Artigo da seção pessoas Abraham Palatnik

Abraham Palatnik

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Artes visuais  
Data de nascimento deAbraham Palatnik: 19-02-1928 Local de nascimento: (Brasil / Rio Grande do Norte / Natal)
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Relevo Progressivo , 1977 , Abraham Palatnik
Foto Vicente de Mello/Itaú Cultural

Biografia

Abraham Palatnik (Natal, Rio Grande do Norte, 1928). Artista cinético, pintor, desenhista. Em 1932, muda-se com a família para a região onde, atualmente, se localiza o Estado de Israel. De 1942 a 1945, estuda na Escola Técnica Montefiori em Tel Aviv e se especializa em motores de explosão. Inicia seus estudos de arte no ateliê do pintor Haaron Avni (1906-1951) e do escultor Sternshus e estuda estética com Shor. Freqüenta o Instituto Municipal de Arte de Tel Aviv, entre 1943 e 1947. Retorna ao Brasil em 1948, e se instala no Rio de Janeiro. Convive com os artistas Ivan Serpa (1923-1973), Renina Katz (1925) e Almir Mavignier (1925). Com este último frequenta a casa do crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981) e conhece o trabalho da doutora Nise da Silveira (1905-1999), no Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro.

O contato com os artistas e as discussões conceituais com Mário Pedrosa fazem Palatnik romper com os critérios convencionais de composição, abandonar o pincel e o figurativo e partir para relações mais livres entre forma e cor. Por volta de 1949, inicia estudos no campo da luz e do movimento, que resultam no Aparelho Cinecromático, exposto em 1951 na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, onde recebe menção honrosa do júri internacional. Em 1954, integra o Grupo Frente, ao lado de Ivan Serpa, Ferreira Gullar (1930), Mário Pedrosa, Franz Weissmann (1911-2005), Lygia Clark (1920-1988) e outros.

Desenvolve a partir de 1964 os Objetos Cinéticos, um desdobramento dos cinecromáticos, mostrando o mecanismo interno de funcionamento e suprimindo a projeção de luz. O rigor matemático é uma constante em sua obra, atuando como importante recurso de ordenação do espaço. É considerado internacionalmente um dos pioneiros da arte cinética.

Análise

A partir de 1943, Palatnik tem aulas de desenho, pintura e estética no Instituto Municipal de Arte de Tel Aviv, onde permanece até 1947. Produz pinturas de paisagens, retratos e naturezas-mortas. O crítico Frederico Morais (1936) comenta os desenhos dessa época e conta que nos feitos "a grafite, a linha é ágil, fluente, quase lírica". No desenho a carvão, "o traço negro é firme, sólido, realista, por vezes expressionista".1 Em 1948, regressa ao Brasil, instala-se no Rio de Janeiro e conhece artistas como Renina Katz, Almir Mavignier e Ivan Serpa. Com Mavignier, frequenta a casa do crítico de arte Mário Pedrosa e os ateliês do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro. Diz o artista: "O impacto das visitas ao Engenho de Dentro e as conversações com Mário Pedrosa demoliram minhas convicções em relação à arte".2 Palatnik deixa de pensar a qualidade da obra baseada no manejo realista das tintas e na associação da arte com o motivo. Sua pintura e sua escultura abandonam os critérios escolares de composição e partem para relações livres entre formas e cores.

Nesse momento, aproxima-se da arte abstrata. Após pintar algumas telas construtivas, começa, em 1949, a projetar máquinas em que a cor aparece se movendo. Com base nesses experimentos são criadas caixas de telas com lâmpadas que se movimentam por mecanismos acionados por motores. Mário Pedrosa chama as invenções de Aparelhos Cinecromáticos mostrados pela primeira vez em 1951, na 1ª Bienal Internacional de São Paulo. Em seu primeiro texto sobre Palatnik, Pedrosa descreve esses aparelhos como caixas em que ele "projeta sobre a tela ou outro qualquer material semitransparente composições de formas coloridas em movimento".3 O trabalho é pioneiro no uso de fontes luminosas artificiais na arte.

Em 1953 o artista expõe novos Cinecromáticos, na 2ª Bienal Internacional de São Paulo e na 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata, no Hotel Quitandinha. O envolvimento com questões construtivas e o diálogo permanente com artistas como Ivan Serpa e Almir Mavignier levam-no a participar da criação do Grupo Frente, em 1954. Faz parte de diversas mostras do grupo. Está na primeira coletiva na Galeria Ibeu, no Rio de Janeiro, em 1954. Em 1955 participa de mostras como a do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), de Volta Redonda e de Resende.

A partir de 1959, leva o movimento para o campo tridimensional. Cria trabalhos em que campos eletromagnéticos acionam pequenos objetos colocados em caixas fechadas. Ao mesmo tempo que inventa peças com que explora as possibilidades tecnológicas da arte, o artista faz quadros em superfícies bidimensionais. Em 1962, inicia a série Progressões. De acordo com Frederico Morais, trata-se da disposição de "uma série de faixas de um determinado material em uma superfície que busca compor efeitos óticos".4 Nesse trabalho Palatnik utiliza materiais como madeira, cartões, cordas e poliéster.

