Artigo da seção pessoas Carmela Gross

Carmela Gross

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deCarmela Gross: 16-02-1946 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
Imagem representativa do artigo

Cachoeira , 1985 , Carmela Gross
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Maria do Carmo da Costa Gross (São Paulo, São Paulo, 1946). Artista visual. As primeiras obras de Carmela Gross nos anos 1960 são realizadas enquanto estuda artes plásticas na Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, no curso de Formação de Professores de Desenho. A partir de 1972, é vinculada à área de Poesias Visuais no Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), onde leciona na graduação e na pós-graduação. 

Em 1981, conclui o mestrado em Artes na ECA e, em 1987, o doutorado, ambos sob orientação do crítico de arte e curador Walter Zanini (1925-2013). Essas pesquisas acadêmicas, Projeto para a Construção de um Céu e Pintura-Desenho, tornam-se obras e são expostas respectivamente na Bienal de São Paulo, em 1981, e no Museu de Arte Contemporânea (MAC), em 1987. Em 1991, a artista recebe bolsa de estudos e passa quatro meses no The European Ceramics Workcentre, em Hertogenbosch, Holanda. O resultado da residência artística é apresentado na exposição Facas, inaugurada em 1994 Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, e no Museu de Arte Moderna (MAM), em 1995, em São Paulo. Em 2000, o livro Carmela Gross, com entrevistas e panorama de sua trajetória artística é publicado pela editora Cosac & Naify.

Participa de sete edições da Bienal de São Paulo (1967, 1969, 1981, 1983, 1989, 1998 e 2002); três edições do evento Arte Cidade (1994, 1997, 2002); 2a Bienal Nacional de Artes Plásticas (1968), em Salvador; 2a Bienal de Arte Contemporânea de Moscou (2007); e da 5a Bienal do Mercosul (2015), em Porto Alegre. Apresenta suas obras no Itaú Cultural, no Centro Universitário Maria Antônia, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, entre outras instituições no Brasil e no exterior. Produz obras públicas para as cidades de Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Laguna (Santa Catarina) e Paris (França). Seus trabalhos fazem parte de coleções, como a do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea da USP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte de Brasília, Museu de Arte do Paraná, Fundação Padre Anchieta, Itaú Cultural e Biblioteca Luis Angel Arango de Bogotá.

 

Análise

A cena artística durante o final dos anos 1960 presta-se a experimentações conceituais e técnicas, ainda que o governo da ditadura civil-militar cerceie a liberdade de expressão no País. O percurso de Carmela Gross, iniciado nesse período, trata da pesquisa teórica e formal, criando um repertório complexo. O material utilizado em sua obra, extraído do contexto original, serve como meio para a observação do processo artístico. Sua produção engloba desenhos, gravuras, pinturas, esculturas e intervenções públicas.

Conceitualmente, a discussão sobre o limite da arte encontra-se desde os primeiros trabalhos, como Nuvens (1967): um conjunto de seis peças de madeira pintadas com material industrial (esmalte azul) representando nuvens, cuja perfeição da forma sugere que se trata da replicação de um desenho. A ligação com a arte pop na escolha do tema e do material é evidenciada pela repetição na execução (que não implica a marca individual do artista) e pela crítica à avidez da sociedade de consumo.

A série Carimbos (1977-1978), apresentada na primeira individual da artista, na Galeria Monica Filgueiras/Raquel Arnaud, em São Paulo, retoma a fronteiras formais e os processos de produção. Nessa obra, 80 folhas de papel de 70 cm x 100 cm são carimbadas com signos que se referem a partes constituintes de um trabalho de arte-modelo (carimbo-manchas; carimbo-rabiscos; carimbo-linhas). A artista propõe uma versão-padrão, ordenada e reprodutível do fazer artístico que, a partir da linguagem, do uso de signos da cultura de massa e da realidade cotidiana, debruça-se sobre questões simbólicas do uso do espaço expositivo ou urbano.

A obra Quasares (1983) acentua o interesse pelo papel como suporte, mas é o embasamento teórico que articula o resultado formal. O título refere-se aos objetos celestes que, pela distância, não são identificáveis, apenas percebidos pela radiação que emitem. A obra apresenta 11 lâminas de papel com impressão off set, cobertas por um vidro transparente, dispostas no chão. As imagens do papel são geradas pela escolha de pequenas ilustrações impressas que, por meio da atuação da artista, são desconfiguradas até ficarem irreconhecíveis. Essa desconstrução retoma conceitualmente a feitura do desenho e revela novas leituras e significados.

