Artigo da seção termos e conceitos Estilo

Estilo

Artigo da seção termos e conceitos
Artes visuais  

Definição
Originalmente a palavra estilo, do latim stilus, designa um instrumento metálico pontiagudo utilizado para escrever ou desenhar. Com o tempo, torna-se sinônimo de uma maneira particular de fazer algo, ampliando seu uso a todos os campos artísticos. Nesse sentido, compreende-se por estilo "a forma constante - e por vezes, elementos, qualidades e expressão - da arte de um indivíduo ou de um grupo". O estilo é como uma linguagem, com ordem interna e expressividade próprias, que admite uma intensidade variada. Alguns elementos podem se repetir em obras de períodos ou autores diversos, sendo os estilos determinados pelos diferentes modos de reuni-los numa forma única.

No âmbito da história da arte, o estilo é um objeto essencial de investigação. Seu conceito é usado para aglutinar seguidores de um artista (como a escola de Leonardo, de Cranach ou Rembrandt), o estilo de uma região (a Escola Boêmia) ou um momento histórico (Renascimento, barroco, etc). As investigações sobre os elementos de cada estilo também servem como critério para atribuição de autoria, datação e localização de obras de arte e para apontar relações entre escolas ou épocas nem sempre reconhecíveis à primeira vista.

Por consequência, o aprofundamento das pesquisas sobre a origem dos diferentes estilos é capaz de mudar o julgamento sobre determinados movimentos artísticos. O historiador da arte austríaco Alois Riegl (1858 - 1905), em seus livros Stilfragen [Questões de Estilo], 1893, e Die Spätrömische Kunstinsdustrie, 1901, desenvolve o argumento de que cada época tem um estilo baseado numa kunstwollen [vontade artística ou formativa] particular que explica mudanças e desenvolvimentos históricos e regionais. Com isso, Riegl se opõe às teorias que entendem a história da arte com base no revezamento contínuo de períodos de apogeu e declínio, em que, por exemplo, o barroco é menosprezado e visto como a decadência do classicismo renascentista. Para ele, esse tipo de visão não faz sentido, pois oblitera a profunda vontade espiritual original por trás de cada estilo.

Heinrich Wölfflin (1864 - 1945), historiador da arte suíço, dá nova força às investigações estilísticas na primeira metade do século XX. A princípio seguidor de Riegl, Wölfflin elabora, em 1915, no estudo Conceitos Fundamentais da História da Arte, com base na comparação entre o Renascimento e a arte barroca do século XVII, cincos pares de esquemas visuais contrastantes que unidos definem os dois períodos opostos. Tais esquemas apontam dois estilos gerais e permanentes na história da arte. Apesar das críticas encontradas por Wölfflin e os limites de sua teoria diante dos desdobramentos da arte moderna, seus estudos são fundamentais para a revalorização do barroco.

Em contraste com Riegl, encontra-se o teórico e arquiteto alemão Gottfried Semper (1803 -1879). Em 1860 ele publica o primeiro volume do estudo Der Stil in Den Technischen und Tektonischen Künsten Oder Praktische Äesthetik [O Estilo nas Artes Técnicas e Tectônicas ou a Estética Prática], no qual relaciona a origem das determinações formais de cada estilo com denominadores técnicos, como o material (pedra, madeira, ferro etc.), instrumentos para trabalhar e a função prática de cada obra. Apesar das limitações de sua teoria, Semper tem seguidores, entre eles o antropólogo alemão Franz Boas (1858-1942), que se dedica à pesquisa da arte primitiva e para quem questões de raça também têm papel importante na definição estilística.

Nota-se que no decorrer do século XX cresce o número de historiadores que associam estilos a estruturas sociais e econômicas. No entanto, estudos isolados não chegam a elaborar uma teoria na qual se conecta de modo claro e universal aspectos da vida social e determinados tipos de arte. Se a arte moderna abandona a noção de estilo pelo conceito de poética, a vertente pós-moderna da arte contemporânea ressuscita a importância do estilo como elemento de compreensão da obra.

Fontes de pesquisa (4)

  • CHILVERS, Ian (org.). Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
  • ENCYCLOPEDIA of the Arts. Editada por Dagobert Runes e Harry Schrickel. New York: Philosophical Library, 1946.
  • SCHAPIRO, Meyer. Style. In: Theory and Philosophy of Art: style, artist, and society. New York: George Braziller, 1994.
  • WÖLFFLIN, H. Conceitos fundamentais da história da arte. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ESTILO . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3184/estilo>. Acesso em: 26 de Mar. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7