Artigo da seção pessoas Hermelindo Fiaminghi

Hermelindo Fiaminghi

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Artes visuais  
Data de nascimento deHermelindo Fiaminghi: 22-10-1920 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de morte 29-06-2004 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Virtual II , 1958 , Hermelindo Fiaminghi
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Biografia

Hermelindo Fiaminghi (São Paulo SP 1920 - idem 2004). Pintor, desenhista, artista gráfico, litógrafo, publicitário, professor e crítico. Entre 1936 e 1941, freqüenta o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, onde estuda com Lothar Charoux (1912-1987) e Waldemar da Costa (1904-1982). Dedica-se à litografia, trabalhando nas principais indústrias gráficas de São Paulo. Em 1946, monta sua primeira empresa, o Graphstudio, atuando em produção gráfica. No começo da década de 1950, inicia trabalhos abstratos, em que revela a influência da arte construtiva. Colabora ainda com os poetas concretos na programação gráfica de seus poemas. Entre 1959 e 1966, freqüenta o ateliê de Alfredo Volpi (1896-1988). Integra o Grupo Ruptura, liderado por Waldemar Cordeiro (1925-1973). Participa da criação do ateliê coletivo do Brás, onde desenvolve a série Virtuais, trabalhando ainda com esmalte sobre eucatex. No começo da década de 1960, o artista inicia trabalhos com têmpera e faz experiências com a cor. Passa a utilizar o termo Corluz para designar seus trabalhos, desenvolvendo pesquisas com retículas em offset. É co-fundador da Associação de Artes Visuais e da Galeria Novas Tendências, em São Paulo, criadas em 1963. Em 1969, funda o Ateliê Livre de Artes Plásticas, em São José dos Campos, São Paulo, no qual atua como diretor e professor.

Análise

Hermelindo Fiaminghi freqüenta o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, entre 1936 e 1941, onde estuda pintura com Waldemar da Costa. Cursa também artes gráficas, que exercerá ao longo de toda a sua carreira. Dedica-se à litografia, trabalhando nas principais indústrias gráficas de São Paulo. A partir de 1946, atua em publicidade. Fiaminghi adere ao movimento concreto em 1955. Contribui na produção gráfica dos poemas-cartazes dos escritores concretos paulistas, como Haroldo de Campos (1929-2003) e Décio Pignatari (1927-2012). Em 1959, Fiaminghi rompe com Waldemar Cordeiro e o grupo de artistas concretistas de São Paulo.

No início da carreira, dedica-se à abstração geométrica. Suas obras destacam-se pelo ritmo visual das composições, como em Long Play (1955), no qual trabalha com a sugestão de deslocamento de figuras geometrizadas. Utiliza freqüentemente uma gama reduzida de cores. A partir de 1958, produz a série Virtuais, em esmalte sobre madeira aglomerada. Utiliza poucas figuras, definidas por planos de cor, que apresentam certa ambigüidade, por se constituírem à superfície plana do quadro e, ao mesmo tempo, se inserirem no espaço cúbico, construído por planos ortogonais, como ocorre em Virtual XIV (1958).

Entre 1959 e 1966, freqüenta o ateliê de Alfredo Volpi, com quem aprende pintura a têmpera. Troca a madeira por telas de linho. Em suas pinturas, passa a utilizar cada vez mais a transparência das cores. Com a série de trabalhos denominada Cor-Luz, inicia pesquisas em torno da fusão e difusão da cor pela incidência da luz. Pinta telas inspiradas nas superfícies quadriculadas que compõem a retícula gráfica. Realiza também experimentos com slides, que são posteriormente impressos em off-set, buscando precisão ótica.

Posteriormente, sua pincelada tende a tornar-se mais gestual, subvertendo a trama quadriculada que estrutura suas telas. Na década de 1980, realiza uma série de "desretratos", como o de Haroldo de Campos, de 1985, e de "despaisagens", com pinceladas livres, que revelam o colorido como superfície flutuante. Nessa época, encantado com a pintura de Claude Monet (1840-1926), Fiaminghi revê suas obras e afirma: "Tudo o que eu vinha pensando está lá", e, quase como um antigo pintor impressionista, diz: "Persigo a luz, mas a luz é fugidia".

Fiaminghi revela em sua produção grande liberdade no uso da cor. Ao longo de sua carreira, concilia a dupla atividade de artista plástico e de profissional de artes gráficas, sendo considerado por alguns críticos como pioneiro na utilização do off-set como linguagem de criação artística.

Outras informações de Hermelindo Fiaminghi:

Obras de Hermelindo Fiaminghi: (36) obras disponíveis:

Todas as obras de Hermelindo Fiaminghi:

Midias (2)

Itaú Cultural

Hermelindo Fiaminghi revela que aprendeu a fazer litografia na pedra. Cada uma delas representando uma cor. “É um troço espetacular a litografia. Você começa a desenhar na pedra e aprende a não errar”, diz. Nesse processo, o artista cria intimidade com a cor, desenvolvendo diversas tonalidades. “Mas isso, para a pintura, não serve, porque você conhece demais e faz de menos!” Durante os anos 1960, Fiaminghi frequenta o ateliê de Alfredo Volpi, que lhe ensina, por exemplo, como preparar uma tela. Cansado da pintura, o artista passa às formas geométricas, aderindo ao concretismo. “A pintura concreta tem poucas cores e muita forma”, descreve. “A pintura concreta é uma beleza de ensinamento. Na hora que você começa a executá-la, descobre o que estava errado antes. Ela te norteia para uma qualidade que é uma surpresa”, acredita. A pintura, para ele, não é uma realização pessoal, é uma atitude de aprendizado eterna.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de início7ª sp-arte: 12-05-2011  |  Data de término | 15-05-2011
Resumo do artigo 7ª sp-arte:

Fundação Bienal de São Paulo

Fontes de pesquisa (18)

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  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
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  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • WILDER, Gabriela Suzana. Waldemar Cordeiro: pintor vanguardista, difusor, crítico de arte, teórico e líder do movimento concretista nas artes plásticas em São Paulo, na década de 50. 1982. 294p. Dissertação (Mestrado em Artes) ? Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, São Paulo, 1982.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 2v.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • HERMELINDO Fiaminghi. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8784/hermelindo-fiaminghi>. Acesso em: 22 de Jan. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7