Pessoas

Nelson Leirner

Outros Nomes: Nelson Leirner | N. Leirner | Nélson Leirner
  • Análise
  • Biografia
    Nelson Leirner (São Paulo SP 1932). Artista intermídia. Reside nos Estados Unidos, entre 1947 e 1952, onde estuda engenharia têxtil no Lowell Technological Institute, em Massachusetts, mas não conclui o curso. De volta ao Brasil, estuda pintura com Joan Ponç em 1956. Freqüenta por curto período o Atelier-Abstração, de Flexor, em 1958. Em 1966, funda o Grupo Rex, com Wesley Duke Lee, Geraldo de Barros, Carlos Fajardo, José Resende e Frederico Nasser. Em 1967, realiza a Exposição-Não-Exposição, happening de encerramento das atividades do grupo, em que oferece obras de sua autoria gratuitamente ao público. No mesmo ano, envia ao 4º Salão de Arte Moderna de Brasília um porco empalhado e questiona publicamente, pelo Jornal da Tarde, os critérios que levam o júri a aceitar a obra. Realiza seus primeiros múltiplos, com lona e zíper sobre chassi. É também um dos pioneiros no uso do outdoor como suporte. Por motivos políticos, fecha sua sala especial na 10ª Bienal Internacional de São Paulo de 1969, e recusa convite para outra, em 1971. Nos anos 1970, cria grandes alegorias da situação política contemporânea em séries de desenhos e gravuras. Em 1974, expõe a série A Rebelião dos Animais, com trabalhos que criticam duramente o regime militar, pela qual recebe da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) o prêmio melhor proposta do ano. Em 1975 a APCA encomenda-lhe um trabalho para entregar aos premiados, mas a Associação recusa-o por ser feito em xerox, por isso, como protesto, os artistas não comparecem ao evento. De 1977 a 1997, leciona na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, onde tem grande relevância na formação de várias gerações de artistas. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1997, e coordena o curso básico da Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage, até o ano seguinte.

    Comentário crítico
    Nelson Leirner é filho da escultora Felícia Leirner e do empresário Isaí Leirner. Desde a infância a arte moderna está muito presente em sua vida. Seus pais ajudam a fundar o Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e convivem com boa parte da vanguarda brasileira. No entanto essa proximidade não desperta de imediato o interesse de Leirner pela arte. Resolve tornar-se artista apenas na década de 1950, estimulado por trabalhos de Paul Klee. Em 1956, passa a ter aulas de pintura com Joan Ponç. Dois anos depois, freqüenta, por pouco tempo, o Atelier-Abstração, de Flexor. Não se entusiasma com os cursos. Suas telas se aproximam da abstração informal de pintores como Alberto Burri e Antoni Tàpies. Entre 1961 e 1964, continua com a pesquisa de materiais, mas com outra direção. Interessado nas poéticas dadaístas, produz seus quadros com objetos recolhidos na rua, gerando a série Apropriações.

    Em 1964, o artista abandona a pintura e passa a trabalhar com elementos prontos, fabricados industrialmente. Recolhe objetos de uso e desloca seu sentido, como em Que Horas São D. Candida, 1964. Seus trabalhos estão entre a escultura e o objeto. Dois anos mais tarde, a participação do espectador é incorporada em obras como Você Faz Parte I e  II, 1966. Ainda em 1966, funda o Grupo Rex, com Wesley Duke Lee, Geraldo de Barros, Frederico Nasser, José Resende e Carlos Fajardo. O coletivo promove happenings e publica o jornal Rex Time. O grupo se volta a problemas como as relações da arte com o mercado, as instituições e o público. Tudo isso abordado com base nas linguagens radicais dos anos 1960.

    Em 1967, monta a exposição Da Produção em Massa de uma Pintura. Mostra a série Homenagem a Fontana, uma das primeiras séries de múltiplos do país. As "pinturas" são produzidas industrialmente. Feitas de zíperes e tecidos, objetos que tradicionalmente não têm propriedades artísticas. No mesmo ano, envia seu Porco Empalhado , 1966 para o 4º Salão de Arte Moderna de Brasília. O júri aceita o trabalho. Leirner questiona o resultado e solicita uma manifestação explicita dos critérios de admissão da mostra, criando polêmica com críticos como Mário Pedrosa e Frederico Morais, conhecida como "happening da crítica".

    A partir da década de 1970, o teor questionador do trabalho migra da ação direta para um sentido alegórico, que muitas vezes envolve o erotismo. O happening tem menos presença que o desenho e a instalação. Nessa época, Leirner se dedica a outras linguagens, como o design, os múltiplos e o cinema experimental.

    A presença de elementos da cultura popular brasileira, marcante desde os anos 1960, cresce a partir da década de 1980. Em 1985, realiza a instalação O Grande Combate, em que utiliza imagens de santos, divindades afro-brasileiras, bonecos infantis e réplicas de animais. Pretende converter em arte o que é considerado banal. Desde o ano 2000, seu trabalho se apropria de imagens artísticas banalizadas pela sociedade de consumo. De maneira bem-humorada, lida com as reproduções da Gioconda [Mona Lisa], 1503/1506 de Leonardo da Vinci e a Fonte, 1917 de Marcel Duchamp como tema artístico. Com a mesma ironia, o artista replica sobre couro de boi imagens da tradição concreta brasileira, na série Construtivismo Rural.

Espetáculo

  • Macbird

    início: 15/11/1968

    Teatro de Arena

Exposições

Exibir

Eventos

Exibir

Fontes de Pesquisa

KLINTOWITZ, Jacob. Versus: dez anos de crítica de arte. Prefácio Jacob Klintowitz; apresentação Pietro Maria Bardi. São Paulo: Galeria de Arte André, 1978. 143 p., il. p&b.

LEIRNER, Nelson. Uma viagem ... Tradução Elvyn Laura Marshall, Ricardo Gomes Quintana; texto Agnaldo Farias, Nelson Leirner; projeto gráfico João Modé. Rio de Janeiro: Centro Cultural Light, 1997. [40] p., il.

LEIRNER, Nelson. Exponha-se à arte. Texto Ignácio de Loyola Brandão; fotografia Romulo Fialdini, Henrique de Macedo Neto. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1984. [24] p., il. p&b color.

LEIRNER, Nelson. The Rebellion of the Animals: a series of drawings. Austin, TX: University of Texas Art Museum, 1974. , il. p&b.

AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. 2. ed. rev. e ampl. , por André Seffrin. Curitiba: Ed. UFPR, 1997. 428p., il. col.

PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. 559 p., il. p&b., color.

LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. 555 p., il. p&b., color.

LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1987: seu mercado, seus leilões. São Paulo: Inter / Arte / Brasil, 1986. 1141p., il., p.b.

ARTE no Brasil. Texto José Roberto Teixeira Leite, Ana Maria Jover, Ottaviano De Fiore, Ivo Zanini, Carlos Alberto Cerqueira Lemos. São Paulo: Abril Cultural, 1982. 319 p., il. p&b., color.

CHIARELLI, Tadeu. Nelson Leirner: arte e não arte. Versão em inglês Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Galeria Brito Cimino : Takano, 2002. 228 p., il. color.

FABRIS, Annateresa. "Lacerba" e il futurismo fiorentino. Nápoli: Universita degli Studi di Napoli, 1982/1983. 259p.

KLINTOWITZ, Jacob. Versus: dez anos de crítica de arte. São Paulo: Galeria de Arte André, 1978. 143 p., il. p&b.

LEIRNER, Nelson. Exponha-se à arte. Texto Ignácio de Loyola Brandão. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1984. [24] p., il. p&b color.

LEIRNER, Nelson. Retrospectiva Nelson Leirner. Texto Agnaldo Farias; tradução Heloisa Prieto, Ann Putsch. São Paulo: Paço das Artes, 1994. 200 p., il. p&b.

LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.

LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Edição Raul Mendes Silva. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. 555 p., il. p&b., color.

MODERNIDADE: arte brasileira do século XX. Curadoria Aracy Amaral, Frederico Morais, Roberto Pontual, Marie-Odile Briot; texto crítico Aracy Amaral, Roberto Pontual. São Paulo: MAM; Paris: Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, 1988. 352 p., il., p&b., color.

PEDROSA, Adriano (org.). Nelson Leirner e [and] Iran do Espírito Santo: 48. Biennale di Venezia - Padiglione Brasile. Curadoria e texto Ivo Mesquita; texto Lisette Lagnado, Adriano Pedrosa; tradução Veronica Cordeiro. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1999. 72 p., il. color.

PEDROSA, Mário. Mundo, homem, arte em crise. Organização Aracy Amaral. São Paulo: Perspectiva, 1975. 321 p. (Debates, 106).

PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973. 401 p., il. p&b.

PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987. 585 p., il. color.

POR que Duchamp? Leituras duchampianas por artistas e críticos brasileiros. Texto Vitória Daniela Bousso, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Agnaldo Farias, Maria Izabel Branco Ribeiro, Paulo Herkenhoff, Celso Favaretto, Stella Teixeira de Barros, Lisette Lagnado, Angélica de Moraes; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Itaú Cultural : Paço das Artes, 1999. 194 p., il. p&b. color.

SCHENBERG, Mario. Pensando a arte. São Paulo: Nova Stella, 1988. 221 p., il. p&b., color.

TRIDIMENSIONALIDADE na arte brasileira do século XX. Texto Annateresa Fabris, Fernando Cocchiarale, Tadeu Chiarelli, Celso Favaretto. São Paulo: Itaú Cultural, 1997. 240 p., il. foto color.

ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v.2, 616 p., il. color.