Em 1964, nascem os Objetos Cinéticos. O artista cria esculturas de arame, formas coloridas e fios que se movem acionadas por motores e eletroímãs. As peças se assemelham aos móbiles do escultor norte-americano Alexander Calder. No entanto, diferenciam-se deles por se mover com regularidade mecânica dentro da dinâmica planejada. Os Aparelhos Cinecromáticos são exibidos na Bienal de Veneza em 1964. A participação nessa mostra lhe dá projeção internacional e ele passa a ser considerado um dos precursores da arte cinética. Tal reconhecimento leva-o a participar, em 1964, da mostra internacional de arte cinética Mouvement 2, na Galeria Denise René, em Paris.

Em 1999, Frederico Morais organiza mostras retrospectivas de Palatnik no Itaú Cultural, em São Paulo e no Museu de Arte Contemporânea (MAC-Niterói). Ele é consagrado pioneiro, o primeiro que explorou as conquistas tecnológicas na criação de vanguarda brasileira. O que Mário Pedrosa descreve, em 1953, continua valendo para a carreira do artista-inventor, que segue sua trajetória "tornando as máquinas aptas a gerarem obras de arte".5

Notas

1 MORAIS, Frederico, Abraham Palatnik: um pioneiro da arte tecnológica. In: RETROSPECTIVA Abraham Palatnik: a trajetória de um artista inventor. São Paulo: Itaú Cultural, 1999, p. 09.
2 Idem, ibidem, p. 10.
3 PEDROSA, Mário, Intróito à Bienal. In: AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na Arte. Rio de Janeiro, MAM 1977. p.170.
4 MORAIS, Frederico, Abraham Palatnik: um pioneiro da arte tecnológica. In: RETROSPECTIVA Abraham Palatnik: a trajetória de um artista inventor. São Paulo: Itaú Cultural, 1999, p.16.
5 Idem, ibidem.

Outras informações de Abraham Palatnik:

  • Outros nomes
    • Pal
    • Abraham Palatinik
    • Palatnik
    • Abraão Palatnik
    • Abrahan Palatnik
  • Habilidades
    • designer de produtos
    • desenhista
    • artista cinético
    • pintor

Obras de Abraham Palatnik: (55) obras disponíveis:

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Itaú Cultural

Abraham Palatnik começa a desenhar tanques de guerra em Israel, em 1942, e o desenho ganha outra dimensão em sua vida. Na volta ao Brasil, seis anos depois, conhece o trabalho coordenado por Nise da Silveira (1905-1999) no Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro (RJ) e, encantado com a densidade da produção artística dos pacientes, desiste da pintura e aposta em outros suportes, com obras que unem estética e tecnologia e desafiam as percepções de espaço, dimensão, cor, luz e movimento. Em 1949, cria Focos Luminosos, sendo o primeiro artista a explorar a luz e seu movimento. Em 1951, cria Aparelho Cinecromático, que desta vez não tinha como foco a luz projetada, mas a estrutura e seus elementos em si. Avança no campo tridimensional e, em 1964, expõe Objetos Cinéticos, com esculturas movidas a eletroímãs e motores. “Porque achava que o interior deveria ser exposto”, explica.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

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Fontes de pesquisa (13)

  • AMARAL, Aracy (org.). Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo: perfil de um acervo. Texto Aracy Amaral, Sônia Salzstein. São Paulo: Techint Engenharia, 1988. 391 p., il.color.
  • AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na arte (1950-1962). Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna; São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1977. 360 p.
  • GRUPO frente / I Exposição Nacional de Arte Abstrata: 1954-1956 / Hotel Quitandinha - 1953. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1984. [72] p., il. p&b.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MODERNIDADE: arte brasileira do século XX. Curadoria Aracy Amaral, Frederico Morais, Roberto Pontual, Marie-Odile Briot; texto crítico Aracy Amaral, Roberto Pontual. São Paulo: MAM; Paris: Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, 1988. 352 p., il., p&b., color.
  • MORAIS, Frederico. Abraham Palatnik: Um pioneiro da arte tecnológica. In: RETROSPECTIVA Abraham Palatnik: a trajetória de um artista inventor. Curadoria e texto Frederico Morais. São Paulo: Itaú Cultural, 1999. 68 p., il. p&b. color. (Eixo Curatorial 1999).
  • PALATNIK, Abraham. Abraham Palatnik. Rio de Janeiro: GB Gravuras Brasileiras, 1989. 1 il. color.
  • PALATNIK, Abraham. Abraham Palatnik. Texto Mário Pedrosa, Antonio Bento, Walter Zanini, Rubem Braga, Jayme Maurício, Walmir Ayala. Rio de Janeiro: IAB, 1981. [24] p., il. p&b.
  • PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. Apresentação Pereira Carneiro; tradução Florence Eleanor Irvin, John Knox. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1976. 478 p.
  • PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • RETROSPECTIVA Abraham Palatnik: a trajetória de um artista inventor. Curadoria e texto Frederico Morais. São Paulo: Itaú Cultural, 1999. 68 p., il. p&b. color. (Eixo Curatorial 1999).

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ABRAHAM Palatnik. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa9891/abraham-palatnik>. Acesso em: 14 de Dez. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7