Artigo da seção pessoas Eliseu Visconti

Eliseu Visconti

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Artes visuais  
Data de nascimento deEliseu Visconti: 30-07-1866 Local de nascimento: (Itália / Campânia / Salerno) | Data de morte 15-10-1944 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Auto-retrato em Três Posições , 1938 , Eliseu Visconti
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Biografia

Eliseu D'Angelo Visconti (Salerno, Itália 1866 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1944). Pintor, desenhista, professor. Vem com a família para o Rio de Janeiro, entre 1873 e 1875, e, em 1883, passa a estudar no Liceu de Artes e Ofícios, com Victor Meirelles (1832-1903) e Estêvão Silva (ca.1844-1891). No ano seguinte, sem deixar o Liceu, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), tendo como professores Zeferino da Costa (1840-1915), Rodolfo Amoedo (1857-1941), Henrique Bernardelli (1858-1936), Victor Meirelles e José Maria de Medeiros (1849-1925). Em 1888, abandona a Aiba para integrar o Ateliê Livre, que tem por objetivo atualizar o ensino tradicional. Com as mudanças ocorridas com a Proclamação da República, a Aiba transforma-se na Escola Nacional de Belas Artes (Enba). Visconti volta a frequentá-la e recebe, em 1892, o prêmio de viagem ao exterior. Vai à Paris e ingressa na École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts [Escola Nacional e Especial de Belas Artes]; cursa arte decorativa na École Guérin, com Eugène Samuel Grasset (ca.1841-1917), um dos introdutores do art nouveau na França. Viaja à Madri, onde realiza cópias de Diego Velázquez (1599-1660), no Museo del Prado [Museu do Prado], e à Itália, onde estuda a pintura florentina. Em 1900, regressa ao Brasil e, no ano seguinte, expõe pela primeira vez na Enba. Executa o ex-libris para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e vence o concurso para selos postais e cartas-bilhetes, em 1904. Em 1905 é convidado pelo prefeito da cidade, engenheiro Pereira Passos, para realizar painéis para a decoração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Entre 1908 e 1913, é professor de pintura na Enba, cargo a que renuncia por descontentamento com as normas do ensino. Retorna à Europa para realizar também, entre 1913 e 1916, a decoração do foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e só se fixa definitivamente no Brasil em 1920. Segundo alguns estudiosos, é considerado um praticante do art nouveau e do desenho industrial e gráfico no Brasil, com obras em cerâmica, tecidos e luminárias.

Análise

Eliseu Visconti, frequenta, em 1883, o Liceu de Artes e Ofícios, no Rio de Janeiro; estuda depois na Aiba. Em 1888, estuda no Ateliê Livre, em protesto ao ensino tradicional da Aiba e estruturado nos moldes da Académie Julian, de Paris.

Com a República, modifica-se a direção da Aiba, que passa a se chamar Escola Nacional de Belas Artes (Enba). Eliseu Visconti volta a frequentar a instituição e com o restabelecimento do prêmio de viagem ao exterior, é o primeiro aluno a recebê-lo, em 1892. Aperfeiçoa-se em Paris na École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts. Estuda também arte decorativa na École Guérin, com Eugène Samuel Grasset, de onde provém seu interesse pelo movimento art nouveau. O contato com as obras de mestres italianos do Renascimento, especialmente Sandro Botticelli (ca.1444 - 1510) e com o simbolismo, se traduz em sua pintura principalmente pela linearidade das figuras, como em Giuventú (1898) e A Dança das Oréades (1899), premiadas na Exposição Internacional de Paris, em 1900, ano em que regressa ao Brasil.