Carmela explora a relação com a cidade pela primeira vez com A Negra (1997), escultura cuja forma é criada pela acumulação de camadas de tule preto, fixadas em uma estrutura de ferro móvel, criando um grande volume vertical com mais de três metros. A obra é apresentada na avenida Paulista como parte da mostra Diversidade da Escultura Brasileira Contemporânea, produzida pelo Itaú Cultural. O estranhamento no contato entre obra e fluxo urbano cotidiano ativa novas possibilidades de reflexões críticas, estéticas e sociais.

Durante a da 25a Bienal de São Paulo, expõe do lado de fora do edifício da Bienal a obra HOTEL, painel luminoso de led onde se lê o título da obra em neon vermelho. Por sua dimensão, a obra pode ser vista à distância e durante à noite. A localização reforça o diálogo entre espaço institucional, obra e cidade e critica o sistema de arte, no qual o consumo é anunciado e vendido em termos simbólicos e efetivos.

Duas mostras retrospectivas acontecem em São Paulo nos anos 2000. A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta a exposição Corpo de Ideias (2010), com trabalhos realizados entre 1965 e 2010, e a Chácara Lane, em 2016, recebe Arte à Mão Armada. As mostras recebem instalações inéditas, pensadas para os espaços institucionais onde são exibidas: em Iluminuras, luzes de emergência são fixadas em toda extensão da fachada da Estação Pinacoteca; em Escada Chácara Lane, a artista conecta, por uma escada-escultura, a escola pública vizinha à Chácara Lane, como um convite para os alunos acessarem o espaço.

Aliada a um arcabouço conceitual, Carmela propõe a desarticulação entre os elementos formais que compõem a obra, trazendo a matéria a um estado anterior a qualquer decodificação, para expor, pelo arranjo e pela repetição, o sistema arbitrário em que esses códigos se inserem.

Outras informações de Carmela Gross:

  • Outros nomes
    • Maria do Carmo Gross Nitsche
    • Carmela Gros
  • Habilidades
    • Artista visual
    • Desenhista
    • Artista multimídia
    • professor de artes plásticas
    • Gravadora
    • Escultora
    • Pintora

Obras de Carmela Gross: (31) obras disponíveis:

Todas as obras de Carmela Gross:

Midias (1)

Carmela Gross - Enciclopédia Itaú Cultural
O desenho é o ponto de partida da criação de Carmela Gross. Independentemente do suporte ou da técnica, suas obras surgem sempre no papel. “[O artista] escreve através do desenho. Ele anota as ideias e articula modos de produção”, diz ela. Autora de vários projetos de intervenção urbana, Carmela vê a arte contemporânea profundamente conectada à cidade, que possibilita novas formas de o público se relacionar com as obras. “Quando você está na rua, esse objeto ‘artístico’ pode ser observado indiferentemente por um passante, que nem se dá conta de que aquilo é um pensamento artístico”, comenta a criadora de Cascata, uma escadaria de concreto idealizada para a Bienal do Mercosul, às margens do Rio Guaíba, em Porto Alegre (RS). Seu objetivo, afirma, é criar uma interferência poética no cotidiano. “Mas, às vezes, essa intenção não é percebida, e isso não tem importância. Isso me agrada muito”, conclui.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Exposições (323)

Artigo sobre 4ª Jovem Arte Contemporânea

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de início4ª Jovem Arte Contemporânea: 18-11-1970  |  Data de término | 20-12-1970
Resumo do artigo 4ª Jovem Arte Contemporânea:

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP)

Artigo sobre Vídeo - MAC

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioVídeo - MAC : 1977
Resumo do artigo Vídeo - MAC :

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP)

Todas as exposições

Eventos relacionados (7)

Artigo sobre Arco 2002

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioArco 2002: 14-02-2002  |  Data de término | 19-02-2002
Resumo do artigo Arco 2002:

Parque Ferial Juan Carlos I

Artigo sobre Arco 2003

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioArco 2003: 13-02-2003  |  Data de término | 18-02-2003
Resumo do artigo Arco 2003:

Parque Ferial Juan Carlos I

Artigo sobre Arco 2009

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioArco 2009: 11-02-2009  |  Data de término | 16-02-2009
Resumo do artigo Arco 2009:

Instituição de Feiras de Madrid

Artigo sobre sp-arte 2010

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de iníciosp-arte 2010: 29-04-2010  |  Data de término | 02-05-2010
Resumo do artigo sp-arte 2010:

Fundação Bienal de São Paulo

Artigo sobre sp-arte 2011

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de iníciosp-arte 2011: 12-05-2011  |  Data de término | 15-05-2011
Resumo do artigo sp-arte 2011:

Fundação Bienal de São Paulo

Fontes de pesquisa (26)

  • GROSS, Carmela. Quasares. Firenze: Zona, 1984. folha dobrada, il. p&b.

