Artigo da seção pessoas Antonio Henrique Amaral

Antonio Henrique Amaral

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deAntonio Henrique Amaral: 24-08-1935 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de morte 24-04-2015 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Paisagem com Bambus (tríptico) , 1995 , Antonio Henrique Amaral
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Biografia
Antonio Henrique Abreu Amaral (São Paulo, São Paulo, 1935 - idem 2015). Pintor, gravador e desenhista. Inicia sua formação artística na Escola do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), com Roberto Sambonet (1924-1995), em 1952. Em 1956, estuda gravura com Lívio Abramo (1903-1992) no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Em 1958, viaja para a Argentina e o Chile, onde realiza exposições e entra em contato com Pablo Neruda (1904-1973). Viaja para os Estados Unidos em 1959, estudando gravura no Pratt Graphics Center, em Nova York. Voltando ao Brasil em 1960, trabalha como assistente na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro, e conhece Ivan Serpa (1923-1973), Candido Portinari (1903-1962), Antonio Bandeira (1922-1967), Djanira (1914-1979) e Oswaldo Goeldi (1895-1961). Paralelamente à carreira artística, atua como redator publicitário. No início da carreira realiza desenhos e gravuras que se aproximam do surrealismo. A partir da metade da década de 1960, sua produção passa a incorporar a temática social, elementos da gravura popular e da cultura de massa, aproximando-se também da arte pop. Em 1967, lança o álbum de xilogravuras coloridas O Meu e o Seu, com apresentação e texto de Ferreira Gullar (1930) e capa de Ruben Martins (1929-1968), em que apresenta uma crítica ao autoritarismo vigente no país. Passa a dedicar-se predominantemente à pintura. Recebe em 1971 o prêmio viagem ao exterior do Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro e viaja para Nova York. Retorna ao Brasil em 1981.

Análise
Conhecido principalmente pela série de pinturas em torno das Bananas, realizada de 1968 até 1975, Antonio Henrique Amaral inicia sua trajetória artística com desenho e gravura. O aprendizado com o gravurista Lívio Abramo foi fundamental para sua formação artística, pois ensina a impor disciplina a seu traço. Do mestre retém apenas a técnica. Seu estilo, que já apresenta considerável veia surrealista, é inspirado em artistas como Roberto Matta (1911-2002), Paul Klee (1879-1940), Joan Miró (1893-1983), entre outros, de quem absorve o equilíbrio entre o automático psíquico e o rigor formal.

Mudanças de ordem política e cultural marcam seu trabalho nos anos 1960, que começa a incorporar elementos da gravura popular e a figuração extraída da cultura de massa, como a publicidade e o graffiti. Violência, sexo e política são temas tratados no uso recorrente de imagens de generais e bocas. Desse período, destaca-se o álbum de sete xilogravuras coloridas O Meu e o Seu (1967), no qual revela de forma sintética a questão da interiorização do autoritarismo.

A busca por símbolos que remetam a uma situação, e cujos sentidos são construídos e reiterados no decorrer de suas aparições, é algo constante na produção de Antonio Henrique Amaral. Se de início elege as bocas e a figura do general, presentes também em suas primeiras pinturas, de meados dos anos 1960, é na representação da banana, ou por meio dela, que o artista consegue concentrar toda sua insatisfação com o momento histórico. Índice às avessas de uma identidade nacional, a figura da banana é trabalhada em diversas situações: solitária e em cachos, transpassadas por cordas, facas ou garfos, maduras, verdes ou apodrecidas. Como metáfora, a banana refere-se tanto à ditadura militar quanto à posição do Brasil no conjunto dos países democráticos, ao "ser" brasileiro no momento do slogan "Brasil, ame-o ou deixe-o", ao mesmo tempo em que retoma uma tradição moderna de representação do caráter nacional que se inicia com a bananeira em Tropical (1917), de Anita Malfatti (1889-1964), passando pela pintura A Negra (1923), de Tarsila do Amaral (1886-1973), e Bananal (1927), de Lasar Segall (1891-1957). Em seu "hiper-realismo" quase fantástico, com enquadramentos fotográficos e abuso de cortes transversais e close-up, Amaral retoma também uma determinada tradição da pintura de natureza-morta, nomes como Alberto Eckhout (ca.1610-ca.1666) e Rufino Tamayo (1899-1991).

