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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

A Construção

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.07.2015
25.06.1969 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ)
Registro fotográfico autoria desconhecida

A Construção, 1968
Acervo Cedoc/FUNARTE

Segundo espetáculo do grupo A Comunidade, A Construção concentra as propostas estéticas do diretor Amir Haddad (1937), que se dedica à pesquisa de uma nova forma de estruturar o espetáculo teatral, fundindo palco e platéia, buscando uma interação entre atores e espectadores.

Texto

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Histórico
Segundo espetáculo do grupo A Comunidade, A Construção concentra as propostas estéticas do diretor Amir Haddad (1937), que se dedica à pesquisa de uma nova forma de estruturar o espetáculo teatral, fundindo palco e platéia, buscando uma interação entre atores e espectadores.

O ponto de partida do espetáculo é a peça de Altimar Pimentel (1936-2008), que trata das manifestações de religiosidade e fé em Juazeiro do Norte, Ceará, cidade de Padre Cícero. Mas o texto é trabalhado com base na simultaneidade das cenas, num processo de desconstrução da dramaturgia tradicional, como explica o próprio diretor: "Durante a ditadura encenei um espetáculo chamado A Construção. Com ele posso dizer que comecei o trabalho do que chamo de desconstrução da dramaturgia, que era muito apegada ao século 19, e da burguesia protestante. A desconstrução é desmontar a estrutura da dramaturgia tradicional para espaços abertos, com uma visão ampla de mundo e não para uma parcela como é o caso do teatro do realismo burguês".1

No processo de criação do espetáculo, Amir Haddad pesquisa com o grupo o trabalho do ator a partir de estímulos momentâneos propondo a vivência como princípio essencial. O diretor tem como objetivo o que ele chama de "teatro da verdade" e orienta os atores a só fazer aquilo que realmente sentem. Segundo a atriz Jacqueline Laurence (1932), "a gente procurava sentir o que era necessário fazer no momento, de acordo com o que estava acontecendo. Improvisávamos sobre um tema, por exemplo, sobre um trecho da peça. E as coisas iam acontecendo e cada um ia pegando do outro, tentando sentir os estímulos que vinham dos companheiros e trabalhando sobre isso".2

Na Tribuna da Imprensa, Philomena Gebran descreve a encenação: "Cartazes imensos, rádio tocando, passarelas chicoteadas, vozes em pregões, vozes em orações, vozes que cantam, gritam, levantam-se na sala, misturando-se [...] entre os passos aflitos do público que corre atordoado à procura de um lugar. [...]  um mundo caótico, onde se afogam beatos, políticos, Deus, pátria, família, santos, sexo, homens, mulheres, crianças, máquinas, tudo engolido pelo terrível poder do mundo moderno: a propaganda. ´[...] Marcação precisa, coreografia exata, gesticulação enxuta, vozes firmes, imensa força de expressão corporal e fisionômica marcam a dinâmica do espetáculo. [...] Há uma fúria incontrolável no olhar de todos aqueles personagens que passeiam em nossa frente em permanente sussurro, ou na força daqueles corpos que arrastam pelo chão nervos e membros, perdidos em pânico, desintegrando insatisfação, ou que gritam desvairados, do alto dos estrados [...]. Há [...] uma dinâmica de tal grandeza no elenco que ele se multiplica diante do nosso olhar, dando-nos a impressão não de vinte personagens mas de toda uma multidão de romeiros que se contorcem no pátio dos milagres. Amir Haddad constrói seu espetáculo pela destruição. Demole, desintegra, fragmenta, deforma, movimenta e cria a mais complexa forma cênica. [...] O diretor executa sua revolução estilística e constrói o mais belo espetáculo expressionista dos últimos tempos no Brasil".3

Notas
1 HADDAD, Amir. Entrevista concedida no site Bafafá on line. Rio de Janeiro, 12 abr. 2008. Disponível em: http://www.bafafa.com.br/noticias.asp?cod_categoria=6&cod_subcategoria=0&cod_noticia=1672. Acesso em: 19 jun. 2008.
2 LAURENCE, Jacqueline. Entrevista concedida a Tânia Brandão, 29 jul. 1981. In: CARVALHO, Joel. Rio de Janeiro: CEDOC / Funarte. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
3 GEBRAN, Philomena. A construção: retrato da histeria religiosa. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 9 jul. 1969.

Ficha Técnica

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Obras 1

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Fontes de pesquisa 2

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  • A CONSTRUÇÃO. Direção Amir Haddad. Rio de Janeiro, 1969. 1 folder. Programa do espetáculo, no Museu de Arte Moderna em junho de 1969.
  • A CONSTRUÇÃO. Rio de Janeiro: CEDOC / Funarte. Dossiê Espetáculos Teatro Adulto.

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