Artigo da seção pessoas Guignard

Guignard

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Artes visuais  
Data de nascimento deGuignard: 25-02-1896 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Nova Friburgo) | Data de morte 26-06-1962 Local de morte: (Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte)
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São Sebastião , 1960 , Guignard
Reprodução fotográfica Pedro Oswaldo Cruz

Biografia
Alberto da Veiga Guignard (Nova Friburgo RJ 1896 - Belo Horizonte MG 1962). Pintor, professor, desenhista, ilustrador e gravador. Muda-se com a família para a Europa em 1907. Em dois períodos, entre 1917 e 1918 e entre 1921 e 1923, freqüenta a Königliche Akademie der Bildenden Künste [Real Academia de Belas Artes] de Munique, onde estuda com Hermann Groeber (1865 - 1935)  e Adolf Hengeler (1863 - 1927). Aperfeiçoa-se em Florença e em Paris, onde participa do Salão de Outono. Retorna para o Rio de Janeiro em 1929 e integra-se ao cenário cultural por meio do contato com Ismael Nery (1900 - 1934). No ano seguinte, instala ateliê no Jardim Botânico, que retrata em várias obras. Participa do Salão Revolucionário de 1931, e é destacado por Mário de Andrade (1893 - 1945) como uma das revelações da mostra. De 1931 a 1943, dedica-se ao ensino de desenho e gravura na Fundação Osório, no Rio de Janeiro. Entre 1940 e 1942, vive num hotel em Itatiaia, pinta a paisagem local e decora peças e cômodos do hotel. Em 1941, integra a Comissão Organizadora da Divisão de Arte Moderna do Salão Nacional de Belas Artes, com Oscar Niemeyer (1907 - 2012) e Aníbal Machado (1894 - 1964). Em 1943, passa a orientar alunos em seu ateliê e cria o Grupo Guignard. A única exposição do grupo, realizada no Diretório Acadêmico da Escola Nacional de Belas Artes - Enba, é fechada por alunos conservadores e reinaugurada na Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em 1944, a convite do prefeito Juscelino Kubitschek (1902 - 1976), transfere-se para Belo Horizonte e começa a lecionar e dirigir o curso livre de desenho e pintura da Escola de Belas Artes, por onde passam Amilcar de Castro (1920 - 2002), Farnese de Andrade (1926 - 1996) e Lygia Clark (1920 - 1988), entre outros. Permanece à frente da escola até 1962, quando, em sua homenagem, esta passa a chamar-se Escola Guignard. Sua produção compreende paisagens, retratos, pinturas de gênero e de temática religiosa.

Análise
Guignard inicia estudos artísticos na Königliche Akademie der Bildenden Künste [Real Academia de Belas Artes] de Munique, que freqüenta em dois períodos: entre 1917 e 1918 e entre 1921 e 1923. Estuda desenho e pintura com Herman Groeber (1865 - 1935), membro da Sezession alemã, e com Adolf Hengeler (1863 - 1927), artista gráfico e ilustrador. Em sua estada na Alemanha dedica-se assiduamente a estudos da arte flamenga na Pinacoteca de Munique. Entre 1925 e 1928, prossegue os estudos em Florença, onde se identifica com a obra de Alessandro Botticelli (1444/1445-1510) e de Raoul Dufy (1877 - 1953), e se liberta da rigidez acadêmica, marcando sua passagem para o modernismo.

Com o aprendizado técnico concluído, volta definitivamente ao Brasil, em 1929, e vai residir no Rio de Janeiro. Pinta a cidade em cores claras e pinceladas miúdas. Realiza uma série de trabalhos sobre o Jardim Botânico, onde instala ateliê, como a obra Bambu (1937), que recebe o 2º prêmio no Salão Oficial de Buenos Aires. De acordo com o crítico Frederico Morais, "o invólucro da luz na estrutura gótica dessa obra belíssima já remete, de certa forma, ainda que de maneira radiosa, ao orientalismo presente na grande série de 'paisagens imaginantes' dos anos finais da vida do artista em Minas Gerais".1

Por dedicar-se a praticamente todos os gêneros da pintura - retrato, auto-retrato, paisagem, natureza-morta, flor, pintura de gênero e pintura religiosa - costuma, em muitas obras, tratar de dois ou mais gêneros na mesma tela, como em suas naturezas-mortas, de número reduzido e quase sempre de caráter fantástico, que trazem uma paisagem ao fundo.

Os retratos, considerados por alguns críticos como a vertente mais fértil de sua obra, constituem a maior parte de sua produção e trazem pessoas de sua família, amigos ou filhos de amigos, intelectuais, artistas e auto-retratos. Nesses não deixa de fazer menção ao seu defeito congênito, o lábio leporino, também presente em representações de Cristo e outras figuras religiosas. Na produção de retratos destaca-se a obra As Gêmeas (1940), com a qual recebeu o prêmio de viagem ao país, na divisão moderna do Salão Nacional de Belas Artes. A tela retrata as irmãs Léa e Maura sentadas num sofá, tendo ao fundo a paisagem de Laranjeiras, bairro do Rio de Janeiro.

