Artigo da seção pessoas Carlos Zilio

Carlos Zilio

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deCarlos Zilio: 1944 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
Imagem representativa do artigo

Lute , 1967 , Carlos Zilio
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Biografia

Carlos Augusto da Silva Zilio (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1944). Pintor, professor. Estuda, a partir de 1963, no Instituto de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde é aluno de Iberê Camargo (1914 - 1994). Forma-se em psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1973. Em 1975, torna-se um dos editores da revista Malasartes. Sua produção dos anos 1960 e 1970 revela um amplo sentido de crítica social, como em Lute (1967) ou em Para um Jovem de Brilhante Futuro (1973). Em 1976, em razão de perseguição política, viaja para Paris, onde, em 1980, conclui doutorado em artes na Universidade de Paris VIII.

Dedica-se unicamente à pintura, passando a realizar trabalhos abstratos a partir de 1978. Após seu retorno ao Brasil, cria e leciona no curso de especialização em História da Arte e História da Arquitetura no Brasil, e também no mestrado em História Social da Cultura, do Departamento de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ).

É um dos fundadores da revista Gávea, da qual é editor responsável da revista entre 1984 e 1996. Faz pós-doutorado com Hubert Damisch, na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, em 1992. Dois anos mais tarde, leciona na Escola de Belas Artes da UFRJ (EBA/UFRJ). Publica, entre outras, a obra A Querela do Brasil: a questão de identidade na arte brasileira, editada pela primeira vez em 1982.

Análise

Carlos Zilio ingressa no Instituto de Belas Artes da Guanabara, no Rio de Janeiro, em 1962. No ano seguinte, freqüenta palestras no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb) e inicia estudos de pintura com Iberê Camargo, no Instituto de Belas Artes.

Zilio emerge no cenário artístico brasileiro nos anos 1960, período marcado pela ditadura militar. Adere inicialmente às questões da nova figuração, ao mesmo tempo que aprofunda o comprometimento com o movimento estudantil, no Instituto de Psicologia da UFRJ, onde estuda.

O artista cria máscaras de rostos anônimos, agrupadas em série e que agregadas a outros elementos, como relógios de ponto ou marmitas, como em Lute (1967), fazem com que a obra adquira caráter de denúncia social. Esse trabalho representa o esforço máximo do artista para integrar arte e política. No interior da marmita, em lugar do alimento, uma máscara sem rosto.

Após Lute, o artista interrompe sua produção para se dedicar à militância política. Em março de 1970, é ferido a bala em confronto com a polícia e preso, sendo colocado em liberdade dois anos depois. Na cadeia, Zilio inicia uma série de desenhos e de pinturas em pratos que evocam a violência vivida. Em 1973, cria a obra Para um Jovem de Brilhante Futuro, com uma maleta de executivo (tipo 007), cujo interior é ocupado por fileiras de pregos, com as pontas voltadas para cima. Nesse trabalho, que dialoga principalmente com obras de Marcel Duchamp (1887 - 1968), o artista ironiza a situação social e política do país, sobretudo em relação ao futuro de uma juventude alienada.

Carlos Zilio participa da criação da revista Malasartes, em 1974. Em 1976, exila-se em Paris, onde, em 1980, conclui doutoramento em artes, na Universidade de Paris VIII. Retorna ao Brasil no mesmo ano. Em 1978, decide dedicar-se unicamente à pintura. Contribui para essa escolha, como declara o próprio Zilio, o contato com a obra de Cézanne (1839 - 1906), em exposição do artista ocorrida em Paris nesse período. Seus trabalhos também dialogam com a pintura de artistas norte-americanos, como Barnett Newman (1905 - 1970) ou Jasper Johns (1930). Realiza obras abstratas, pinturas gestuais em que trabalha freqüentemente com uma paleta monocromática.

Outras informações de Carlos Zilio:

  • Outros nomes
    • Carlos Augusto da Silva Zilio
    • Carlos Zílio
  • Habilidades
    • professor de artes
    • Pintor

Obras de Carlos Zilio: (10) obras disponíveis:

Exposições (167)

Artigo sobre Prospectiva' 74

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioProspectiva' 74: 16-08-1974  |  Data de término | 16-09-1974
Resumo do artigo Prospectiva' 74:

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP)

Todas as exposições

Eventos relacionados (4)

Artigo sobre sp-arte 2010

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de iníciosp-arte 2010: 29-04-2010  |  Data de término | 02-05-2010
Resumo do artigo sp-arte 2010:

