Artigo da seção termos e conceitos Neo-Impressionismo

Neo-Impressionismo

Artigo da seção termos e conceitos
Artes visuais  
Imagem representativa do artigo

Paisagem em Fourchiroles , 1922 , Belmiro de Almeida
Reprodução Fotográfica Raul Lima

Definição
Se o impressionismo não é homogêneo, as reações a ele tampouco são unívocas. Tentativas de alargar o programa impressionista são empreendidas pelo neo-impressionismo e, mais tarde, pelo pós-impressionismo de Paul Cézanne (1839 - 1906), Vincent van Gogh (1853 - 1890) e Paul Gauguin (1848 - 1903). Ao mesmo tempo um desenvolvimento do impressionismo e uma crítica a ele, o neo-impressionistas explicita a tentativa de um grupo de artistas de fundar a pintura sobre leis científicas da visão. O termo é cunhado pelo crítico Félix Fénéon (1861 - 1944) em 1886, ano da última exposição do grupo impressionista, diante de obras como Um Domingo de Verão na Grande Jatte, de Georges Seurat (1859 - 1891), reconhecido como líder da nova tendência artística. Se a famosa tela de Seurat compartilha o gosto impressionista pelas pinturas ao ar livre e pela representação da luz e da cor, o resultado obtido indica outra direção. Em lugar do naturalismo e da preocupação com os efeitos momentâneos de luz, caros aos impressionistas, o quadro de Seurat expõe figuras de corte geométrico que se apresentam como manequins sobre um plano rigorosamente construído com base em eixos horizontais e verticais. Os intervalos calculados entre uma figura e outra, as sombras formando ângulos retos e a superfície pontilhada atestam a fidelidade a um programa teórico apoiado nos avanços científicos da época.

O rompimento com as linhas mestras do impressionismo verifica-se, sobretudo, pelo acento colocado na pesquisa científica da cor, que dá origem ao chamado pontilhismo, já experimentado por Seurat em Banhistas em Asnières (1884). Aí, os trabalhos se orientam com base em um método preciso: trata-se de dividir os tons em seus componentes fundamentais. As inúmeras manchas de cores puras que cobrem a tela são recompostas pelo olhar do observador e, com isso, recupera-se a unidade do tom, longe das misturas de cores freqüentes nos empastes. A sensação de vibração e luminosidade decorre da "mistura ótica" obtida pelos pequenos pontos de cor de tamanho uniforme que nunca se fundem, mas que reagem uns aos outros em função do olhar à distância. Seurat prefere o termo divisionismo para designar o novo método e técnica, que tem em Jean-Antoine Watteau (1684 - 1721) e Eugène Delacroix (1798 - 1863) dois precursores, e que no interior do impressionismo foi testado mais de perto por Auguste Renoir (1841 - 1919) em trabalhos como Canoeiros em Chatou (1879). O reconhecimento dessa tradição da pintura francesa pode ser atestado na obra D'Eugène Delacroix au néo-impressionisme (1899), escrita por Paul Signac (1863 - 1935), que se torna líder do grupo após a morte de Seurat. Signac desenvolve o pontilhismo em boa parte de sua obra (Retrato de Félix Fénéon, 1890 e Entrada do Porto de Marselha, 1911, por exemplo). Só que em seus trabalhos os pontos e manchas se tornam mais evidentes e são dispostos de maneira mais dispersa, rompendo, nos termos do crítico Giulio C. Argan, a "linha melódica da cor". Camille Pissarro (1830 - 1903), fiel aos ensinamentos impressionistas ao longo de sua carreira, aproxima-se do neo-impressionismo em 1885, quando conhece Seurat e Signac. Pissaro utiliza a técnica divisionista em diversos trabalhos desse período, mas em 1890 retoma o estilo anterior. O nome de Maximilien Luce (1858 - 1941) figura entre os adeptos da escola neo-impressionista.

O neo-impressionismo teve curta duração, mas exerceu influência sobre Van Gogh e Gauguin, e também sobre Henri Matisse (1869 - 1954) e Henri de Toulouse-Lautrec (1864 - 1901). A obra de Signac, especialmente, foi retomada pelo fauvismo. O termo divisionismo refere-se ainda a um movimento italiano da última década do século XIX e início do século XX, uma das fontes geradoras do futurismo. É possível pensar em ecos do pontilhismo nas pesquisas visuais contemporâneas, na op art e na arte cinética. No Brasil, é difícil aferir uma influência direta do neo-impressionismo. Talvez seja possível pensar de modo mais amplo em reverberações das pautas impressionista e neo-impressionista nas cores claras e luminosas de algumas telas de Eliseu Visconti (1866 - 1944), Moça no Trigal (ca.1913/1916) por exemplo, e em obras de Belmiro de Almeida (1858 - 1935). como Efeitos de Sol (1892).

Obras de Neo-Impressionismo: (10) obras disponíveis:

Fontes de pesquisa (4)

  • ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Tradução Denise Bottmann, Frederico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. xxiv, 709 p., il. color.
  • CHILVERS, Ian (org.). Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001. 584 p.
  • LA NUOVA ENCICLOPEDIA DELL'ARTE GARZANTI. Milão: Garzanti Editore, 1986. 1112p. il. p&b, color.
  • THOMSON, Belinda. Pós-impressionismo. São Paulo: Cosac & Naify, 2001, 80p. il. color. (Movimentos da Arte Moderna)

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • NEO-IMPRESSIONISMO . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo331/neo-impressionismo>. Acesso em: 23 de Set. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7