Artigo da seção pessoas Regina Silveira

Regina Silveira

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deRegina Silveira: 18-01-1939 Local de nascimento: (Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre)
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Sem Título , ca. 1987 , Regina Silveira
Reprodução fotográfica João L. Musa

Biografia

Regina Scalzilli Silveira (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1939). Artista multimídia, gravadora, pintora, professora. Conclui, em 1959, bacharelado em pintura no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA/UFGRS), onde estuda com Aldo Locatelli (1915-1962) e Ado Malagoli (1906-1994), entre outros. No início da década de 1960, tem aulas de pintura com Iberê Camargo (1914-1994), e de gravura com Francisco Stockinger (1919-2009) e Marcelo Grassmann (1925-2013), no Ateliê Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Como bolsista do Instituto de Cultura Hispânica, em 1967, estuda na Faculdade de Filosofia e Letras de Madri. Em 1969, é convidada a ministrar cursos na Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Porto Rico.

Volta para o Brasil em 1973, e coordena até 1985 o setor de gravura da Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Em 1974, passa a lecionar na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Na mesma instituição, defende dissertação de mestrado em 1980 e, em 1984, obtém o título de doutora. De 1991 a 1994, permanece em Nova York, com bolsas de estudo concedidas pela John Simon Guggnheim Foundation (1991), pela Pollock-Krasner Foundation (1993) e pela Fullbright Foundation (1994). Em 1995, recebe bolsa de artista residente da Civitella Ranieri Foundation. Recebe, em 2000, o Prêmio Cultural Sergio Motta.

Análise

Para o crítico Tadeu Chiarelli, a poética de Regina Silveira parece ter sido determinada pelo contato com a obra de Iberê Camargo (1914-1994), de quem a artista absorve a maneira de encarar a técnica como um meio e não um fim, e aprende a duvidar dos códigos de representação preestabelecidos e cristalizados. Outra referência importante para seu trabalho é a obra de Marcel Duchamp (1887-1968), que lhe permite, de forma irônica, reinventar esses códigos a fim de retirar deles novas possibilidades de significação. Em sua produção, mantém inúmeros pontos de contato como o universo duchampiano, como na obra In Absentia M. D. (1983), em que pinta no chão as sombras agigantadas de alguns dos trabalhos mais famosos do artista, com base em pedestais vazios.

No fim da década de 1960 e começo dos anos 1970, realiza esculturas e serigrafias ainda de forte tradição geométrico-construtiva. Inicia trabalhos com malhas geométricas e perspectivas com Labirintos (1971). Na série de serigrafias Middle Class & Co (1971-1972), trabalha a questão da dilaceração do indivíduo na sociedade contemporânea. Intervém sobre fotografias com recortes, diagramações e reticulações. A apropriação de imagens fotográficas torna-se um procedimento constante em sua obra e que lhe acrescenta uma dimensão semântica. Realiza fotomontagens impressas em off-set e concebidas como simulacros de cartões-postais turísticos, como na série Brasil Today: Natural Beauties (1977), na qual agrega às fotografias de lugares históricos e pitorescos, como do Viaduto do Chá ou do Monumento às Bandeiras, imagens de escombros ou de um cemitério de automóveis. A artista utiliza amplamente novas mídias em seus trabalhos, como heliografia, microfilme, xerox, painel eletrônico, vídeo-arte, vídeo-texto e mail-art.

Em Anamorfas (1980), interessa-se pela subversão dos sistemas de perspectiva. Os trabalhos partem de fotografias de objetos cotidianos, tomadas de certa altura e determinados ângulos, redesenhados com o intuito de obter compressões, dilatações e dobras. Simulacros (1984) é um conjunto de trabalhos cuja característica comum é a representação de sombras criadas com base em distorções projetivas inventadas, nas quais o elemento causador não está presente. Há, nessas obras, uma referência conceitual ao dadaísmo e surrealismo. A artista tem como intuito o questionamento da natureza da representação visual e da sua relação com a percepção. Faz uso da sombra como índice de ausência, de algo de que o observador tem apenas a referência mental.

Começa a intervir no espaço com a aplicação das silhuetas sombreadas, em tinta ou látex, sobre paredes ou pisos. Algumas obras apresentam ampla relação com a arquitetura, como em Vértice (1994) ou Escada Inexplicável II (1999), nas quais oferece ao espectador a ilusão de profundidade. Recentemente, por meio de trabalhos em vinil e projeções luminosas sobre a fachada de edifícios, passa a interferir no meio urbano. Já em Lumen (2002), trabalha a questão da luz, com a imagem de uma clarabóia e sua multiplicação visual e espacial, gerando imagens que remetem àquelas formadas em caleidoscópio. Várias de suas obras remetem a discussões sociais e políticas, permitindo reflexões sobre do poder, como em Monudentro (1987) ou The Saint's Paradox (1994); sobre a violência, em Encuentro (1991); ou sobre o papel social da mulher, como em Carrinho de Chá (1986).

Regina Silveira é responsável pela formação de vários artistas paulistas das novas gerações, como Ana Maria Tavares (1958), Rafael França (1957-1991), Mônica Nador (1955) e Iran do Espírito Santo (1963).

Outras informações

  • Outros nomes
    • Regina Scalzilli Silveira
  • Habilidades
    • pintor
    • gravador
    • desenhista
    • professor de artes plásticas
    • curador
    • artista intermídia

Obras (50)

Todas as obras

Midias (3)

Edição de texto e roteiro Cacá Vicalvi Edição de Imagens Karan España Produção Documenta Vídeo Brasil Itaú Cultural

A Arte de Desenhar, 1980, 2'32" - Ocupação Regina Silveira (2010)

Sérgio Roizenblit
Itaú Cultural

Exposições (560)

Todas as exposições

Eventos relacionados (10)

Fontes de pesquisa (19)

  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997. 428 p. xxxxxx
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994. xxxxxx
  • COELHO NETO, José Teixeira. Regina Silveira, a revelação da sombra. Arte em São Paulo, São Paulo, n. 22, abr. 1984.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. xxxxxx
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MORAES, Angélica de (org.). Regina Silveira: cartografias da sombra. São Paulo: Edusp, 1996.
  • Perfil coleção Itaú xxxxxx
  • POR que Duchamp? Leituras duchampianas por artistas e críticos brasileiros. São Paulo: Itaú Cultural : Paço das Artes, 1999.  
  • SILVEIRA, Regina. Anamorfas. São Paulo, 1980. Dissertação (Mestrado) - ECA/USP.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. 2. ed. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. Pesquisa Cacilda Teixeira da Costa, Marília Saboya de Albuquerque. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 1106 p. 2v.
  • __________. Regina Silveira. Apresentação Carlos Cavalcanti. Porto Alegre: Museu de Arte do Rio Grande do Sul, 1966.
  • __________. Regina Silveira. Porto Alegre: Museu de Arte do Rio Grande do Sul, 1961.
  • __________. Regina Silveira: anamorfas. São Paulo: MAC/USP, 1980.
  • __________. Regina Silveira: in absentia (stretched). Texto de Walter Zanini. New York: The Queens Museum of Art, 1992. (Contemporary currents). Texto traduzido e revisto por Walter Zanini em 1997.
  • __________. Regina Silveira: inflexões. Porto Alegre: Arte & Fato, 1989.
  • __________. Regina Silveira: inflexões. São Paulo: Galeria Luisa Strina, 1987.
  • __________. Regina Silveira: projectio. Apresentação José Sommer Ribeiro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1988.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • REGINA Silveira. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8084/regina-silveira>. Acesso em: 29 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7