Artigo da seção pessoas Pietro Maria Bardi

Pietro Maria Bardi

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento dePietro Maria Bardi: 21-02-1900 Local de nascimento: (Itália / Ligúria / La Spezia) | Data de morte 01-10-1999 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Retrato do Professor Bardi Abraçado a Assis Chateaubriand, São Paulo SP , 1976 , Olney Kruse

Biografia
Pietro Maria Bardi (La Spezia, Itália, 1900 - São Paulo, SP, 1999). Museólogo, crítico e historiador da arte, jornalista, marchand, colecionador e professor. Inicia sua formação elementar em La Spezia, mas deixa a escola sem concluir os estudos. Em 1919, passa a viver em Bérgamo, onde trabalha como jornalista para o Giornale di Bergamo e, a partir de 1923, para o jornal Il Secolo. Transfere-se para Milão em 1924, e dois anos depois torna-se redator do Corriere della Sera. Devido a um desentendimento com o diretor, Ugo Ojetti, decide deixar de lado a carreira de jornalista e compra a Galleria dell'Esame, na Via Brera, em Milão. Começa sua atividade de marchand e crítico de arte.

Em março de 1926 filia-se ao Partido Nacional Fascista. Funda o jornal de arte Belvedere em 1929. Autodidata, publica, em 1930, Carrà e Soffici, uma monografia sobre esses dois artistas italianos. Muda-se para Roma, e passa a dirigir a Galleria d'Arte di Roma, financiada pelo Sindicato Nacional Fascista de Belas-Artes. Ainda em 1930 retoma a atividade jornalística como redator do jornal L'Ambrosiano. Em 1931, escreve um famoso panfleto, Rapporto Sull'Architettura (per Mussolini), e promove a Mostra Italiana de Arquitetura Racional.  Com Massimo Bontempelli (1878-1960), dirige em 1933, a revista Quadrante, dedicada às artes e à arquitetura, que é publicada até 1936, conta com a colaboração de Le Corbusier (1887-1965), Terragni (1904-1943), entre outros.

Editor responsável do períodico Meridiano di Roma, entre 1936 e 1937. Começa a se opor à arquitetura oficial de Mussolini, numa polêmica que se torna notória no meio sociocultural italiano. De 1941 a 1943, colabora na revista de arte Lo Stile, sobretudo com artigos sobre arquitetura. Num amplo espaço para exposições na Piazza Augusto Imperatore, em 1945, passa a funcionar o Studio d'Arte Palma, do qual é presidente. Além de mostras de arte antiga e moderna, o Studio realiza perícia e exame científico de obras de arte, contando com laboratórios de restauro e gabinetes de radiografia e fotografia.

Bardi conhece Lina Bo (1914-1992), arquiteta nascida em Roma. Divorcia-se da primeira esposa, Gemma Tartarolo, e casa-se com Lina em 1946. Com ela parte para o Brasil nesse mesmo ano, trazendo sua coleção de obras de arte e artesanato e sua biblioteca. Com esse patrimônio, organiza no país uma série de mostras. Em novembro, realiza, no Ministério da Educação e Saúde, uma exposição de pintura italiana antiga. Nesse evento, conhece o jornalista Assis Chateaubriand (1892-1968), que manifesta a intenção de criar no Brasil um museu de arte e convida Bardi para dirigi-lo. O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) é inaugurado em outubro de 1947, ocupando a sede dos Diários Associados, na rua 7 de Abril, em São Paulo. De 1947 a 1953, Bardi realiza uma série de viagens à Europa para escolher e adquirir as obras que formariam a pinacoteca do Masp.

Em 1953, respondendo a acusações de ter reunido obras de procedência e autenticidade duvidosas para o museu, viaja com todo o acervo, para ser exposto nas instituições de grande prestígio na Europa, como o Musée du Louvre, em Paris; o Palais de Beaux-Arts, em Bruxelas; o Centraal Museum, em Utrecht; a Tate Gallery, em Londres, e o Palazzo Reale, em Milão. A coleção volta ao Brasil em 1957 e é apresentada no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro, em mostra inaugurada pelo então presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976).

