Artigo da seção pessoas Cleyde Yáconis

Cleyde Yáconis

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Teatro  
Data de nascimento deCleyde Yáconis: 14-11-1923 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Pirassununga) | Data de morte 15-04-2013 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Espetáculo O Mentiroso. Em cena: Carlos Vergueiro (Arlequim), Sérgio Cardoso (Lélio), Célia Biar (Colombina), Cleyde Yáconis (Rosaura) , 1952 , Fredi Kleemann
Registro fotográfico Fredi Kleemann

Biografia
Cleyde Becker Yáconis (Pirassununga SP 1923 - São Paulo SP 2013). Atriz. Intérprete que destaca-se em duas companhias do auge do teatro moderno, o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e o Teatro Cacilda Becker (TCB). Ao longo de sua carreira, brilha tanto em papéis dramáticos como em personagens cômicas.

De infância pobre, Cleyde acompanha a mãe e a irmã, Cacilda Becker, em mudanças para cidades do interior. Em 1948 entra para o TBC, como produtora e responsável pelo guarda-roupa, até entrar numa substituição de Nydia Licia, subitamente adoentada, em O Anjo de Pedra, de Tennessee Williams, com direção de Luciano Salce, em 1950. A partir daí, torna-se uma das atrizes mais empenhadas da companhia.

Com Ziembinski estréia, ainda em 1950, Pega Fogo, de Jules Renard, um dos maiores êxitos de Cacilda Becker como atriz. No ano seguinte, está em Seis Personagens à Procura de Um Autor, de Luigi Pirandello, dirigida por Adolfo Celi; Convite ao Baile, de Jean Anouilh, mais uma encenação de Salce; e O Grilo na Lareira, de Charles Dickens, novamente com Ziembinski. Em 1951 atua em Ralé, de Máximo Gorki. No ano seguinte integra os elencos de Diálogo de Surdos, de Clô Prado, ambos com o diretor Flaminio Bollini; Para Onde a Terra Cresce, de Edgard da Rocha Miranda; Vá Com Deus, de Murray-Allen Boretz e Relações Internacionais, de Noel Coward.

Em 1953 é premiada como atriz por Assim É...(Se Lhe Parece), de Luigi Pirandello. Em 1954 brilha em Mortos Sem Sepultura, de Jean-Paul Sartre, e Um Pedido de Casamento, de Anton Tchekhov e como a protagonista de Leonor de Mendonça, de Gonçalves Dias, em primorosa realização de Adolfo Celi.

Confirma todo seu talento em Santa Marta Fabril S. A., de Abílio Pereira de Almeida - que lhe rende o Prêmio Saci de melhor atriz; e Volpone, de Ben Jonson. Ao lado de sua irmã Cacilda Becker vive a temperamental Elizabeth, de Maria Stuart, de Schiller, em 1955. Eurydice, de Jean Anouilh, montagem com o diretor Gianni Ratto, e Manouche, de André Birabeau, ambos de 1956; e A Rainha e os Rebeldes, de Ugo Betti, direção de Maurice Vaneau, em 1957, são suas últimas participações neste período do TBC.

Sai, neste ano, juntamente com a irmã, Walmor Chagas, Ziembinski e Fredi Kleemann, para fundarem o Teatro Cacilda Becker (TCB), participando das principais montagens e remontagens então realizadas como O Protocolo, de Machado de Assis; Pega Fogo, de Jules Renard; Maria Stuart, de Schiller; Santa Marta Fabril S. A., de Abílio Pereira de Almeida; Os Perigos da Pureza, de Hugh Mills; A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho e Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, quase sempre sendo dirigida por Ziembinski - exceção para Auto da Compadecida, com direção de Cacilda.

Em sua volta ao TBC, agora na fase nacionalista, Cleyde integra os elencos de A Semente, de Gianfrancesco Guarnieri, 1961; A Morte de Um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, 1962, ambos com direção de Flávio Rangel, e Yerma, de Federico García Lorca, em que é dirigida por Antunes Filho, destacando-se com grandes méritos. Está também em Vereda da Salvação, de Jorge Andrade, última criação da casa, outra encenação de Antunes, em 1964.

Em 1966, integra o elenco de Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, com direção de Gianni Ratto, um dos primeiros espetáculos representantes do teatro de resistência, pelo Grupo Opinião. Em 1967 participa de Édipo Rei, de Sófocles, ao lado de Paulo Autran; e de O Fardão, de Bráulio Pedroso, em parceria com Antônio Abujamra. Em 1969 está numa montagem internacional, a de Os Gigantes da Montanha, última obra de Luigi Pirandello, encenada por Federico Pietrabruna.

