Artigo da seção pessoas Zé Ramalho

Zé Ramalho

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deZé Ramalho: 03-10-1949 Local de nascimento: (Brasil / Paraíba / Brejo do Cruz)

Biografia

José Ramalho Neto (Brejo do Cruz PB 1949). Compositor, cantor e violonista. Filho do seresteiro Antonio de Pádua Pordeus Ramalho e da professora primária Estelita Torres Ramalho. Órfão de pai aos 2 anos, é criado pelo avô em Campina Grande, Paraíba. Sua escuta musical na infância varia entre a diversificada informação divulgada pelorádio e os violeiros. Em 1961, a família muda-se para João Pessoa, onde Zé Ramalho passa a infância e conclui os estudos. Nesse período conhece a música da Jovem Guarda, Beatles, Rolling Stones e Bob Dylan. Influenciado por esse universo, aprende violão e depois guitarra, forma vários conjuntos de baile para tocar em festas da cidade. Ingressa na faculdade de medicina, mas a frequenta por apenas um ano, pois decide ser músico.

Com a intenção de iniciar a carreira artística, vai para o Rio de Janeiro e depois para o Recife. Nesta cidade lança, em 1974, com Lula Côrtes o disco Paêbiru, que atualmente é cult e um dos mais raros e caros vinis da MPB. Em seguida ingressa na banda de Alceu Valença, com quem viaja em excursão. Em 1975, após temporada da banda no Rio de Janeiro, permanece residindo na capital fluminense. No ano seguinte, parte em viagem pelo Nordeste a convite da cineasta Tânia Quaresma, recolhendo material entre violeiros e cantadores. Contratado pela CBS em 1978, grava seu primeiro LP, Zé Ramalho, no qual aprofunda as experiências de fusão da música nordestina e o rock e inclui a canção Avôhai. Produz o disco A Peleja do Diabo com o Dono do Céu, em 1979, com sucessos como Admirável Gado Novo e Frevo Mulher. Casa-se com a cantora Amelinha, para quem compõe Frevo Mulher.

Nos anos 1980, entre vários discos, A Terceira Lâmina, 1981, é bem recebido pela crítica; em Força Verde, 1982, uma canção recebe acusação de plágio de uma poesia do poeta irlandês William B. Yeats; e Orquídea Negra, 1983, traz parcerias com Jorge Mautner e Raimundo Fagner. Em 1984, grava Pra Não Dizer que Não Falei de Rock... ou Por Aquelas que Foram Bem Amadas e, um ano depois, De Gosto, de Água e de Amigos. Em Opus Visionário, 1986, apresenta o retorno aos temas místicos. Décimas de um Cantador, 1987, é o último disco da década. Após esse período enfrenta problemas com drogas e se retira para tratamento. Grava Brasil Nordeste, em 1991, Frevoador, em 1992, Cidades e Lendas, em 1996, a coletânea Antologia Acústica, em 1997, e, no ano seguinte, o CD Eu Sou Todos Nós.

Em 2000, o CD duplo Nação Nordestina é indicado ao Grammy Latino. No ano seguinte, tem sua música Bicho de Sete Cabeças incluída na trilha sonora do filme homônimo, dirigido por Laís Bodanzki, com interpretação de Zeca Baleiro, e lança Zé Ramalho Canta Raul Seixas, iniciando projeto de intérprete, que se repete com Canta Bob Dylan (2008), Canta Luiz Gonzaga (2009) e Canta Jackson do Pandeiro (2010). Lança ainda O Gosto da Criação (2002), Estação Brasil (2003), Ao Vivo (2005) e Parceria dos Viajantes (2007).

 

Comentário Crítico

As relações do rock nos processos de constituição da música popular no Brasil, além de relativamente recentes, são repletas de tensões. A aproximação começa na década de 1960, período em que essa música jovem alcança influência internacional. No Brasil, o impacto é imediato na indústria fonográfica e na recepção de boa parcela da juventude. Os conflitos mais evidentes ocorrem já nessa década, opondo roqueiros e as posturas nacionalistas, vigorosas ainda nos anos 1960 na resistência aos "estrangeirismos". Os defensores de uma suposta música popular "pura e original" acusam o rock de ser nocivo às tradições musicais nacionais. Porém, fugindo desses limites e do conflito central, aparecem vários movimentos culturais e musicais que estabelecem novas experiências e possibilidades de diálogo. Essas manifestações são visíveis na Jovem Guarda, no tropicalismo, em bandas como Mutantes nos anos 1960 e nos grupos Clube da Esquina e Novos Baianos no início dos anos 1970. Nessa época aparece também em alguns estados do Nordeste jovens que buscam estabelecer relações entre a "música nordestina" e o rock, como Alceu Valença, Ednardo, Elba Ramalho e Zé Ramalho. A presença do rock em suas diversas variantes musicais é muito evidente entre esses compositores e intérpretes. Desde a influência dos vocais e guitarras dos Beatles, referência inicial, ao uso permanente de guitarras elétricas, distorções, riffs, passando pelas formas do rock mais experimental e progressivo nos anos 1970. Ao mesmo tempo, seus representantes exploram diálogos permanentes com os "gêneros" da música popular, como samba, baião e choro.

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Outras informações

  • Outros nomes
    • José Ramalho Neto
  • Habilidades
    • poeta
    • músico
    • compositor

Obras (1)

Fontes de pesquisa (5)

  • ALVES, Luciane. Zé Ramalho: Um Visionário no Século XX. São Paulo, Editora Nova Era, 1997.
  • ALVES, Maria das Dores Valentim. "Tá Tudo Mudando: Um Encontro Poético. Transfigurações da Poesia de Bob Dylan e Zé Ramalho". In: Travessias. Cascavel, PR: Edunioeste, 2009. p. 138-148.
  • DAPIEVE, Arthur, BRock. O rock brasileiro dos anos 80, São Paulo, Ed 34, 1995.
  • SEVERIANO, Jairo. Uma história da música popular brasileira, São Paulo, Ed 34, 2008.
  • TELES, José. Do frevo ao manguebeat, São Paulo, Ed 34, 2000.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ZÉ Ramalho. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa7663/ze-ramalho>. Acesso em: 29 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7