Vivendo um momento de modernização da arte no Brasil, sua obra abre-se às principais tendências internacionais do fim do século XIX e início do século XX. Busca estreitar as relações entre arte e indústria e realiza no Rio de Janeiro, em 1901, uma exposição individual que inclui seus projetos para objetos em ferro, cerâmica, marchetaria, vitrais, estamparia de tecidos e papel de parede. A partir de 1903 alterna períodos na França e no Brasil. Em 1904 executa o ex-libris para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e vence um concurso para selos postais e cartas-bilhetes. Em 1905, realiza o retrato da escultora Nicolina Vaz de Assis (1874 - 1941), um de seus trabalhos mais representativos no gênero, no qual procura ressaltar a elegância e a dignidade da figura. No mesmo ano, é convidado pelo prefeito do Rio de Janeiro, engenheiro Pereira Passos, para executar a decoração (pano de boca, painel decorativo circular do plafond e friso sobre o proscênio) do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Revela grande influência do impressionismo e passa a utilizar cores mais claras e luminosas. O pano de boca do teatro é uma de suas obras mais alegóricas, de caráter levemente simbolista. Relativo ao progresso das artes e da civilização, ele apresenta uma reunião de homens célebres: artistas, músicos e poetas de várias épocas, estrangeiros e brasileiros, em cortejo que tem como figura principal o compositor Carlos Gomes (1836 - 1896). Além desses personagens, há figuras femininas que dançam envoltas em panejamentos esvoaçantes, em fundo de azuis e rosas, realizado com pinceladas leves.

Os modelos para seus quadros, em grande parte, passam a ser sua mulher, Louise Visconti (1882 - 1954), e seus filhos. O artista começa a destacar-se por suas qualidades de colorista. Em Maternidade (1906), elas podem ser vistas no azul da saia de seda da mulher, com reflexos prateados, e no branco da blusa e do chapéu. Para o crítico de arte Mário Pedrosa (1900 - 1981) o contraste das cores e a beleza das texturas dos panos são os assuntos principais da tela. É uma obra que resulta das pesquisas realizadas em contato direto com a natureza, como os estudos de paisagem que faz do jardim de Luxemburgo, em Paris. É nomeado em 1906, ainda na França, professor da cadeira de pintura da Enba, cargo que ocupa de 1908 a 1913. Nesse período, seu trabalho aproxima-se do pontilhismo, como por exemplo, em A Rosa (1909). Em O Retrato de Gonzaga Duque (1908/1910), pinta o maior crítico de arte do período, de modo realista, com uma bem-composta superposição de tons castanhos em fundo escuro.

Em 1913, volta à França para fazer a decoração do foyer do Theatro Municipal, composto de três painéis: Música, Inspiração Poética e Inspiração Musical, nos quais mostra figuras etéreas, vaporosas, em fundo de tons suaves e indefinidos, criando uma atmosfera de sonho. Em 1920, regressa definitivamente ao Brasil. Pinta inúmeras paisagens, como Cura de Sol (1920), cujo cenário é sua pequena propriedade em St. Hubert, nos arredores de Paris. Em Moça no Trigal (s.d.) apresenta uma delicadeza de tons e meias-tintas, "dourados, amarelos, com ligeiras curvas descendentes para os graves roxos e sem remontar aos verdes".1 Considerado pela crítica um renovador da pintura de paisagem no Brasil, anos depois, pinta paisagens de Teresópolis, Rio de Janeiro, como Quaresmas (1942) ou Roupa Estendida (1944), nas quais procura captar o vapor atmosférico da serra, com grande preocupação com a cor e a luz. Para a estudiosa Maria José Sanches, Visconti apresenta a manifestação da luminosidade brasileira, sem deixar de vincular-se à técnica impressionista.

Eliseu Visconti realiza muitos auto-retratos. Mais sóbrios no começo do século, são trabalhados com cores claras e vibrantes e pinceladas largas, no decorrer das décadas de 1930 e 1940. Em vários deles, representa-se como pintor, segurando a paleta ou os pincéis, como em Ilusões Perdidas (1933). Artista eclético, dedica-se com liberdade à sua produção artística, na qual dialoga com tendências contemporâneas como o art nouveau, o simbolismo, o pontilhismo e o impressionismo, buscando a atualização da arte no país.

Notas

1. PEDROSA, Mário. Visconti diante das modernas gerações. In: ______. Acadêmicos e modernos: textos escolhidos III. São Paulo: Edusp, 1998. p.119-133.

Outras informações de Eliseu Visconti:

  • Outros nomes
    • Eliseu D'Angelo Visconti
    • Visconti
    • Eliseo D'Angelo Visconti
    • Elyseu d´Angelo Visconti
  • Habilidades
    • pintor
    • desenhista
    • professor de artes plásticas
  • Relações de Eliseu Visconti com outros artigos da enciclopédia:

Obras de Eliseu Visconti: (41) obras disponíveis:

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Eventos relacionados (2)

Fontes de pesquisa (22)

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Como citar?

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  • ELISEU Visconti. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa9281/eliseu-visconti>. Acesso em: 22 de Jul. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7