  • ARTE e artistas plásticos no Brasil 2000. São Paulo: Meta, 2000.
  • AMARAL, Aracy. Carmela Gross 1993: um olhar em perspectiva. In: GROSS, Carmela. Hélices. Rio de Janeiro: MAM, 1993.
  • AMARANTE, Leonor. As Bienais de São Paulo: 1951-1987. São Paulo: Projeto, 1989. 408 p., il. p&b., color.
  • ARTISTAS brasileiros na 20ª Bienal Internacional de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989.
  • BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. Carmela Gross. São Paulo: Cosac & Naify, 2000. 150 p., il. color.
  • BOGEA, M. (Org.). Carmela Gross, Escadas. 1.ed. Rio de Janeiro: Casa França Brasil, 2013.
  • CANTON, Katia. Novíssima arte brasileira: um guia de tendências. São Paulo: Iluminuras, 2001.
  • CORRÊA, Sílvia Denise Alves. Carmela Gross. Fólios, Centro Mário Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes. Disponível em: http://www2.eca.usp.br/cms/index.php?option=com_content&view=article&id=57:carmela-gross-&catid=14:folios&Itemid=10.  Acesso em: julho 2017.
  • DUARTE, Paulo Sérgio. Anos 60: transformações da arte no Brasil. Rio de Janeiro: Lech, 1998.
  • FARIAS, Agnaldo. Arte brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002. (Col. Folha Explica)
  • FONTES, Adriana Pereira da Silva. Carmela Gross em seus territórios poéticos. Rio de Janeiro, 2012. 183p. Dissertação (Mestrado em História Social da Cultura) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
  • GROSS, Carmela. Carmela Gross. São Paulo: Galeria São Paulo, 1990. [14] p., il. p&b. color.
  • GROSS, Carmela. Facas. Versão em inglês Ann Puntch, Heloisa Prieto; texto Sônia Salzstein. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. 19 p., il. p&b. color.
  • GROSS, Carmela. Objetos bestas. Brasília: Espaço Capital Arte Contemporânea, 1989. folha dobrada, il. p&b.
  • GROSS, Carmela. Project for the construction of a sky: drawings. Washington: Art Gallery Brazilian-American Cultural Institute, 1982. folha dobrada, il. p&b.
  • GROSS, Carmela. Carmela Gross. São Paulo: Galeria Luisa Strina, 1986. folha dobrada, 4 il. color.
  • GROSS, Carmela. Entrevista a Fábio Malavoglia. Carmela Gross revisita 50 anos de carreira com exposição multimídia e instalação. Rádio Cultura FM. 20 de dez. 2016.  Disponível em: http://culturafm.cmais.com.br/radiometropolis/carmela-gross-revisita-50-anos-de-carreira-com-exposicao-multimidia-e-instalacao.  Acesso em: julho 2017.
  • GROSS, Carmela. PdIeNsTeUnRhAo. São Paulo: MAC, 1987. [36 p.], il. color.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • MESQUITA, IVO. Carmela Gross, um corpo de ideias. Curadoria e texto de Ivo Mesquita. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2010.
  • O ÚNICO/ o mesmo/ o a-fundamento. Curadoria Maria Alice Milliet; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Valu Oria Galeria de Arte, 1996. 30 p.
  • POR que Duchamp? Leituras duchampianas por artistas e críticos brasileiros. Texto Vitória Daniela Bousso, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Agnaldo Farias, Maria Izabel Branco Ribeiro, Paulo Herkenhoff, Celso Favaretto, Stella Teixeira de Barros, Lisette Lagnado, Angélica de Moraes; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Itaú Cultural : Paço das Artes, 1999. 194 p., il. p&b. color.
  • SCARINCI, Carlos. Carmela Gross. Galeria: Revista de Arte, São Paulo, n. 29, p. 22-24, maio/jun. 1992.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999.
  • ZANINI, Walter (Org). História geral da arte no Brasil. Apresentação de Walther Moreira Salles. São Paulo: Instituto Walther Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CARMELA Gross. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8666/carmela-gross>. Acesso em: 11 de Jul. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7