Organiza no Masp mostras como o Expressionismo Alemão, O Ouro da Colômbia, Pablo Picasso, Gaudí, Miró, Tesouros do Kremlin, Pintura Italiana do Após-Guerra aos Nossos Dias, Sebastião Salgado e Albert Eckhout e Seu Tempo, e cursos que ele próprio ministra.  Desliga-se da direção do Masp em 1996. Abatido e com a saúde debilitada desde a morte de Lina, em 1992, Bardi falece em 1 de outubro de 1999.

Comentário Crítico
Da atuação de Pietro Maria Bardi no Brasil, destaca-se, sobretudo, seu papel na condução e organização do Masp, do qual foi diretor por quase 30 anos. Quando chega ao Brasil, já havia conquistado na Itália uma posição profissional consolidada no meio cultural, como jornalista e marchand, além de ter exercido a função de diretor da Galleria d' Arte di Roma.

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Outras informações de Pietro Maria Bardi:

  • Outros nomes
    • Pietro Maria Bardi
    • P. M. Bardi
  • Habilidades
    • jornalista
    • Historiador
    • crítico de arte
    • Museólogo
    • marchand
    • colecionador
    • professor
  • Relações de Pietro Maria Bardi com outros artigos da enciclopédia:

Representação (4)

Exposições (6)

Fontes de pesquisa (11)

  • BARDI, Pietro Maria. História do MASP. Apresentação Graziella Bo Valentinetti. São Paulo: Instituto Quadrante, 1992. 175 p., il. color. (Pontos sobre o Brasil, 2). 708.98161 M413h
  • BARDI, Pietro Maria. História do MASP. Apresentação Graziella Bo Valentinetti. São Paulo: Instituto Quadrante, 1992. 175 p., il. color. (Pontos sobre o Brasil, 2).
  • BARDI, Pietro Maria. História da arte brasileira artes: pintura, escultura, arquitetura, outras. 2.ed São Paulo: Melhoramentos, 1975. 228 p., il. p&b. color.
  • BARDI, Pietro Maria. Pequena história da arte: introduçao ao estudo das artes plásticas. 2.ed. São Paulo: Melhoramentos, 1990. 85 p., il. p.b. color.
  • BARDI, Pietro Maria. História da arte brasileira artes: pintura, escultura, arquitetura, outras. 2.ed São Paulo: Melhoramentos, 1975. 709.81 B246h
  • BARDI, Pietro Maria. Pequena história da arte: introduçao ao estudo das artes plásticas. 2.ed. Sao Paulo: Melhoramentos, 1990. 709 B246p
  • BARDI, Pietro Maria; KLINTOWITZ, Jacob. Um século de escultura no Brasil. Tradução Laura Viarengo. São Paulo: MASP, 1982. 156 p., il. p.b. 
  • BARDI, Pietro Maria; KLINTOWITZ, Jacob. Um século de escultura no Brasil. Tradução Laura Viarengo. São Paulo: MASP, 1982. 730.981 B246u
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Texto Mário Barata, Lourival Gomes Machado, Carlos Cavalcanti et al. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. 559 p. R703.0981 P818d
  • TENTORI, Francesco. P.M. Bardi: com as crônicas artísticas do "L'Ambrosiano" 1930-1933. Tradução Eugênia Gorini Esmeraldo. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi : Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2000. 387 p., il. p.b.
  • TENTORI, FRANCESCO. P.M. Bardi: com as crônicas artísticas do "L'Ambrosiano" 1930-1933. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi : Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2000. 700 B246t

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • PIETRO Maria Bardi. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa83/pietro-maria-bardi>. Acesso em: 20 de Ago. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7