Artigo da seção pessoas Zelito Viana

Zelito Viana

Artigo da seção pessoas
Cinema  
Data de nascimento deZelito Viana: 05-05-1938 Local de nascimento: (Brasil / Ceará / Fortaleza)

Biografia

José Viana de Oliveira Paula (Fortaleza, Ceará, 1938). Produtor e diretor. Muda-se para o Rio de Janeiro aos 4 anos de idade. Cursa a Escola Nacional de Engenharia, forma-se em 1960 e, com bolsa de estudo, parte para França e Alemanha.

Em 1964, volta ao Brasil e aproxima-se do cinema por incentivo do amigo Leon Hirszman (1937-1987). É convidado por Glauber Rocha (1939-1981) para fundar a Mapa Filmes e tornar-se produtor de seus projetos.

Entre 1969 e 1973, produz filmes e dirige curtas-metragens, como A Máquina Invisível (1970) e Rodovia Belém-Brasília (1973). Estreia como diretor de longas-metragens em Minha Namorada (1971). Em 1971, dirige a comédia erótica em episódios O Doce Esporte do Sexo. Em 1973, colabora com a criação da Associação Brasileira de Documentarista, cujo objetivo é articular políticas para o cinema documental no Brasil.

Em 1973, filma Os Condenados, primeira adaptação cinematográfica da obra de Oswald de Andrade (1890-1954). Entre 1969 e 1990, trabalha na Embrafilme como assessor de Roberto Farias (1932). Em 1977, realiza Morte e Vida Severina, baseada na obra homônima de João Cabral de Mello Neto (1920-1999). Em 1979, lança o longa Terra dos Índios. Dirige o programa de TV Chico Total e torna-se diretor da Globo Vídeos.

Retorna ao cinema com Avaeté, Semente da Vingança (1985). Nos anos 1990, dedica-se à sua produtora e realiza comerciais, programas institucionais e televisivos.

Em 2000, finaliza a cinebiografia Villa-Lobos – Uma Vida de Paixão. Retoma o documentário de curta-metragem, com Arte para Todos (2004) e Ferreira Gullar – A Necessidade da Arte (2005). Em 2008, lança o longa-metragem Bela Noite para Voar, sobre o ex-presidente Juscelino Kubistchek (1902-1976). Atua na coordenação do Curso de Cinema da Universidade Estácio de Sá e na criação do Canal Brasil. Em 2011, realiza o documentário Augusto Boal e o Teatro do Oprimido.

Análise

A atividade cinematográfica de Zelito Viana reflete a estrutura do cinema nacional a partir de 1965. Torna-se produtor-executivo dos diretores do cinema novo e investe na direção de longas-metragens com olhar crítico. A produção de programas de TV e telefilmes também é relevante, pois lhe permite compreender as potencialidades profissionais, econômicas e culturais entre cinema e televisão no Brasil.

Inicia a carreira de diretor com ambições comerciais: Minha Namorada é uma comédia de costumes sobre os dilemas da juventude e O Doce Esporte do Sexo utiliza a combinação humor e sexo. Nas produções seguintes, afirma-se como diretor cinematográfico e adapta duas obras literárias para o cinema.

Os Condenados é um drama urbano que recebe prêmios no Brasil e no exterior, apesar das críticas quanto à qualidade artística. Morte e Vida Severina mescla linguagem documental e ficcional, para mostrar as dificuldades da população do nordeste brasileiro. A censura proíbe a exibição do filme no exterior pelas cenas de pobreza.

Terra dos Índios é o piloto de Brasil 480, série idealizada para televisão, por Zelito Viana e Leon Hirszman. O programa, entretanto, não chega à TV. Para o crítico José Carlos Avellar, nesse filme a câmera coloca-se diante do entrevistado e espera; o corpo do filme é o som. Os depoimentos de índios buscam mostrar suas misérias em diferentes áreas do país. A temática indígena é atualizada em Avaeté, Semente da Vingança.

Villa Lobos – Uma Vida de Paixão é resultado de um trabalho de mais de vinte anos. Pela história e complexidade da personalidade retratada, é recebido com pessimismo e generosidade. Para o diretor Carlos Reichenbach (1945-2012), o filme é uma obra íntegra, que cumpre aquilo que é cobrado do cinema nacional: engenho, arte, informação e respeito ao público. Esses quatro elementos condensam a trajetória de Zelito Viana.

