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Teatro

A Morte de um Caixeiro Viajante

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.10.2015
07.08.2003 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro – Teatro João Caetano
A encenação de Felipe Hirsch (1972), para a peça de Arthur Miller (1915-2005), alia a experimentação visual do diretor com o valor da palavra. Destacam-se no espetáculo a cenografia de Daniela Thomas (1959) e o entrosamento entre os atores Marco Nanini (1948) e Juliana Carneiro da Cunha (1949).

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Histórico

A encenação de Felipe Hirsch (1972), para a peça de Arthur Miller (1915-2005), alia a experimentação visual do diretor com o valor da palavra. Destacam-se no espetáculo a cenografia de Daniela Thomas (1959) e o entrosamento entre os atores Marco Nanini (1948) e Juliana Carneiro da Cunha (1949).

Nanini trabalha com Hirsch pela primeira vez em 2002, no provocativo espetáculo Os Solitários, de Nicky Silver. Agora, veste o paletó de Willy Loman, papel que já foi defendido por atores como Jaime Costa (1897-1967) e Paulo Autran (1922-2007). A personagem protagonista é um pai de família que encerra em sua história pessoal a bancarrota do sonho de parte da classe média norte-americana no final dos anos 1940, no pós-guerra.

No início do século XXI, a obra provoca ainda mais estilhaços, devido ao sentimento antiamericano mundo afora. No entanto, as contradições morais e o fracasso material do vendedor Willy Loman dizem hoje mais sobre sua condição humana e menos sobre leituras ideológicas. A dimensão trágica está impressa na trajetória de um iludido cidadão comum.

Loman está com 60 e poucos anos. Ele quer trocar a vida de caixeiro-viajante por alguma estabilidade. A profissão perde o prestígio nas primeiras décadas do século XX, quando todos buscam o sonho americano de sucesso a qualquer custo. A realidade muda. Não é mais possível manipulá-la como Loman sempre fizera, adaptando-a conforme os seus anseios, os da mulher Laura (interpretada por Juliana Carneiro da Cunha) e os dos filhos Biff e Happy, também vítimas da irrealidade cotidiana.

Ao longo de 'dois atos e um réquiem', Arthur Miller desconstrói Loman e também a estrutura dramática convencional. O autor rompe a linearidade narrativa e instaura a fragmentação da memória. Não existem 'muros' de tempo e ação; os flashbacks são evocados pelo protagonista em consonância com o presente que avança para um desfecho fatal.

Hirsch concebe o espetáculo como se as últimas 24 horas de Loman se passassem num átimo de segundo ante a morte anunciada do velho caixeiro. Apesar de escrito há mais de meio século, o texto de Miller se encaixa como uma luva nas pesquisas cênica e dramatúrgica do encenador e da Sutil Companhia de Teatro em torno de peças nas quais a memória é o fio condutor.

A tradução utilizada é a de Flávio Rangel (1934-1988), feita nos anos 1960 e dirigida por ele em duas ocasiões, 1962 e 1977.

A atuação de Juliana Carneiro da Cunha constitui rara oportunidade de vê-la em palcos brasileiros. Desde 1990, ela pertence ao Théâtre du Soleil, grupo da encenadora Ariane Mnouchkine com sede em Paris. Juliana Carneiro e Marco Nanini não contracenavam desde 1984, quando protagonizaram Mão na Luva, drama conjugal de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), o Vianinha, com direção de Aderbal Freire-Filho (1941).

Sobre o reencontro, o crítico Alberto Guzik (1944-2010) anota: "(...) nos papéis centrais, Marco Nanini e Juliana Carneiro da Cunha transformam esse espetáculo em uma aula de teatro. Nanini desenha Willy com minúcias de ourives. Consegue pôr em cena o tipo sonhador e insignificante que Arthur Miller imaginou. Em sua atuação, o intérprete captura a grandiosidade dos pequenos. (...) Juliana Carneiro da Cunha, por sua vez, projeta Linda Loman para as alturas. Atriz consumada, dona de presença cênica gigantesca, Juliana leva Linda a crescer, na mesma proporção em que Willy encolhe. Essa grande artista mostra cada frincha, cada brecha de sensação que Linda atravessa em seu difícil percurso. Sua interpretação pega o espectador de assalto e vai ao longo da ação ampliando a estatura da personagem, alargando os horizontes dessa pobre mulher desiludida que, essa sim, faz frente à situação com a bravura, a grandeza e a energia de uma heroína da tragédia grega. A voz poderosa de Juliana, sua intensidade, seu olhar vibrante hão de permanecer por longo tempo na memória do espectador deste trabalho, que no todo e por direito próprio, é memorável".1

Notas

1. GUZIK, Alberto. In: Aplauso Brasil. São Paulo: Portal iG, 2003.

Ficha Técnica

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Autoria
Arthur Miller

Tradução
Flávio Rangel
Ursula de Almeida Rego Migon

Direção
Felipe Hirsch

Direção (assistente)
Erica Migon

Cenografia
Daniela Thomas

Cenografia (assistente)
Patricia Rabbat

Figurino
Daniela Thomas
Rita Murtinho

Figurino (assistente)
Gabriela Mourato

Iluminação
Beto Bruel
Daniele Régis

Trilha sonora
L. A. Ferreira
Rodrigo Del Rei

Coreografia
Juliana Carneiro da Cunha

Elenco
Ana Kutner / Letta
Analu Prestes / A Mulher
Bruce Gomlevsky / A Morte de um Caixeiro Viajante
Dora Pellegrino / A Morte de um Caixeiro Viajante
Francisco Milani / A Morte de um Caixeiro Viajante
Gabriel Braga Nunes / A Morte de um Caixeiro Viajante
Guilherme Weber / A Morte de um Caixeiro Viajante
Juliana Carneiro da Cunha / A Morte de um Caixeiro Viajante
Marco Nanini / A Morte de um Caixeiro Viajante
Paulo Alves / A Morte de um Caixeiro Viajante
Pedro Bricio / A Morte de um Caixeiro Viajante
Rubens Caribé / A Morte de um Caixeiro Viajante
Sylvi Laila / A Morte de um Caixeiro Viajante

Produção
Marco Nanini

Fontes de pesquisa 2

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  • A MORTE de um Caixeiro Viajante. Programa do espetáculo. Rio de Janeiro, 2003.
  • GUZIK, Alberto. In: Aplauso Brasil. São Paulo: Portal iG, 2003.

Como citar

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Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: