Artigo da seção pessoas Djanira

Djanira

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deDjanira: 20-06-1914 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Avaré) | Data de morte 31-05-1979 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Costureira , 1951 , Djanira
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Biografia

Djanira da Motta e Silva (Avaré, São Paulo, 1914 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1979). Pintora, desenhista, cartazista e gravadora. Cresce em Porto União, Santa Catarina. Muda-se para São Paulo em 1932. Em 1937, é internada com tuberculose em sanatório de São José dos Campos, no qual começa a desenhar. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1939 e abre uma pensão no bairro de Santa Teresa, onde convive com artistas modernos como Milton Dacosta (1915-1988), a portuguesa Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), o húngaro Arpad Szènes (1897-1985), o Carlos Scliar (1920-2001) e o romeno Emeric Marcier (1916-1990). Também em 1939 assiste a aulas de pintura no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro.

Em 1942, expõe pela primeira vez na Divisão Moderna do Salão de Belas Artes e no ano seguinte , faz sua primeira individual no edifício da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro. Em 1943, participa da exposição Pintura Moderna Brasileira na Royal Academy of Arts, em Londres, Inglaterra. Nessa época, também expõe suas obras na Argentina, no Uruguai e no Chile. Entre 1944 e 1947, mora nos Estados Unidos.

Em 1946, realiza exposição individual na New School for Social Research, em Nova York, e expõe em Washington e Boston. Também participa da exposição de Arte Moderna no Musée National d'Art Moderne [Museu Nacional de Arte Moderna], em Paris. Após voltar ao Brasil conhece, em 1950, o poeta e historiador José Shaw da Motta e Silva (1920- s/d), com quem se casa. Nos anos 1950 e 1960, além de participar de diversas exposições, realiza projetos como: o mural Candomblé (1957), para a casa do escritor Jorge Amado (1912-2001); os azulejos da Capela de Santa Bárbara (1958), Rio de Janeiro; e as ilustrações do livro Campo Geral (1964), do escritor Guimarães Rosa (1908-1967). Em 1977, o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro, promove retrospectiva de sua trajetória. Após sua morte, seus quadros são expostos em diversas exposições nacionais e internacionais. No acervo do MNBA estão abrigadas 813 de suas obras.

Análise

Pintora importante do modernismo brasileiro. Na obra de Djanira coexistem a religiosidade e a diversidade de cenas e paisagens brasileiras. Sua trajetória permite compreender a condensação de elementos apresentada em seus desenhos, pinturas e gravuras.

A infância e a adolescência da artista se caracterizam pela vida simples e pelo trabalho no campo. Avaré, cidade no interior de São Paulo onde nasce, e Porto União, cidade de Santa Catarina onde cresce e trabalha na lavoura. Esses temas reaparecem em sua pintura, ofício que começa a exercer nos anos 1940. É o caso do quadro Cafezal (1952). A artista retrata aquilo que habita sua memória e o que a rodeia no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro: o cotidiano de trabalhadores, as festas de rua, as paisagens, os amigos e parentes. A expressão deste mundo insere-se no contexto artes do Brasil dos anos 1940. O início da carreira artística de Djanira coincide com a convivência com pintores modernos como Milton Dacosta (1915-1988) e Emeric Marcier (1916-1990), com quem tem aulas de pintura durante alguns meses, em 1940. Assim, sua obra possui temas caros à chamada arte primitiva ou ingênua, como as festas folclóricas, mas com elementos do modernismo: um exemplo são as padronagens, como a do quadro Costureira (1951), e as imagens sem perspectiva em que os corpos parecem colagens, como o cartaz para a peça Orfeu para Conceição (1956), que lembram os trabalhos do pintor francês Henri Matisse (1869-1954). O escritor Paulo Mendes Campos (1922-1991) nota essa ambivalência em seu trabalho e afirma que Djanira “nos comunica a ingenuidade brasileira” com “técnica muito disciplinada”1.

Nos anos 1950, após temporada nos Estados Unidos, Djanira volta ao Brasil e decide viajar o país e retratar sua diversidade. Se antes as cenas representadas eram seu ambiente natural de vida e trabalho, agora a artista viaja em busca de material para sua produção. Em diversos estados brasileiros, realiza pinturas de colhedores de café, vaqueiros, mulheres no campo e na praia, índios, tecelões, oleiros e trabalhadores de usinas de cana-de-açúcar. As cenas não se restringem ao trabalho rural: há operários da indústria automobilística e mineiros, como mostram as pinturas dos anos 1960 e 1970. Seu interesse nas cenas únicas do cotidiano dos trabalhadores resulta numa pintura que transcende essa singularidade e busca o “aspecto permanente do assunto”2, conforme afirma o crítico José Valladares (s/d). Um vendedor de gaiolas revela uma espécie de personalidade comum a todos os outros vendedores, como se Djanira buscasse, na multiplicidade da cultura brasileira, arquétipos que se repetem.

O aspecto religioso dos trabalhos de Djanira está presente desde seu primeiro desenho – um Cristo (1939) feito no sanatório de São José dos Campos. Para o crítico Clarival do Prado Valladares (1918-1983), também aparece nas obras em que não há a figura de santos e outros seres celestes. Os temas prosaicos ganham “transcendência plástica”, levando o objeto captado para outro plano. Valladares afirma, além disso, que a dualidade da obra de Djanira, composta pela fusão entre pintura mística e pintura terrena, tem “resultado” que “surpreende pela poesia e drama”3.

Notas

1 CAMPOS, Paulo Mendes. Entrevista com Djanira. Manchete, Rio de Janeiro, 1974. Especial Artistas Plásticos.
2 VALLADARES, José. Djanira e a Bahia. In: VALLADARES, José. Artes Maiores e Menores. Salvador: Livraria Progresso, 1957.
3 VALLADARES, Clarival do Prado. A visão retrospectiva da Obra de Djanira. Texto para catálogo da exposição Djanira. Rio de Janeiro: Fundação Nacional de Arte; Museu Nacional de Belas Artes, 1976.

Outras informações de Djanira:

  • Outros nomes
    • Djanira da Motta e Silva
    • Djanira da Mota e Silva
  • Habilidades
    • desenhista
    • ilustrador
    • cartazista
    • cenógrafo
    • gravador
    • pintor

Obras de Djanira: (30) obras disponíveis:

Título da obra: O Circo

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Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoO Circo : 1944
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Reprodução fotográfica Raul Lima

Título da obra: Empinando Pipa

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Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoEmpinando Pipa : 1950
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Reprodução fotográfica Sérgio Guerini/Itaú Cultural

Título da obra: Costureira

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Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoCostureira : 1951
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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Título da obra: Caboclinhos

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Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoCaboclinhos : 1952
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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Título da obra: Retrato

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Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoRetrato : 1954
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Reprodução fotográfica Ricardo Bhering

Título da obra: Candomblé

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Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoCandomblé : 1957
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Reprodução fotográfica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Título da obra: Serradores

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Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoSerradores : 1959
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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Todas as obras de Djanira:

Exposições (219)

Todas as exposições

Eventos relacionados (2)

Fontes de pesquisa (23)

  • ARTE no Brasil. São Paulo : Abril Cultural, 1982. 319 p. 709.81 A163a
  • PEDROSA, Mário. Acadêmicos e modernos: textos escolhidos III. Organização Otília Beatriz Fiori Arantes. São Paulo : Edusp, 1998. 429 p. 701 P372a
  • AMADO, Jorge; VIEIRA, José Geraldo. Djanira. Buenos Aires: Ediciones Bonino, 1961.
  • ARTE no Brasil. Apresentação de Pietro Maria Bardi e Pedro Manuel. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • CAMPOS, Paulo Mendes. Entrevista com Djanira. Manchete, Rio de Janeiro, 1974. Especial Artistas Plásticos.
  • DJANIRA. Djanira. Apresentação Maria Elisa Carrazzoni; comentário Flávio de Aquino, Clarival do Prado Valladares. Rio de Janeiro: MNBA, 1976. 50 p., il. p.b. color.
  • DJANIRA. Djanira. Versão em inglês James Anderson. Rio de Janeiro: Centro Cultural Light, 2000. 71 p., il. p&b, color.
  • DJANIRA. Djanira. Viena: Banco do Brasil, 1978. il. color., foto p&b.
  • DJANIRA. Djanira. Curadoria Ligia Canongia. Rio de Janeiro: Centro Cultural Light, 2000. D623 2000
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  • EXPOENTES da pintura brasileira. Rio de janeiro: Nórdica. 12 pranchas, 10 il.
  • GESIEL JÚNIOR. História de Djanira, brasileira de Avaré. São Paulo: Arcádia, 2000. 143 p. il. p&b.
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  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987. 709.8104 Cg492pr
  • PONTUAL, Roberto. Djanira – O espontâneo domínio. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 out. 1976. Caderno B. p. 6.
  • RAMPAZZO, Lóris Graldi. Djanira na arte brasileira. 1993. 222 p. Tese (Doutorado) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, São Paulo, 1993.
  • RAMPAZZO, LÓRIS GRALDI. Djanira na arte brasileira. 1993. T759.98106 D623r
  • TEMPOS de guerra: Hotel Internacional / Pensao Mauá. Curadoria Frederico Morais. Texto Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1986. RJbanerj 1986/t
  • VALLADARES, Clarival do Prado. A visão retrospectiva da Obra de Djanira. Texto para catálogo da exposição Djanira. Rio de Janeiro: Fundação Nacional de Arte; Museu Nacional de Belas Artes, 1976.
  • XEXÉU, Pedro Martins Caldas; BARATA, Mário; ABREU, Laura Maria Neves de. A arte sob o olhar de Djanira. Coleção Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul Design e Editora Ltda., 2005.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. Pesquisa Cacilda Teixeira da Costa, Marília Saboya de Albuquerque. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 1106 p. 2v. 709.81 H673 v.1

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  • DJANIRA . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa9397/djanira>. Acesso em: 23 de Abr. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7