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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Apocalipse 1,11

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.01.2016
14.01.2000 Brasil / São Paulo / São Paulo – Presídio do Hipódromo
Registro fotográfico Sérgio K/Studio K

Apocalipse 1,11, 2000
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Montagem conduzida pelo encenador Antônio Araújo com o grupo Teatro da Vertigem, dramaturgia de Fernando Bonassi inspirado no Apocalipse, de São João, último episódio do livro bíblico.

Texto

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Histórico

Montagem conduzida pelo encenador Antônio Araújo com o grupo Teatro da Vertigem, dramaturgia de Fernando Bonassi inspirado no Apocalipse, de São João, último episódio do livro bíblico.

A realização fecha, segundo o grupo, um ciclo: a finalização de uma trilogia envolvida com os temas bíblicos, cujas duas primeiras partes são Paraíso Perdido, de Sérgio de Carvalho, e O Livro de Jó, de Luis Alberto de Abreu, encenadas em 1992 e 1995.

Como nas realizações anteriores, Apocalipse 1,11 nasce após extenso período de pesquisas de linguagem cênica e a partir de um processo colaborativo com os atores no engendramento da dramaturgia, assinada por Fernando Bonassi. Ao invés de concentrar-se diretamente nas imagens grandiloqüentes do original, o espetáculo privilegia a trajetória de João, transformado em retirante nordestino que aporta em Babilônia, a cidade de todos os vícios.

Esse uso alegórico da temática e das criaturas vai possibilitar a mobilização de um extenso repertório de citações, referências e remissões a obras plásticas, situações culturais arquetípicas, músicas, cenários e ambientes. O uso do espaço cênico, como marca da equipe, é aqui também um elemento importante. Para essa realização busca-se um presídio, angustiante metáfora do fim dos tempos.

A estrutura formal da encenação encontra, nos diversos ambientes propiciados pela arquitetura, usos diferenciados e surpreendentes. A primeira cena, a anunciação dos tempos do fim pelo Anjo, é situada numa apertada saleta de entrada, onde os espectadores amontoam-se uns sobre os outros. A segunda grande seqüência, num andar superior, evoca o templo/salão de festas de todos os desregramentos: um grande show de horrores, conduzido por Babilônia e a Besta, onde se misturam desde referências a programas de TV até missas - negras ou não - recheadas por crimes e vilezas de diversos quilates.

Na seqüência, outro convite ao horror, quando o espectador deve cruzar um corredor escuro e ouve gritos de morte, provindos das celas laterais, em alusão ao massacre do Carandiru. O final da encenação, a grande cena dos julgamentos, é efetuado num amplo pátio rodeado de celas, onde a morte, a destruição, as imagens desoladas de João e Cristo compõem um quadro sinistro e horripilante.

No elenco destacam-se Vanderlei Bernardino, como João; Roberto Audio, como a Besta e Senhor Morto; Mariana Lima, como Babilônia; Sergio Siviero, como o Juiz; e Miriam Rinaldi, como a Noiva; e Luis Miranda como o Pastor Alemão. Importante papel é reservado aos efeitos de luz, criados especialmente pelo light-designer Guilherme Bonfanti e as ambientações cênicas, desenvolvidas por Marcos Pedroso.

No comentário da crítica Mariângela Alves de Lima, "A primeira metáfora desse nó inextrincável é o presídio, lugar onde se aloja a encenação. Concreto e real, é também símbolo da Babilônia moderna, lugar onde silenciou a harpa, não se ouve mais o canto do moinho nem a voz do marido e da mulher. É onde desejaríamos circunscrever o mal e é, portanto, o lugar escolhido para mostrar como o que está dentro se parece com o que está fora. O desacordo com a função judicativa do texto original está também visível nas falas dos personagens. Em grande parte desorientam e escarnecem do sentido unívoco das afirmações. As mensagens que deveriam chegar de um mundo transcendente são, nesse espetáculo, ordenações burocráticas de autoridades terrenas que não sabem mais o que falar e o que fazer. Só as manifestações blasfemas das duas alegorias, a Besta e a Babilônia, têm a credibilidade indiscutível do mau gosto e do deboche dos meios de comunicação de massa. Há muitas coisas intrigantes e belas nessa premeditada confusão de final de tudo. Os palhaços eximindo-se de participar, o melancólico e gigantesco coelho e a inocência personificada por uma mulher de branco sugerem o estado alucinatório que propicia as revelações. Mas há também cenas pungentes pelo tratamento hiper-realista, nas quais reconhecemos fragmentos da nossa experiência cotidiana. É extraordinária, nesse sentido, a cena em que um homem negro é humilhado".1

Notas

1. LIMA, Mariângela Alves de. O intrigante e pungente 'Apocalipse 1,11'. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 21 jan. 2000. Caderno 2, p. E-2.

