Artigo da seção pessoas Carlos Fajardo

Carlos Fajardo

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Artes visuais  
Data de nascimento deCarlos Fajardo: 10-09-1941 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Sem Título , 1984 , Carlos Fajardo
Registro fotográfico Wilton Montenegro

Biografia

Carlos Alberto Fajardo (São Paulo, São Paulo, 1941). Artista multimídia. Freqüenta o curso de arquitetura na Universidade Mackenzie, em São Paulo, entre 1963 e 1972. Na década de 1960, estuda pintura, desenho, comunicação visual e história da arte com Wesley Duke Lee (1931-2010), e música contemporânea com Diogo Pacheco (1925). Participa da criação do Grupo Rex, com Wesley Duke Lee, Nelson Leirner (1932), Frederico Nasser (1945), Geraldo de Barros (1923-1998) e José Resende (1945), em 1966, e torna-se co-editor do jornal Rex Time. Em 1970, com Luiz Paulo Baravelli (1942), Frederico Nasser e José Resende, funda a Escola Brasil:. Estuda gravura em metal com Babinski (1931) e litografia com Regina Silveira (1939). No início de sua trajetória, trabalha com diferentes técnicas, realizando objetos, pinturas, colagens, desenhos e gravuras. A partir de 1981, expõe trabalhos em pintura, constituídos por um conjunto de telas e de superfícies em madeira pintada, apenas apoiados nas paredes da sala, criando assim um espaço entre os dois planos. Passa a dedicar-se à realização de esculturas em que explora questões como peso, gravidade ou sustentação da obra no solo. Em 1987, recebe a Bolsa Ivan Serpa da Funarte e, em 1989, a Bolsa Vitae de Artes. Desde 1996, leciona no departamento de artes plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP.

Análise

No começo da carreira, Carlos Fajardo é influenciado pelo seu professor de desenho, pintura, comunicação visual e história da arte, Wesley Duke Lee. Inicia-se pelo desenho, que, segundo o artista, na época, "é o suporte básico do seu raciocínio plástico".1 Em 1966, passa a fazer trabalhos figurativos sobre superfícies modificadas e participa da criação do Grupo Rex. Para uma exposição do grupo, realiza a escultura Neutral (1966), um cubo com chapas de acrílico transparente. Pela primeira vez, sua obra dispensa a figuração e as marcas do fazer artístico. O cubo é construído com base numa relação objetiva com os materiais e segue um guia de instruções criado pelo artista. Essa relação distante com a obra é influenciada pelo minimalismo, sobretudo por Donald Judd (1928-1994).2

Em 1969, faz as primeiras Fórmicas: pinturas feitas com retalhos regulares do material. Nas séries, as formas se repetem com cores diferentes, sem o menor traço de artesanato. Com procedimentos impessoais, Fajardo compõe os quadros. Com os colegas Luiz Paulo Baravelli, Frederico Nasser e José Resende, funda, em 1970, a Escola Brasil:. As atividades como professor tomam boa parte de seu tempo. A partir de 1977, pinta uma série de telas com figuras de mulheres, como Três Horas/diferentes Pessoas/em Santos/fora de Casa.

Em 1981, Fajardo assume uma nova relação com a pintura. Suas superfícies crescem e são divididas em partes justapostas. A unidade é formada com base na relação de uma parte com a outra. Alguns desses trabalhos são expostos na 16ª Bienal Internacional de São Paulo. Segundo o artista, nessa época seu trabalho "(...) passa a solicitar grandes extensões. É preciso se relacionar com ele em seus aspectos físicos e levar em conta a distância que ele dispõe entre as coisas".3 Daí em diante sua produção fica entre a pintura, a escultura e a instalação. Articula os objetos uns com os outros no espaço e incorpora o intervalo entre as peças. Ao comentar sua mostra de 1989 no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, o crítico de arte Rodrigo Naves afirma que a exposição "pressupõe a interação cerrada das obras e não apenas a justaposição preguiçosa de produções isoladas".4

A partir da década de 1990, incorpora os mais diversos materiais e procedimentos a sua obra. Em 1998, defende tese de doutorado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP. Em 2003, realiza a exposição retrospectiva Poética da Distância, que passa por várias cidades brasileiras.

