Artigo da seção termos e conceitos Photo-secession

Photo-secession

Artigo da seção termos e conceitos
Artes visuais  

Histórico

Photo-Secession é uma associação surgida nos Estados Unidos em 1902, liderada pelo fotógrafo norte-americano Alfred Stieglitz (1864 - 1946), com o objetivo de reunir praticantes do pictorialismo e promover seu reconhecimento como meio de expressão artística. O nome faz referência às exposições Secession, que reúne em Berlim e Viena, no fim do século XIX, artistas interessados em afirmar sua independência em relação à arte acadêmica. Além de Stieglitz, entre os fundadores da associação estão Edward Steichen (1879 - 1973), John G. Bullock (1854 - 1939), Frank Eugene (1865 - 1936), Gertrude Käsebier (1852 - 1934), Dallet Fuguet (1868 - 1933), Joseph Keiley (1869 - 1914) e Clarence White (1871 - 1925).

A expansão do pictorialismo como movimento internacional durante a primeira década do século XX coincide com o período em que Stieglitz, à frente da Photo-Secession, atua como curador de mostras de fotógrafos americanos e europeus dentro e fora dos Estados Unidos. Em 1904, por exemplo, cerca de 400 exposições são montadas por ele na Europa.

Por sugestão de Steichen, em 1905, o grupo aluga uma pequena sala no número 291 da Quinta Avenida, em Nova York, que se transforma na Galeria 291. Nela, Stieglitz expõe não apenas fotos, mas também desenhos, pinturas, esculturas e objetos de artistas como August Rodin (1840 - 1917), Henry Matisse (1869 - 1954), Marcel Duchamp (1887 - 1968), Francis Picabia (1879 - 1953) e, pela primeira vez nos Estados Unidos, obras de Pablo Picasso (1881 - 1973). O pioneirismo fez da Galeria 291 um ponto de referência para todos os que se interessam por arte moderna no país. Com o tempo, a divulgação de fotografias fica em segundo plano e entre 1910 e 1913, num conjunto de 47 mostras, apenas três são fotográficas.

De 1903 a 1917, Stieglitz edita Camera Work, uma revista luxuosa dedicada à publicação de imagens e monografias tanto de integrantes da Photo-Secession quanto de pictorialistas europeus como Robert Demachy (1859 - 1938) e de fotógrafos do século XIX, até então pouco conhecidos, como Margaret Cameron (1815 - 1879). Como na galeria, a partir de 1910, a revista passa a divulgar outras categorias de arte moderna.

Em 1908, a Photo-Secession domina o tradicional salão pictorialista inglês Photographic Salon of the Linked Ring com mais da metade dos trabalhos expostos. As obras causam descontentamento pela hegemonia norte-americana, mas também por refletirem um afastamento dos padrões estéticos e temáticos comuns ao pictorialismo. As imagens mostram assuntos ligados ao mundo contemporâneo como cenas urbanas, flagrantes do cotidiano e objetos mecânicos que destoam das cenas idílicas e atemporais da estética pictorialista. Além disso, algumas fotos apresentam um forte sentido geométrico e pouca profundidade, o que as liga à pintura abstrata de vanguarda, que surge também nessa época.

Além de dar visibilidade internacional ao pictorialismo norte-americano, a Photo-Secession representa a decadência desse movimento, pois é com base na produção de alguns de seus integrantes que, já na década de 1910, os críticos norte-americanos começam a empregar o conceito de straight photography (fotografia direta) para identificar imagens feitas a partir do embate direto da câmera com a realidade, sem posteriores intervenções manuais. O conceito reivindica a realização de imagens de caráter artístico pela exploração criativa de recursos estritamente fotográficos: pontos de vista e enquadramentos diferenciados, e procedimentos de laboratório que não descaracterizem a tonalidade própria dos materiais sensíveis à luz.

Apesar de continuar expondo e, eventualmente, realizar imagens com técnicas como goma bicromatada, bromóleo e flou,1 por volta de 1907, Stieglitz direciona seu trabalho para os pressupostos da fotografia direta. Em 1917, dedica o último número de Camera Work à obra de Paul Strand, o principal representante da straight photography, conceito que passa a identificar a produção fotográfica moderna norte-americana a partir do pós-guerra. O fim da revista marca também o término das atividades da Photo-Secession.

Notas

1 Técnicas pictorialistas

Fontes de pesquisa (3)

  • BREUILLE, Jean-Phillippe (concepcion). Dictionaire de la Photo. Paris: Larousse, 1996. 766 p., il. p&b.
  • MÉLON, Marc. Más allá de lo real: la fotografía artística. In: LEMAGNY, Jean-Claude & ROUILLÉ, André. Historia de la Fotografia. Barcelona: Alcor: Ediciones Martínez Roca, 1988. 286 p. il. p&b; color.
  • NEWHALL, Beaumont. The History of Photography: from 1839 to the present. Completely revised and enlarged edition. New York: The Museum of Modern Art, 1982. 320 p., il. p&b.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • PHOTO-SECESSION . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3818/photo-secession>. Acesso em: 18 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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