor recordar equilibristas e palhaços".1

No Rio de Janeiro, o crítico Macksen Luiz (1945), identificando uma linguagem feita de "imagens abstratas que decompõem a veracidade das situações", considera que a habilidade do diretor é "dar solidez cênica a pouco mais que um balé de idéias esparsas". Segundo ele:

"Praticamente sem palavras (há uma babel de línguas que lembram levemente o som de idiomas conhecidos), a única frase dita durante toda a encenação é 'um lance de dados jamais abolirá o acaso'. O espetáculo se constrói sobre essa possibilidade do acaso, da sua interferência sobre o fluxo da racionalidade. São casais que se desentendem, movimentos que reproduzem a neurose urbana e gestos que supõem conflito de sentimentos. Tudo sob a égide do processo de criação".2

Notas
1. RIOS, Jefferson del. 'A Bao A Qu', uma versão requintada do besteirol. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 abr. 1991.
2. LUIZ, Macksen. Balé de idéias soltas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, jul. 1990.

Ficha Técnica

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Autoria
Enrique Diaz

Direção
Enrique Diaz (Prêmio Molière)

Direção (assistente)
Eleonora Fabião

Cenografia
Drica Moraes
Paula Joory

Adereço
Beli Araújo

Figurino
Drica Moraes
Marcelo Olinto

Iluminação
Luiz Paulo Nenen

Maquiagem
Walter do Valle

Direção musical
Carlos Cardoso

Trilha sonora
Carlos Cardoso

Direção corporal
Lucia Aratanha

Preparação corporal
Lucia Aratanha

Elenco
Alexandre Akerman
André Barros
Anna Cotrim
Bel Garcia
César Augusto
Gustavo Gasparani
Marcelo Olinto
Marcelo Valle
Susana Ribeiro

Direção de produção
Enrique Diaz
Marcelo Valle
Susana Ribeiro

Produção executiva
César Augusto
Débora Guimarães

Fotografia
Dirce Moraes
Levindo

Como citar

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