Artigo da seção pessoas Ivan Serpa

Ivan Serpa

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deIvan Serpa: 06-04-1923 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 19-04-1973 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
Imagem representativa do artigo

Sem Título , 1963 , Ivan Serpa
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Biografia

Ivan Ferreira Serpa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1923 - idem, 1973). Pintor, gravador, desenhista, professor. Estuda pintura, gravura e desenho com Axl Leskoschek (1889-1975), entre 1946 e 1948, no Rio de Janeiro. Em 1949, ministra suas primeiras aulas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), onde, a partir de 1952, exerce sistemática atividade didática, em especial no ensino infantil. No ano de 1954, publica o livro Crescimento e Criação, com texto de Mário Pedrosa (1900-1981), sobre sua experiência no ensino de arte para crianças. Nesse mesmo ano, ao lado de Ferreira Gullar (1930-2016) e Mário Pedrosa, cria o Grupo Frente, integrado por artistas como Lygia Clark (1920-1988), Hélio Oiticica (1937-1980) e Lygia Pape (1927-2004).

Permanece na liderança do grupo até sua dissolução, em 1956. Apesar da liberdade de pontos de vista estéticos no grupo, há o predomínio de artistas concretistas. Em 1957, recebe o prêmio de viagem ao exterior no Salão Nacional de Arte Moderna (SNAM). Participa da exposição Opinião 65, evento que marca a difusão de uma nova arte de tendência figurativa, a neofiguração. A obra de Ivan Serpa, desde o início de sua carreira, oscila entre o figurativismo e a arte concreta. Em 1970, funda, com Bruno Tausz, o Centro de Pesquisa de Arte no Rio de Janeiro.

Análise

Ivan Serpa começa a pintar no início dos anos 1940. A partir de 1946, estuda desenho, gravura e pintura com o austríaco Axl Leskoschek. Neste período, produz muito. Realiza trabalhos figurativos com pouca preocupação temática ou literária. Toma distância das abordagens da pintura acadêmica e do modernismo nacionalista, de artistas como Candido Portinari (1903-1962) e Di Cavalcanti (1897-1976), interessa-se pela estrutura da composição e pelo ritmo das formas. Não por acaso, em 1947, realiza sua primeira pintura abstrata: um pequeno guache gestual, ordenado geometricamente. Nos primeiros anos da década de 1950 o interesse pela abstração se torna sistemático. O artista recompõe os temas tradicionais da pintura, como a natureza-morta, utilizando cores puras e formas orgânicas. Em outros trabalhos, decompõe referências figurativas em padrões geométricos.

Em 1951, faz a pintura construtiva Formas, onde demonstra seu interesse crescente pela abstração geométrica. O contato com as obras de artistas concretos como Sophie Taeuber-Arp e Max Bill na 1ª Bienal Internacional de São Paulo irá reforçar estas convicções. Com Formas, ganha o título de Melhor Pintor Jovem nessa Bienal. Ele adere ao concretismo no mesmo ano. Nas telas desaparecem as referências ao mundo real, bem como a relação harmoniosa entre figura e fundo. As obras são feitas com formas geométricas e planas, organizadas matematicamente.

No ano seguinte, torna-se professor da escola de artes do MAM/RJ. De acordo com o crítico Reynaldo Roels, Serpa é "a alma dos cursos da instituição".1 Leciona para crianças e adultos. No Museu, forma Hélio Oiticica, Décio Vieira (1922-1988), Aluísio Carvão (1920-2001) e muitos outros. Segundo o crítico Mário Pedrosa, nestas aulas "se cultiva a liberdade completa de expressão".2 Serpa atua no meio artístico como pintor, professor e animador cultural.

Ele reúne alguns de seus alunos e outros artistas do Rio de Janeiro, como Abraham Palatnik (1928) e Franz Weissmann (1911-2005), e funda o Grupo Frente, entre 1953 e 1954. Apesar de não ser um grupo concreto, strictu sensu, o coletivo abriga a produção concreta carioca. No entanto, como a pintura de Serpa, eles não tomam partido dogmático em favor do concretismo. Nas exposições do grupo, participavam, além dos artistas abstratos do Rio, alguns pintores naïf e até um aluno das turmas infantis do MAM/RJ: Carlos Val. Serpa lidera o grupo até a sua dissolução, em 1956.

Nesse momento, seu trabalho segue os princípios construtivos à risca. Suas formas são geométricas e objetivas, realizadas com materiais industriais e texturas neutras. O título de suas séries revela a impessoalidade dos trabalhos. Chamam-se Faixas Ritmadas e Construções. No entanto, dentro deste esquema, Serpa se permite pequenas ousadias. Mais heterodoxo que os concretos paulistas, ele, por exemplo, usa cores "pouco objetivas", como o marrom. Entre o fim dos anos 1950 e começo dos 1960, o trabalho ganha novos contornos. Serpa revê a sua posição concreta e passa a incorporar elementos menos determinados: como gestos, manchas e respingos de tinta. Em 1960, influenciado pelo desenho infantil,3 pinta manchas informes. Com elas, constrói imagens entre a abstração e a figuração. Nessa época, atua como restaurador de livros na Biblioteca Nacional. O trabalho serve como inspiração para a série dos Anóbios, feita entre 1961 e 1962. Nela são sugeridas figuras a partir de pequenas marcas coloridas, dispersas e aparentemente aleatórias.