Fundação Bienal de São Paulo

Artigo sobre sp-arte 2011

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de iníciosp-arte 2011: 12-05-2011  |  Data de término | 15-05-2011
Resumo do artigo sp-arte 2011:

Fundação Bienal de São Paulo

Fontes de pesquisa (23)

  • A CIDADE dos Artistas. Curadoria Cristina Freire. São Paulo: MAC/USP, 1997.
  • A RAREFAÇÃO dos sentidos: Coleção João Sattamini - anos 70. Curadoria e texto Reynaldo Roels Jr.. Rio de Janeiro: Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 1993. folha dobrada, s. il.
  • ARTE conceitual e conceitualismos: anos 70 no acervo do MAC USP. Curadoria e texto Cristina Freire; texto Walter Zanini, Teixeira Coelho, Martha Wilson; versão em inglês Elizabeth Bjorkstrom Moraes, Thomas Karsten. São Paulo: MAC/USP, 2000. 75 p.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • COTIDIANO/ARTE: O Objeto Anos 60/90. São Paulo: Itaú Cultural, 1999. (Eixo Curatorial 1999).
  • COUTINHO, Wilson. Zílio: a pintura e o ser sublime. Galeria: revista de arte, São Paulo: Area Editorial, n.6, p. 96-98,1987 .
  • ECO art. Tradução Angela Brant Ribeiro, Maria Luiza Crespo, Milena Guinle; texto Geraldo Edson de Andrade, Charles Merewether. Rio de Janeiro: Spala, 1992. 288 p., il. color.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • O DESENHO moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand. São Paulo: Galeria de Arte do Sesi, 1993. 64 p., il. p&b color.
  • O MODERNO e o contemporâneo na arte brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Curadoria Agnaldo Farias; texto Sônia Salzstein, Reynaldo Roels Jr.; versão em inglês Ann Puntch. São Paulo: MASP, 1998. 208 p., il. color.
  • PANORAMA DE ARTE ATUAL BRASILEIRA, 1997, São Paulo, SP. Panorama de Arte Atual Brasileira 1997. São Paulo: MAM, 1997.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • SALÃO de arte moderna do Distrito Federal, 4., 1967, Brasília. Brasília, 1967.
  • SANTOS, José Roberto Marcellino (coord.). Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Apresentação M. F. do Nascimento Brito. São Paulo: Banco Safra, 1999. 357 p., il. color.
  • TERRA, Paula (coord.). Situações: arte brasileira - anos 70. Curadoria e texto Glória Ferreira, Paula Terra. Rio de Janeiro: Fundação Casa França Brasil, 2000. 63 p., il. p&b.
  • TRINCHEIRAS: arte e política no Brasil. Texto Marcus de Lontra Costa. Rio de Janeiro: MAM, 1994. 16 p., il. p&b.
  • TRINTA anos de 68. Curadoria e texto Franklin Espath Pedroso, Pedro Karp Vasquez; versão em inglês Paulo Henriques Britto; texto Victor Hugo Adler Pereira. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1998. [56 p.], il. p.b. color.
  • XXII Salão Nacional de Arte Moderna. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, 1973. 111 p., il. p&b.
  • ZANINI, Walter (Coord.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983. v.2.
  • ZILIO, Carlos. Arte e política: 1966-1976. Curadoria Vanda Mangia Klabin; texto Paulo Sérgio Duarte, Fernando Cocchiarale, Frederico Morais, Jayme Maurício, Roberto Pontual; versão em inglês Ricardo Gomes Quintana; Hélio Oiticica, Ronaldo Brito, Rosa Freire D'Aguiar. Rio de Janeiro: MAM, 1996. 71 p., il. p&b color.
  • ZILIO, Carlos. Carlos Zílio: pinturas. Vitória: Galeria de Arte e Pesquisa/UFES, 1987. 1 il. color.
  • ZILIO, Carlos. Carlos Zilio. Curadoria e texto Paulo Venancio Filho; texto Cesar Oiticica Filho; versão em inglês Carolyn Brisset. Rio de Janeiro: Centro de Arte Hélio Oiticica, 2000. 54 p., 35 il. p&b. color.
  • ZILIO, Carlos. Carlos Zilio. Tradução Ricardo Gomes Quintana. Rio de Janeiro: Joel Edelstein Arte Contemporânea, 1996. [16 p.], il. color.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CARLOS Zilio. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa962/carlos-zilio>. Acesso em: 18 de Out. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7