Artigo da seção pessoas Carmela Gross

Carmela Gross

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Artes visuais  
Data de nascimento deCarmela Gross: 16-02-1946 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Sem Título , 1988 , Carmela Gross
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Biografia

Maria do Carmo Gross Nitsche (São Paulo, São Paulo, 1946). Artista multimídia. Freqüenta o curso de artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, entre 1965 e 1969. Em 1967, apresenta a obra Nuvens, com imagens esquemáticas, em madeira, que aludem ao universo das histórias em quadrinhos e ao desenho infantil. Desde os anos 1970, atua em linguagens diversificadas, como desenho e litografia, utilizando novos meios como carimbos, heliografia, xerox e videoarte, e desenvolvendo experiências de transposição entre mídias.

A partir de 1972, leciona na Faculdade de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). O desenho é a base para obras como a série Cartões Familiares (1975) e Carimbos (1977-1978). A partir da década de 1980, sua obra desenvolve-se entre a pintura e o desenho, e entre a pintura e o objeto, passando a explorar também a arquitetura do espaço expositivo.

Obtém a Bolsa Vitae de Artes Plásticas, São Paulo, em 1991. Em 1994, com a proposta Buracos, para o evento ArteCidade, em São Paulo, realiza uma intervenção no espaço expositivo. No mesmo ano, recebe bolsa para pesquisar no European Ceramics Work Centre, em s'Hertogenbosch, na Holanda, onde elabora o conjunto de cerâmica intitulado Facas, posteriormente apresentado no Rio de Janeiro e em São Paulo. A partir do fim da década de 1990, realiza os trabalhos Comedor de Luz (1999) e O Fotógrafo (2001), utilizando lâmpadas fluorescentes, fios e estruturas metálicas.

Análise

Carmela Gross começa seu trabalho em um período movimentado da arte brasileira, quando estão em pauta discussões sobre as novas formas de produção artística no Brasil, a aproximação da arte com a vida e a apropriação visual de elementos da cultura de massa. Em 1965, ingressa no curso de artes plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Nas aulas, assimila os debates sobre a arte pop e as novas vanguardas. Mobilizada por algumas dessas questões, em 1967, realiza a escultura Nuvens. As peças de madeira, pintadas de azul, são diretas e objetivas. Concretizam imagens esquemáticas de nuvem, semelhantes às das histórias em quadrinhos, da animação e do desenho infantil. Como a historiadora Ana Maria Belluzzo enfatiza, a artista torna palpáveis alguns desenhos banais que tratam de motivos oníricos.

Na mesma época, lida com a linguagem pop em outras intervenções. Na obra efêmera Escada (1968), risca degraus num barranco do subúrbio de São Paulo. Ainda realiza esculturas como Presunto (1968), A Pedra (1968) e Espuma (1969), próximas da obra de Claes Oldenburg (1929). Em suas pinturas e guaches do começo dos anos 1970, como Montanha (1970), essa iconografia, entre a abordagem pop e o universo infantil, torna a aparecer. Em 1972, é contratada como professora de artes plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). O trabalho docente se torna parte importante de sua carreira.

Com Cartões Familiares (1975), seu trabalho aproxima-se das linguagens gráficas. Nesses desenhos, risca com grafite sobre uma máscara, seguindo os princípios da serigrafia. Dois anos mais tarde, o raciocínio gráfico é desenvolvido na série Carimbos. O trabalho demonstra seu interesse pela arte conceitual e pelas novas mídias.

Em 1984, trabalha entre a pintura e o objeto. A princípio, articula módulos de telas justapostas, como em Cachoeira (1985). As pinturas se relacionam com objetos esculpidos e desenhos. A partir de 1987, trabalha exclusivamente com objetos sobrepostos e justapostos no plano, sem nenhuma ação propriamente pictórica, como em Trem (1990) e Recortes Pretos (1995).

Em 1994, a artista utiliza esse raciocínio para atuar no espaço expositivo. Nesse ano, realiza a instalação Buracos, onde faz várias fendas no chão e as relaciona plasticamente. A obra acontece durante o projeto Arte Cidade: Cidade sem Janelas. Cinco anos depois, ocupa com grandes bandagens negras o espaço da Oficina Cultural Oswald de Andrade. Novamente, a ação artística lida com a arquitetura do espaço de exposição. Em 2002, realiza duas instalações simultâneas feitas com lâmpadas fluorescentes. Ambas se relacionam com o edifício das mostras coletivas e com o contexto da exposição. Uma é apresentada no prédio do Sesc Belenzinho, durante o Artecidadezonaleste. Outra aparece na fachada da Fundação Bienal, na 25ª Bienal Internacional de São Paulo. Esses trabalhos dão continuidade a importante faceta da produção de Carmela Gross, as esculturas feitas com luz, iniciadas em 1995.