Iniciando em 1970 uma carreira como produtora, estréia O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna; e Medéia, de Eurípedes, com o diretor Silnei Siqueira. Um novo papel marcante surge em A Rainha do Rádio, de José Safiotti Filho, com direção de Abujamra, em 1976.

Nos anos 80 participa de Cerimônia do Adeus, de Mauro Rasi, interpretando Simone de Beauvoir, encenação de Ulysses Cruz, arrebatando uma série de prêmios. Com o mesmo diretor, destaca-se ainda em Péricles, Principe de Tiro, de William Shakespeare, em 1995, no Teatro Popular do Sesi (TPS).

Na crítica ao espetáculo Yerma, de Lorca, o crítico Décio de Almeida Prado engrandece a atriz: "Cleyde Yáconis ficou para o fim - e não por acaso. Porque Yerma é diferente de todas e de todos, a que "não procura no homem, o homem e nada mais", a que não se contenta, como o marido, com "o que tem entre as mãos". Yerma é uma "criatura do silêncio" (assim a "velha pagã" refere-se a ela e à sua família), presa inexoravelmente ao invisível, ao filho que não tem, à sua concepção rigidíssima do dever. Cleyde Yáconis interpreta-a, como grande atriz que é, com incomparável fervor e dignidade. Ao lado de Antunes Filho, é a viga mestra do espetáculo".1

Notas
1. PRADO, Décio de Almeida. Yerma. São Paulo, Teatro em Progresso, Ed. Perspectiva, 2002, p. 238.

Outras informações de Cleyde Yáconis:

  • Outros nomes
    • Cleyde Becker Yáconis
    • Cleide Yáconis
    • Cleyde Iáconis
  • Habilidades
    • figurinista
    • Produtor
    • diretor de teatro
    • Ator

Representação (2)

Espetáculos (77)

Todos os espetáculos

Fontes de pesquisa (23)

  • GUZIK, Alberto. TBC: crônica de um sonho. São Paulo: Perspectiva, 1986. 233 p.
  • PRADO, Décio de Almeida. Teatro em progresso: crítica teatral, 1955-1964. São Paulo: Martins, 1964. 314 p.
  • ALMEIDA, Inez Barros de. Panorama Visto do Rio: Teatro Cacilda Becker. Rio de Janeiro: Inacen, 1987.
  • AZANHA, Thiago. Corpo de Cleyde Yáconis é velado na casa da atriz, em Cajamar. In: Portal Uol, 16 abril 2013. Disponível em:. Acessado em: 16 abr 2013. Não catalogado
  • Comédia no Paiol! Direita, Volver! De Lauro César Muniz. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, julho de 1985. Não catalogado
  • FERNANDES, Nanci e VARGAS, Maria Thereza (Org.): Uma atriz: Cacilda Becker, São Paulo: Perspectiva, 1984.
  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil). 792.092 G932n
  • GUZIK, Alberto; PEREIRA, Maria Lúcia (Org.). Teatro Brasileiro de Comédia. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 25, set. 1980. Edição especial.
  • MAGALDI, Sábato; VARGAS, Maria Thereza. Cem anos de teatro em São Paulo (1875-1974). São Paulo: Senac, 2000. 454 p.
  • MICHALSKI, Yan. Uma década sem Cacilda, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 jun. 1979.
  • PRADO, Décio de Almeida. Exercício findo: crítica teatral (1964-1968). São Paulo: Perspectiva, 1987. 289 p. (Coleção debates; 199).
  • PRADO, Décio de Almeida. O teatro brasileiro moderno: 1930-1988. São Paulo: Perspectiva, 1988. (Debates, 211).
  • PRADO, Décio de Almeida. Peças, pessoas, personagens: o teatro brasileiro de Procópio Ferreira a Cacilda Becker. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
  • PRADO, Luís André do. Cacilda Becker: Fúria Santa. São Paulo, Geração Editorial, 2002.
  • Programa do Espetáculo - A Nonna - 1980 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Agnes de Deus - 1982 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Campeões do Mundo - 1980 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Direita Volver - 1985. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Longa Jornada de Um Dia Noite Adentro - 2003. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Caminho para Meca - 2008. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Os Amantes - 1978 Não catalogado
  • Programa do espetáculo -Cinema Éden - 2005 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo: A Louca de Chaillot, 2006. Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CLEYDE Yáconis. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8248/cleyde-yaconis>. Acesso em: 18 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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