Outras informações de Zelito Viana:

  • Outros nomes
    • José Viana de Oliveira Paula
  • Habilidades
    • diretor de cinema
  • Relações de Zelito Viana com outros artigos da enciclopédia:

Representação (1)

Fontes de pesquisa (25)

  • BERNARDET, Jean-Claude. Cinema brasileiro: propostas para uma história. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
  • RAMOS, José Mário Ortiz. O cinema brasileiro contemporâneo: 1970-1987. In: RAMOS, Fernão (org). História do Cinema Brasileiro. São Paulo; Art Editora, 1987, p. 399-454.
  • ROCHA, Glauber. Revolução do Cinema Novo.2ª ed. São Paulo: Cosac Naify, 2004.
  • BARROS, André Luiz.  O maestro do ego. Bravo!, São Paulo, v. 1, n. 2, p. 130-134, nov. 1997.
  • BERNARDET, Jean-Claude. A pornochanchada contra a “cultura culta”. Opinião, Rio de Janeiro. 27 set. 1974. Republicado em: Cinema Brasileiro: propostas para uma história. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
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  • BROWNE, P. R. Fotografismos. Veja, São Paulo, 11 set. 1974.
  • COELHO, Lauro Machado. Contra uma ótima proposta, falhas técnicas indesculpáveis. Jornal da Tarde, São Paulo, 13 mar. 1978. p. 23.
  • D’AVILA, Roberto. Os Cineastas: conversas com Roberto D’Avila. Rio de Janeiro: Bom Texto.
  • EDWALD FILHO, Rubens. Inaudível, o filme se frustra. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 10 mar. 1978. p.15.
  • LIMA, Rosa. Villa-Lobos, o drama do artista num filme de Zelito Viana. Cine Imaginário, v. 1, n. 3, p. 3, fev. 1986.
  • MARTINHO, Telmo. Os condenados. Jornal da Tarde, São Paulo, 20 mar. 1975.
  • MONTEIRO, José Carlos.  Zelito Viana conta como virou diretor. Filme Cultura, Rio de Janeiro, v. 4, n. 19, p. 28-31, mar./ abr. 1971.
  • O NORDESTE está proibido para estrangeiros. Isto é, São Paulo, p.60, 3 maio 1978.
  • OSWALD de Andrade: o primeiro filme. Jornal da Tarde, São Paulo, 7 set. 1974.
  • PAULA, Betse de. Zelito Viana: histórias e causos do cinema brasileiro. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
  • SEMINÁRIO Internacional de Cinema e Audiovisual. Cine futuro. Editor Raul Moreira. Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, Salvador, 7, 2011.
  • SILVA, Alberto. Dossiê Filme Cultura – Zelito Viana: da comédia erótica ao drama urbano. Filme Cultura, Rio de Janeiro, v. 8, n. 26, p. 21-30, set. 1974.
  • VIANA, Zelito. Avaeté, homem de verdade. Filme Cultura, Rio de Janeiro, n. 45, p. 56-59, mar. 1985.
  • VIANA, Zelito. O cinema deixou de discutir os problemas brasileiros. Diário do Paraná, Curitiba, 25 set. 1977. p. 5.
  • VIANA, Zelito. Villa-Lobos: retrato do artista quando fervendo por dentro. Cinemais,  Rio de Janeiro, n. 23, p. 7-42, maio/ jun. 2000.
  • ZELITO, agora apresentado ao sucesso. Jornal da Tarde, São Paulo, 18 mar. 1975.
  • REICHENBACH, Carlos. Cartas do Reichenbomber - opus 37. Disponível em: < http://www.terra.com.br/cinema/opiniao/opus37.htm > Acesso em: 15 out. 2012.
  • FERREIRA, Jairo. Vem aí Morte e Vida Severina de Zelito Viana. Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 jun. 1977.
  • VIANA, Zelito. Associação Brasileira dos Documentaristas. Cinema, n. 2, p. 18-20, nov. 1973.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ZELITO Viana. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa7596/zelito-viana>. Acesso em: 18 de Ago. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7