Outras informações de Carmela Gross:

  • Outros nomes
    • Maria do Carmo Gross Nitsche
    • Carmela Gros
  • Habilidades
    • artista visual
    • desenhista
    • gravador
    • artista multimídia
    • professor de artes plásticas
    • pintor
    • escultor

Obras de Carmela Gross: (31) obras disponíveis:

Todas as obras de Carmela Gross:

Midias (1)

O desenho é o ponto de partida da criação de Carmela Gross. Independentemente do suporte ou da técnica, suas obras surgem sempre no papel. “[O artista] escreve através do desenho. Ele anota as ideias e articula modos de produção”, diz ela. Autora de vários projetos de intervenção urbana, Carmela vê a arte contemporânea profundamente conectada à cidade, que possibilita novas formas de o público se relacionar com as obras. “Quando você está na rua, esse objeto ‘artístico’ pode ser observado indiferentemente por um passante, que nem se dá conta de que aquilo é um pensamento artístico”, comenta a criadora de Cascata, uma escadaria de concreto idealizada para a Bienal do Mercosul, às margens do Rio Guaíba, em Porto Alegre (RS). Seu objetivo, afirma, é criar uma interferência poética no cotidiano. “Mas, às vezes, essa intenção não é percebida, e isso não tem importância. Isso me agrada muito”, conclui.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Exposições (312)

Todas as exposições

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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de início7ª sp-arte: 12-05-2011  |  Data de término | 15-05-2011
Resumo do artigo 7ª sp-arte:

Fundação Bienal de São Paulo

Fontes de pesquisa (19)

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  • ARTE e artistas plásticos no Brasil 2000. Posfácio Luiz Armando Bagolin. São Paulo: Meta, 2000. 227 p.
  • ARTISTAS brasileiros na 20a. Bienal Internacional de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989. 111 p., il. p&b., color.
  • BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. Carmela Gross. São Paulo: Cosac & Naify, 2000. 150 p., il. color.
  • CANTON, Katia. Novíssima arte brasileira: um guia de tendências. São Paulo : Iluminuras, 2001. 198 p. il. p&b.
  • DUARTE, Paulo Sérgio. Anos 60: transformações da arte no Brasil. Rio de Janeiro: Lech, 1998.
  • GROSS, Carmela. Carmela Gross. São Paulo: Galeria Luisa Strina, 1986. folha dobrada, 4 il. color.
  • GROSS, Carmela. Carmela Gross. São Paulo: Galeria São Paulo, 1990. [14] p., il. p&b. color.
  • GROSS, Carmela. Facas. Versão em inglês Ann Puntch, Heloisa Prieto; texto Sônia Salzstein. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. 19 p., il. p&b. color.
  • GROSS, Carmela. Objetos bestas. Brasília: Espaço Capital Arte Contemporânea, 1989. folha dobrada, il. p&b.
  • GROSS, Carmela. PdIeNsTeUnRhAo. São Paulo: MAC, 1987. [36 p.], il. color.
  • GROSS, Carmela. Project for the construction of a sky: drawings. Washington: Art Gallery Brazilian-American Cultural Institute, 1982. folha dobrada, il. p&b.
  • GROSS, Carmela. Quasares. Firenze: Zona, 1984. folha dobrada, il. p&b.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • O ÚNICO/ o mesmo/ o a-fundamento. Curadoria Maria Alice Milliet; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Valu Oria Galeria de Arte, 1996. 30 p.
  • POR que Duchamp? Leituras duchampianas por artistas e críticos brasileiros. Texto Vitória Daniela Bousso, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Agnaldo Farias, Maria Izabel Branco Ribeiro, Paulo Herkenhoff, Celso Favaretto, Stella Teixeira de Barros, Lisette Lagnado, Angélica de Moraes; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Itaú Cultural : Paço das Artes, 1999. 194 p., il. p&b. color.
  • SCARINCI, Carlos. Carmela Gross. Galeria: Revista de Arte, São Paulo, n. 29, p. 22-24, maio/jun. 1992.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. Texto Annateresa Fabris, Fernando Cocchiarale, Celso Favaretto, Tadeu Chiarelli, Frederico Morais. 2. ed. São Paulo: Itaú Cultural : Cosac & Naify, 1999. 264 p., il. color.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 2v.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CARMELA Gross. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8666/carmela-gross>. Acesso em: 17 de Ago. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7