Notas

1 Declaração de Carlos Fajardo para Sônia Salzstein em entrevista realizada entre setembro e novembro de 2002, publicada em: FAJARDO, Carlos. Poética da distância. São Paulo: Petrobras, 2003. p. 14.
2 Idem p.15 - 16.
3 Idem p. 20.
4 NAVES, Rodrigo. Fajardo expõe a solidão da arte contemporânea. Folha de S. Paulo. São Paulo, 02 de mar. 1989. Ilustrada, p. 1.

Outras informações

  • Outros nomes
    • Carlos Alberto Fajardo
    • Fajardo
    • Carlos A. Fajardo
  • Habilidades
    • professor de artes plásticas
    • artista multimídia
    • arquiteto

Obras (23)

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Midias (1)

Edição de texto e roteiro Cacá Vicalvi Edição de Imagens Samantha Audi Produção Documenta Vídeo Brasil Itaú Cultural

Exposições (210)

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Artigo sobre Redes da Criação. Processos Criativos na Arte Contemporânea. Obras, Meios e Processos. Visitação ao ateliê de Carlos Fajardo (2008: São Paulo, SP)

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Data de inícioRedes da Criação. Processos Criativos na Arte Contemporânea. Obras, Meios e Processos. Visitação ao ateliê de Carlos Fajardo (2008: São Paulo, SP): 12-06-2008  |  Data de término | 12-06-2008
Resumo do artigo Redes da Criação. Processos Criativos na Arte Contemporânea. Obras, Meios e Processos. Visitação ao ateliê de Carlos Fajardo (2008: São Paulo, SP):

Itaú Cultural

Fontes de pesquisa (20)

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  • EDUARDO Sued, Carlos Fajardo: Victor Grippo, Hércules Barsotti, Marco do Valle. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1984. , il. p&b color.
  • EM busca da essência: elementos de redução na arte brasileira. Curadoria e texto Sheila Leirner, Gabriela Suzana Wilder. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1987. 72 p., il. color.
  • FAJARDO, Carlos. Carlos Fajardo. São Paulo: AS Studio, 1997. , il. p&b.
  • FAJARDO, Carlos. Carlos Fajardo. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1989. , il. p&b. 
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  • FAJARDO, Carlos. Fajardo. Rio de Janeiro: Espaço ABC, 1984. , il. p&b.
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  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • MAMMÌ, Lorenzo. Carlos Fajardo. Guia das Artes, São Paulo, v. 34, p. 22-27, mar. /abr. 1994.
  • MARGS. Disponível em: . Acesso em: 9 nov. 2011. Não catalogado
  • MATTOS, Cláudia Valladão de. Entre quadros e esculturas: Wesley e os fundadores da Escola Brasil. Organização Yanet Aguilera; tradução Douglas V. Smith, Silvio Rosa Filho. São Paulo: Discurso Editorial, 1997. 149 p., il. figs., pp.  41e 43, 144 e 145.
  • NAVES, Rodrigo. Fajardo expõe a solidão da arte contemporânea. Folha de S. Paulo. São Paulo, 02 mar. 1989.
  • PANORAMA da Arte Brasileira, 1995. Curadoria Ivo Mesquita; texto Cacilda Teixeira da Costa; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: MAM, 1995. 92p. 71ils.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • REA, Silvana. Transformatividade: aproximações entre psicanálise e artes plásticas: Renina Katz, Carlos Fajardo, Flávia Ribeiro. São Paulo: Annablume: FAPESP, 2000.
  • SEMANA DE ARTE DE LONDRINA, 4., 1995, Londrina, PR. Arte brasileira: confrontos e contrastes. Coordenação Maria Carla Guarinello de Araújo Moreira; texto Rodrigo Naves. Londrina: Universidade Estadual de Londrina, 1995. 53 p., il. color. p.34-35.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CARLOS Fajardo. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa9511/carlos-fajardo>. Acesso em: 31 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7