O crítico de arte Teixeira Leite2 vê na obra de Guignard traços da nova objetividade - movimento alemão que transpõe os limites do real, buscando impregná-lo de poesia -, aproximando-a, pelo tema tratado, à obra do pintor francês Henri Rousseau (1844 - 1910), especialmente na fase denominada lirismo nacionalista, representada por Casamento na Roça (1960), Família do Fuzileiro Naval (ca.1937) e Família na Praça.

Para o historiador da arte Rodrigo Naves,3 a pintura de Guignard tem um caráter decorativo acentuado, como a obra Os Noivos (1937), repleta de arabescos e outros motivos. Em sua pintura o decorativo está presente nos retratos, nos arranjos florais, nas estampas das roupas e em toda ornamentação em torno de seus modelos femininos, além de tetos, painéis, móveis e objetos que pintou. Guignard também inovou em sua atividade docente. A partir de 1931, ensina desenho e pintura para órfãos de militares, na Fundação Osório, no Rio de Janeiro. Em 1936, leciona desenho no Instituto de Artes do Distrito Federal. Em 1943, funda com outros artistas, no diretório acadêmico da Escola Nacional de Belas Artes - Enba, o Grupo Guignard, no qual orienta, entre outros, Iberê Camargo (1914 - 1994) e Waldemar Cordeiro (1925 - 1973). Em 1944, a convite do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek (1902 - 1976), dá aulas num curso livre de pintura na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, também conhecida por Escola do Parque e atual Escola Guignard. Seus alunos o consideram um professor democrático, de temperamento informal, que os estimula intuitivamente. Entre outros, freqüentam a Escola Guignard: Amilcar de Castro (1920 - 2002), Mary Vieira (1927 - 2001) e Farnese de Andrade (1926 - 1996).

Na década de 1960, Guignard pinta as "paisagens imaginantes". Nelas, sua palheta volta-se para um cinza esbranquiçado e, como aponta Rodrigo Naves,4 tudo parece estar em suspensão, sem solo ou pontos de apoio firmes. Não há caminhos, acidentes geográficos nem distâncias. Há apenas um mundo nublado e tristonho.

Notas
1 MORAIS, Frederico. In: FROTA, Lélia Coelho. Guignard: arte, vida. Rio de Janeiro: Campos Gerais, 1997. p. 55.
2 LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. p. 240.
3 NAVES, Rodrigo. O Brasil no Ar. In: ______. A forma difícil: ensaios sobre arte brasileira. São Paulo: Ática, 1996. 
4 Idem. Ibidem. 

Outras informações

  • Outros nomes
    • Alberto da Veiga Guignard
  • Habilidades
    • pintor
    • desenhista
    • professor de artes plásticas
    • ilustrador
    • gravador

Obras (62)

Artigo sobre Flores

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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de criaçãoFlores : 1932
Autores da obra:
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Legenda da imagem representativa do artigo:

Reprodução fotográfica José Paulo Monteiro Soares

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Artigo sobre The First Representative Collection of Paintings by Brazilian Artists (1930 : Nova York, Estados Unidos)

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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioThe First Representative Collection of Paintings by Brazilian Artists (1930 : Nova York, Estados Unidos): 11-10-1930  |  Data de término | 30-10-1930
Resumo do artigo The First Representative Collection of Paintings by Brazilian Artists (1930 : Nova York, Estados Unidos):

Nicholas Roerich Museum (Nova York, Estados Unidos)

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Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (12)

  • GUIGNARD, Alberto da Veiga. O Humanismo lírico de Guignard. Curadoria Jean Boghici; versão em inglês Carolyn Brisset. Rio de Janeiro: Museu Nacional de Belas Artes, 2000. 287 p., il. color.
  • ARTE no Brasil. Prefácio Pietro Maria Bardi; introdução Pedro Manuel. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 2 v.
  • FROTA, Lélia Coelho. Guignard: arte, vida. Rio de Janeiro: Campos Gerais, 1997.
  • GUIGNARD. Uma seleção da obra do artista. Curadoria Sônia Salzstein; apresentação Marilena Chauí. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1992.
  • KLINTOWITZ, Jacob. A Cor na arte brasileira: 27 artistas representativos. São Paulo: Volkswagen do Brasil, 1982.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • MORAIS, Frederico. A Olinda de Guignard na casa de Barros Carvalho. Apresentação Gerardo Mello Mourão. Rio de Janeiro: RIOARTE/Fundação Nacional Pró-Memória, 1985.
  • MORAIS, Frederico. Alberto da Veiga Guignard. Rio de Janeiro: Monteiro Soares, 1979.
  • NAVES, Rodrigo. A Forma difícil: ensaios sobre arte brasileira. São Paulo: Ática, 1996.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • VIEIRA, Ivone Luzia. A Escola Guignard na cultura modernista de Minas: 1944-1962. Pedro Leopoldo: CESA, 1988.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. Pesquisa Cacilda Teixeira da Costa, Marília Saboya de Albuquerque. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 1106 p. 2v.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • GUIGNARD . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8669/guignard>. Acesso em: 31 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7