A partir de 1963, intensifica-se seu interesse pela figuração. Ivan Serpa identifica-se com o expressionismo e desenvolve uma figuração gestual, nos moldes do Grupo CoBrA. Esta produção irá aproximá-lo dos artistas que seriam agrupados sob o rótulo de Nova Objetividade Brasileira. De par com esta nova figuração, realiza trabalhos como sua Série Negra, as séries de Bichos e Mulheres com Bichos. Algumas obras incorporam letreiros e a sobreposição de formas geométricas. A produção é exposta em mostras importantes, como Opinião 65, Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira.

Em 1967, o artista inicia sua série Op Erótica. O trabalho marca seu retorno à linguagem construtiva. Interessado na op art, ele retoma a construção geométrica e os elementos bem definidos. Desenvolve outras séries com essa característica, como Mangueira e Amazônicas. O rigor construtivo é amenizado. As formas se tornam sinuosas e sensuais. As cores são suaves. Essas obras o levaram às Arcas, móveis com formas brancas no seu interior. O trabalho com planos op, dará origem às pinturas Geomânticas, a partir de 1969. Trabalha nestes quadros até 1973, quando falece, com apenas 49 anos.

Notas

1 SERPA, Ivan. Retrospectiva: 1947-1973. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1993. p.23.
2 PEDROSA, Mário. Crescimento e Criação. In: ______. Forma e percepção estética: textos escolhidos II. São Paulo: Edusp, 1996. p.76.
3 Op. cit. p.30.

Outras informações de Ivan Serpa:

  • Outros nomes
    • Ivan Ferreira Serpa
    • Serpa
  • Habilidades
    • desenhista
    • professor de artes plásticas
    • pintor
    • gravador

Obras de Ivan Serpa: (31) obras disponíveis:

Título da obra: Formas

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoFormas : 1951
Autores da obra:
Imagem representativa da obra
Legenda da imagem representativa:

Reprodução fotográfica Vicente de Mello

Todas as obras de Ivan Serpa:

Exposições (281)

Todas as exposições

Eventos relacionados (4)

Fontes de pesquisa (26)

  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte moderna. Organização Nelson Aguilar; coordenação Suzanna Sassoun; tradução Izabel Murat Burbridge, John Norman; curadoria Nelson Aguilar, Franklin Espath Pedroso, Maria Alice Milliet; curadoria geral Nelson Aguilar; apresentação Edemar Cid Ferreira. São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais/ Fundação Bienal de São Paulo, 2000. 255 p.
  • OPINIÃO 65. Curadoria e apresentação Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985. [72] p., il. p&b. (Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro).
  • PEDROSA, Mário. Acadêmicos e modernos: textos escolhidos III. Organização Otília Beatriz Fiori Arantes. São Paulo : Edusp, 1998. 429 p.
  • AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na arte (1950-1962). Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna; São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1977. 360 p.
  • Arte construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner. Tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: DBA, 1998. 364 p. 
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979. v. 2, 452 p., il. color.
  • AXL Leskoschek e seus alunos: Brasil / 1940-1948. Curadoria Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985. (Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro).
  • AYALA, Walmir (org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: MEC / INL, 1980. v.4: Q a Z. (Dicionários especializados, 5).
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BRASIL Europa: encontros no século XX. Curadoria Marc Pottier. Curadoria Jena Boghici; texto Aracy Amaral, Frederico Morais, Antonio Callado, et. al. Brasília: Caixa Cultural, 2000. 79 p.
  • BRITO, Ronaldo. Neoconcretismo: vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro. Tradução Lia Wyler. Rio de Janeiro: Funarte, 1985. 119 p. (Temas e debates, 4).
  • DACOLEÇÃO: os caminhos da arte brasileira. Texto Frederico Morais. São Paulo: Júlio Bogoricin, 1986. 263 p., il. color.
  • DUARTE, Paulo Sérgio. Anos 60: transformações da arte no Brasil. Rio de Janeiro: Lech, 1998. 324 p.
  • EMBLEMAS do corpo: o nu na arte moderna brasileira. Curadoria Franklin Espath Pedroso; texto Paulo Sérgio Duarte. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1993. 80 p., il. p&b, color.
  • GRUPO frente / I Exposição Nacional de Arte Abstrata: 1954-1956 / Hotel Quitandinha - 1953. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1984. [72] p., il. p&b.
  • GULLAR, Ferreira. Etapas da arte contemporânea: do cubismo à arte neoconcreta. 2. ed. Rio de Janeiro: Revan, 1998. 304 p., il. p&b.
  • LAKS, Sergio (coord.). Gravura moderna brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes. Curadoria Rubem Grilo; revisão Soraya Araujo; apresentação Luiz Paulo Fernandez Conde, Helena Severo, Heloisa Aleixo Lustosa; texto Wilson Coutinho, Rubem Grilo, Anna Bella Geiger et al. Rio de Janeiro: MNBA, 1999. 135 p.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • O DESENHO moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand. São Paulo: Galeria de Arte do Sesi, 1993. 64 p., il. p&b color.
  • PEDROSA, Mário. Arte e vida. Forma e percepção estética: textos escolhidos II. Organização Otília Beatriz Fiori Arantes. São Paulo: Edusp, 1996. 368 p., il. p&b color.
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Texto Mário Barata, Lourival Gomes Machado, Carlos Cavalcanti et al. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. 559 p.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • RESUMO JB: exposição. Rio de Janeiro: MAM, 1965. , il. p&b. RJmam 1965
  • SERPA, Ivan. Retrospectiva: 1947-1973. Curadoria Reynaldo Roels Jr.; texto Reynaldo Roels Jr.. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1993. 99 p., il. color. 1 folder.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. Pesquisa Cacilda Teixeira da Costa, Marília Saboya de Albuquerque. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 1106 p. 2v.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • IVAN Serpa. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8922/ivan-serpa>. Acesso em: 26 de Jul. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7