Com o passar dos anos, Antonio Henrique Amaral lança mão de outras figuras-símbolo em sua pintura, criando séries com base no garfo, no bambu, em seios enormes e torsos, na mata e urbe estilizadas. Em rotação, tais signos adquirem "novos significados em função do encadeamento de fases e épocas de sua pintura e do relacionamento de sua obra com a realidade do país e do mundo".1

Nota
1 Morais, Frederico. In: Antônio Henrique Amaral: obra em processo. São Paulo: DBA, 1997. p. 57.

Outras informações de Antonio Henrique Amaral:

  • Outros nomes
    • Antonio Henrique Abreu Amaral
    • A. Amaral
    • ntônio Amaral
    • Antônio Henrique Amaral
  • Habilidades
    • desenhista
    • pintor
    • gravador
  • Relações de Antonio Henrique Amaral com outros artigos da enciclopédia:

Obras de Antonio Henrique Amaral: (70) obras disponíveis:

Todas as obras de Antonio Henrique Amaral:

Representação (1)

Exposições (351)

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Eventos relacionados (3)

Fontes de pesquisa (23)

  • AMARAL, Antonio Henrique. Amazônia "a mata". São Paulo: Galeria do Memorial, 1992. [16 p.].
  • AMARAL, Antonio Henrique. Antonio H. Amaral: recent painting. [S.l.]: Elite Fine Art, 1989. [22] p.
  • AMARAL, Antonio Henrique. Antonio Henrique Amaral: obra em processo: 1956- 1986. Curadoria e apresentação Pieter Th. Tjabbes; texto Frederico Morais. São Paulo: MAM, 1986. 61 p.
  • AMARAL, Antonio Henrique. Antonio Henrique Amaral: pinturas 1968 - 1985. Rio de Janeiro: Paço Imperial, 1985. [39] p.
  • AMARAL, Antonio Henrique. Antônio Henrique Amaral. São Paulo: Galeria Alberto Bonfiglioli, 1979. [10] p.
  • AMARAL, Antonio Henrique. Antonio Henrique Amaral. Tradução Noemi Jaffe Cartum. São Paulo: MAM, 1994.
  • AMARAL, Antonio Henrique. Caminhos de ontem 1957/1982, trabalhos de hoje 1982/1983. São Paulo: Galeria Alberto Bonfiglioli, 1983. [38] p.
  • AMARAL, Antonio Henrique. Da gravura à pintura. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 1997. 50 p.
  • AMARAL, Antonio Henrique. Obra recente. Tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: MASP, 1997. 48 p.
  • AMARAL, Antonio Henrique. Pinturas, 2001/ 2002. Tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Galeria Nara Roesler, 2002. [20] p.
  • ARTE e artistas plásticos no Brasil 2000. Posfácio Luiz Armando Bagolin. São Paulo: Meta, 2000. 227 p.
  • ARTE no Brasil. Prefácio Pietro Maria Bardi; introdução Pedro Manuel. São Paulo: Abril Cultural, 1979. v. 1, 556 p., il. color. 709.81 A163ar v.1
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 2v.
  • ASSIS, Célia de (coord.). O Brasil na visão do artista: a natureza e as artes plásticas. Edição Lizete Mercadante Machado; versão em inglês Izabel Murat Burbridge, Marcos Piason Natali. São Paulo: Prêmio, 2001. 127 p.
  • CARIBÉ, Sergio (Coord.). 8 artistas brasileiros. Texto Lisbeth Ruth Rebollo Gonçalves; versão em inglês Paulo Chagas de Souza. São Paulo: Galeria Sergio Caribé, 1999. 75 p.
  • CAVALCANTI, Carlos (org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: MEC / INL, 1973. v.1: A a C. (Dicionários especializados, 5).
  • DUARTE, Paulo Sérgio. Anos 60: transformações da arte no Brasil. Rio de Janeiro: Lech, 1998. 324 p.
  • GRAVURA: arte brasileira do século XX. Apresentação Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna, Ricardo Resende. São Paulo: Itaú Cultural : Cosac & Naify, 2000. 270 p.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
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  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Texto Mário Barata, Lourival Gomes Machado, Carlos Cavalcanti et al. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. 559 p. R703.0981 P818d
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • SULLIVAN, Edward J. ; MILLIET, Maria Alice. Obra em processo: Antonio Henrique Amaral. Roteiro Frederico Morais. São Paulo: DBA, 1996. 324 p.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ANTONIO Henrique Amaral. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8581/antonio-henrique-amaral>. Acesso em: 22 de Ago. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7