Artigo da seção pessoas Fabio Miguez

Fabio Miguez

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deFabio Miguez: 1962 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Sem Título , 2001 , Fabio Miguez
Reprodução fotográfica Nelson Kon

Biografia

Fábio Marques Miguez (São Paulo SP 1962). Pintor, gravador, fotógrafo. Em 1980, inicia curso de arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP). Nos dois anos seguintes também estuda gravura em metal com Sérgio Fingermann (1953). Entre 1983 e 1985, integra o ateliê Casa 7, juntamente com Carlito Carvalhosa (1961), Nuno Ramos (1960), Paulo Monteiro (1961) e Rodrigo de Andrade (1962). No início, sua obra, realizada em grandes formatos, apresenta pinceladas amplas e cores fortes, uma fatura expressiva, que se aproxima da transvanguarda italiana e do neo-expressionismo. O artista passa a realizar, no fim dos anos 1980, telas abstratas carregadas de matéria pictórica, que tendem ao monocromatismo, utilizando tons rebaixados. Já nas telas produzidas a partir da metade dos anos 1990, os planos de fundo passam a ser frequentemente grandes áreas cinzas ou brancas, e o artista explora a diluição da tinta e a intensificação das cores. A fatura torna-se mais transparente. Paralelamente, o artista dedica-se à fotografia. Na série Deriva, realizada entre 1993 e 1994, apresenta paisagens de um canto de praia, nas quais os acidentes geográficos e os corpos sólidos são apresentados em meio a uma atmosfera enevoada.

Análise

Na metade da década de 1980, Fábio Miguez pinta paisagens que têm caráter quase abstrato. Como os outros artistas da Casa 7 - grupo do qual faz parte -, ele apresenta em sua obra pinceladas amplas e cores fortes, uma fatura expressiva, em grandes formatos, que se aproxima do neo-expressionismo. O artista produz, no fim dos anos 1980, telas abstratas carregadas de matéria pictórica, que tendem ao monocromatismo, utilizando tons rebaixados: marrom, cinza e preto. Como nota o crítico Roberto Pontual, essas obras são sóbrias, com poucos contrastes, fechadas no emaranhado de pinceladas, porém enérgicas no princípio de construção que ali tenta firmar-se. Posteriormente, usa uma gama cromática variada e luminosa.

Passa a explorar a diluição e a intensificação das cores em quadros nos quais os planos de fundo tornam-se frequentemente grandes áreas cinzas ou brancas, em telas da metade da década de 1990. A fatura é mais transparente e as tintas são mais diluídas. Em seus quadros apresenta áreas marcadas pela gestualidade aliadas a outras de caráter evanescente. Na opinião do historiador da arte Rodrigo Naves a produção de Miguez revela afinidade com a do artista holandês Bram van Velde, com suas áreas de cor matissianamente alegres e estrutura disforme e ameaçadora, além do diálogo com obras de Jorge Guinle (1947-1987).

Em pinturas exibidas a partir de 2001, as formas diluídas de suas telas são apresentadas juntamente com elementos geométricos, de cores mais intensas. Essas formas geométricas parecem flutuar em um plano acima daquele das manchas cromáticas. Miguez explora assim o espaço pictórico, construído por diferentes densidades de cor. Em algumas obras, emprega elementos de madeira colados aos quadros, que criam uma diferença de profundidade no espaço pictórico e reforçam a idéia da solidez dos elementos geométricos, em oposição a áreas onde as tintas são mais fluidas e a fatura mais rala e transparente.

O artista dedica-se também à fotografia. Na série Deriva, realizada entre 1993 e 1994, mostra paisagens de um canto de praia, nas quais os acidentes geográficos e os corpos sólidos estão em meio a uma atmosfera enevoada. Miguez explora as experiências óticas de aproximação e distanciamento, e da dissolução ou indefinição das superfícies. Pelo registro da neblina e do movimento das ondas do mar, destaca a instabilidade da paisagem, criando imagens que aparentam ser passageiras. Para o crítico Alberto Tassinari, essas fotografias indicam questões retomadas posteriormente pelo artista em seus quadros. Assim, as ondas ou a neblina são a forma que a instabilidade assume nas fotografias, e que nas pinturas são exploradas de diversas maneiras, por pares de oposição que não privilegiam nenhum de seus pólos: o definido e o indefinido, o aglomerado e o disperso, a indiferença e o contraste.

Outras informações de Fabio Miguez:

  • Outros nomes
    • Fabio Marques Miguez
    • Fábio Miguez
    • Fábio Marques Miguez
  • Habilidades
    • gravador
    • pintor
    • fotógrafo
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Eventos relacionados (4)

Fontes de pesquisa (18)

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  • JAÚ e arte: um compromisso. Apresentação Marcantônio Vilaça; texto Lorenzo Mammì, Márcio Doctors, Paulo Herkenhoff, Rodrigo Naves, Sônia Salzstein; tradução Lilian Camargo Veirano Astiz; fotografia Romulo Fialdini, Pedro Franciosi, Eduardo  Brandão, Antonio Ribeiro, Sérgio Zalis, Lobo Lobato, Bob Wolfenson; projeto gráfico Noris Lisboa. São Paulo: Jaú Construtora e Incorporadora, 1989. [74] p., il. color.
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  • TASSINARI, Alberto. A conquista do quadro. In: MIGUEZ, Fábio. Fábio Miguez. São Paulo: Marília Rakuk Galeria de Arte, 1998.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • FABIO Miguez. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa7920/fabio-miguez>. Acesso em: 27 de Jun. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7