 

Ficha Técnica

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Tradução
Meire Lima

Dramaturgia
Celso Cruz / Apocalipse 1,11
Fernando Bonassi
Lucienne Guedes

Concepção
Antônio Araujo

Direção
Antônio Araujo

Direção (assistente)
André Bortolanza / Apocalipse 1,11
Glaucia Felipe
Marcos Bulhões
Péricles Raggio / Apocalipse 1,11
Silvana Barbosa / Apocalipse 1,11
Simone Shuba / Apocalipse 1,11
Stella Marini / Apocalipse 1,11
Stella Marini
Verenna Gorostiaga / Apocalipse 1,11

Direção de cena
Eliana Monteiro
Stella Marini / Apocalipse 1,11
Verenna Gorostiaga / Apocalipse 1,11

Cenografia
Marcos Pedroso

Cenografia (assistente)
Frank Dezeuxis

Cenotécnica
Vinicius Simões

Figurino
Fábio Namatame

Iluminação
Guilherme Bonfanti

Operação de luz
Cláudio Gutierrez / Apocalipse 1,11
Fernando Carvalho / Apocalipse 1,11
Luciana Facchini / Apocalipse 1,11
Luciano Jesus Mendes

Direção musical
Laércio Resende

Trilha sonora
Laércio Resende

Música
Kako Guirado / Apocalipse 1,11

Operação de som
Cláudio Gutierrez
Luciano Jesus Mendes

Preparação corporal
Alexandre Gusmão / Apocalipse 1,11
Ana Neves / Apocalipse 1,11
Ariela Goldmann / Apocalipse 1,11
Cláudia Wonder / Apocalipse 1,11
Janja / Apocalipse 1,11
Neno Andrade / Apocalipse 1,11
Polaca / Apocalipse 1,11
Sérgio Resende / Apocalipse 1,11
Simone Shuba / Apocalipse 1,11

Preparação vocal
Mônica Montenegro

Elenco
Alexandre Russin / Apocalipse 1,11
Déborah Serretiello / Apocalipse 1,11
Eduardo Avelino / Apocalipse 1,11
Joelson Medeiros / Apocalipse 1,11
Kleber Vallim / Apocalipse 1,11
Luciana Schwinden / Apocalipse 1,11
Luís Miranda / Apocalipse 1,11
Marçal Costa / Apocalipse 1,11
Mariana Lima / Apocalipse 1,11
Miriam Rinaldi / Apocalipse 1,11
Pedro Vieira / Apocalipse 1,11
Roberto Audio / Apocalipse 1,11
Sérgio Siviero / Apocalipse 1,11
Tales Penteado / Apocalipse 1,11
Vanderlei Bernardino / Apocalipse 1,11

Participação especial
Aline Arantes / Apocalipse 1,11
Amanda Viana / Apocalipse 1,11
Wagner Viana / Apocalipse 1,11

Direção de produção
Fernanda Signorini

Produção
Fernanda Signorini
Guilles Chaissing / Apocalipse 1,11

Produção executiva
Paulo Farias
Roberta Koyama

Fotografia
Claudia Calabi / Apocalipse 1,11
Cláudia Garcia
João Wainer
Lenise Pinheiro
Luciana Facchini
Marisa Bentivegna
Renato Chauí

Contrarregra
Stella Marini
Zan Martins

Obras 1

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Fontes de pesquisa 11

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  • ARAÚJO, Antônio. Fim do milênio mistura terror e utopia. Sala Preta - Revista do Departamento de Artes Cênicas da USP, São Paulo, n.1, p.11, 2001.
  • CALDAS, João ; BONASSI, Fernando. Imagens do Apocalipse. Sala Preta - Revista do Departamento de Artes Cênicas da USP, São Paulo, n. 1, p. 135-162, 2001.
  • DOSSIÊ Apocalipse. Sala Preta - Revista do Departamento de Artes Cênicas da USP, São Paulo, n. 1, p. 115-116, 2001.
  • GARCIA, Silvana. 'Apocalipse 1,11': a redenção pelo teatro. Sala Preta - Revista do Departamento de Artes Cênicas da USP, São Paulo, n. 1, p. 119-121, 2001.
  • LIMA, Mariângela. O intrigante e pungente 'Apocalipse 1,11'. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 21 jan. 2000. Caderno 2, p. E-2.
  • MEICHES, Mauro Pergaminik. In: Sala Preta - Revista do Departamento de Artes Cênicas da USP - n. 1, 2001, p.131-134.
  • NESPOLI, Beth. O Apocalipse no presídio. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 14 jan. 2000. Caderno 2, p. E-4.
  • SANTANA, Mário. O que sobrou do céu: reflexões sobre a encenação de 'Apocalipse 1,11'. Sala Preta - Revista do Departamento de Artes Cênicas da USP, São Paulo, n. 1, p. 123-129, 2001.
  • SANTOS, Valmir. O teatro da revelação. Folha de S.Paulo, São Paulo, 12 jan. 2000. Ilustrada, p. 4-1.
  • SÁ, Nelson de. O autor faz anticomemoração dos 500 anos. Folha de S.Paulo, São Paulo, 12 jan. 2000. Ilustrada, p. 4-1.
  • TEATRO da Vertigem: trilogia bíblica. São Paulo: Publifolha, 2002. 360 p.

Como citar

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