Artigo da seção pessoas Geraldo de Barros

Geraldo de Barros

Artigo da seção pessoas
Artes visuais / teatro  
Data de nascimento deGeraldo de Barros: 27-02-1923 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Chavantes) | Data de morte 17-04-1998 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Sem Título , 1997 , Geraldo de Barros
Reprodução fotográfica João Luiz Musa

Biografia

Geraldo de Barros (Chavantes, São Paulo, 1923 - São Paulo, São Pailo, 1998). Fotógrafo, pintor, gravador, artista gráfico, designer de móveis e desenhista. Estuda desenho e pintura, a partir de 1945, nos ateliês de Clóvis Graciano (1907 - 1988), Yoshiya Takaoka (1909 - 1978) e Colette Pujol (1913 - 1999). Em 1946, faz suas primeiras fotos com uma câmera construída por ele mesmo. Inicialmente, fotografa jogos de futebol na periferia de São Paulo. Ainda nesse período, realiza experimentações que consistem em interferências no negativo, como cortar, desenhar, pintar, perfurar, solarizar e sobrepor imagens. É um dos fundadores do Grupo 15, ateliê instalado no centro da cidade em 1947, onde constrói um laboratório fotográfico. No mesmo ano, ingressa no Foto Cine Clube Bandeirantes (FCCB), principal núcleo da fotografia moderna brasileira.

Em 1948, por intermédio do crítico Mário Pedrosa (1900 - 1981), conhece a Gestalt Theorie [Teoria da Forma]. Com Thomaz Farkas (1924), em 1949, cria o laboratório e os cursos de fotografia do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Realiza a exposição Fotoformas em 1950, cujo título é referência à Gestalt. Sua trajetória artística o coloca na linha de frente da fotografia experimental. Em 1951, com bolsa do governo francês vai para Paris, onde estuda litografia na École National Superiéure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes], e gravura no ateliê de Stanley William Hayter (1901 - 1988). Freqüenta a Hochschule für Gestaltung (HfG) [Escola Superior da Forma], em Ulm, Alemanha, na qual estuda artes gráficas com Otl Aicher (1922) e conhece Max Bill (1908 - 1994), na época um dos principais teóricos da arte concreta. Volta para São Paulo em 1952, e participa do Grupo Ruptura, ao lado de Waldemar Cordeiro (1925 - 1973), Luiz Sacilotto (1924 - 2003), Lothar Charoux (1912 - 1987), entre outros. A partir de 1954, atua na área do desenho industrial e da comunicação visual: funda a Cooperativa Unilabor e a Hobjeto Móveis, para a produção de móveis, e a Form-Inform, empresa de criação de marcas e logotipos. Em 1966, participa da criação do Grupo Rex, com Wesley Duke Lee (1931), Nelson Leirner (1932), Carlos Fajardo (1941), Frederico Nasser (1945) e José Resende (1945).

Análise

Geraldo de Barros estuda com Clóvis Graciano, Yoshiya Takaoka e Colette Pujol de 1945 a 1947, ano em que funda com este último o Grupo 15, composto de quinze pintores em sua maioria de origem japonesa. Inicialmente sua pintura se aproxima de tendências expressionistas, período que entra em contato com reproduções de obras de Paul Klee (1879 - 1940) e Wassily Kandinsky (1866 - 1914), o que o leva a se interessar pela Bauhaus e pelo desenho industrial.

Inicia pesquisa em fotografia em 1946 e no ano seguinte passa a freqüentar o Foto Cine Clube Bandeirante, principal núcleo da fotografia moderna no Brasil. Geraldo de Barros, junto com Thomaz Farkas, German Lorca e José Yalenti, cada um com uma pesquisa individual, questionam a fotografia de tradição pictorialista amadora e acadêmica no Brasil que valorizava regras de composição clássica. Sua experiência investiga os limites do processo fotográfico tradicional ao realizar intervenções diretamente no negativo, múltiplas exposições da mesma película, sobreposições, montagens e recortes das ampliações que questionam o formato retangular da fotografia. Em 1949, organiza, com Farkas, o laboratório fotográfico do Masp, o que lhe possibilita uma pesquisa fora do clube. A partir de então sua produção se aproxima de pesquisas formais em o que interessa são os ritmos e planos que muitas vezes se projetam para o espaço além da moldura. No ano seguinte, realiza no próprio Masp, a antológica exposição Fotoformas, em que funde completamente gravura, desenho e fotografia, inaugurando a abstração na fotografia brasileira.

Ganha bolsa do governo francês e estuda gravura e artes gráficas na École National Superiéure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes], em Paris, em 1951. No mesmo ano, freqüenta a Hochschule für Gestaltung [Escola Superior da Forma], em Ulm, Alemanha, onde vigoram as teorias concretistas do suíço Max Bill (1908 - 1994). Esse encontro é importante para o desenvolvimento da arte concreta no Brasil. Obtém o prêmio aquisição na 1ª Bienal Internacional de São Paulo. Já no Brasil participa com Anatol Wladyslaw (1913 - 2004), Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto e Lothar Charoux do Grupo Ruptura, que marca o início da arte concreta no Brasil. Em contato com as teorias da Gestalt, busca estabelecer uma unidade estrutural da obra com rigorosa vontade de ordenação regulada por princípios matemáticos.

Sua preocupação com o papel social do artista e com as possibilidades de uma arte feita para atingir um público mais amplo ganha corpo em 1954, quando ligado a um grupo socialista, funda com o Frei João Batista a Unilabor, cooperativa que fabrica móveis, mantém escola de arte infantil e posto de saúde. Aos poucos passa da produção artesanal para uma organização industrial. Ganha concurso para o cartaz do 4º Centenário de São Paulo e com Alexandre Wollner (1928) realiza cartaz para o Festival Internacional de Cinema. Bastante ligado ao design e um tanto afastado da pintura, em 1957 funda com Wollner e Rubem Martins, a Form-Inform, escritório de design onde cria diversas marcas e logotipos. Com o fim da cooperativa Unilabor, em 1964, funda a Hobjeto Móveis.

Em 1966, participa do Grupo Rex, com Wesley Duke Lee, Nelson Leirner, Carlos Fajardo, Frederico Nasser (1945) e José Resende, responsáveis pelos primeiros happenings em São Paulo. Sua produção a partir de meados dos anos 1960 se aproxima de tendências pop e da nova figuração. Nos anos 1970, retoma sua pesquisa iniciada com a arte concreta e realiza obras geométricas tendo como suporte à fórmica, o que permite sua reprodução em grande escala. O que lhe interessa é a socialização da arte e obter uma série a partir de um projeto. Suas obras são protótipos construídos com poucas formas, o que possibilita sua reprodução com perfeição. A partir da década de 1980 volta à fotografia e trabalha na série Sobras, em que realiza diversas interferências gráficas sobre negativos, retomando sua pesquisa iniciada nos anos 1940 a partir de sobras de material fotográfico.

Outras informações de Geraldo de Barros:

  • Outros nomes
    • Geraldo de Barros
    • G. Barros
  • Habilidades
    • artista gráfico
    • pintor
    • desenhista
    • gravador
    • fotógrafo
    • designer

Obras de Geraldo de Barros: (57) obras disponíveis:

Título da obra:

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Temas da obra: Artes visuais  
Data de criação : 1949
Autores da obra:
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Reprodução fotográfica Sérgio Guerini/Itaú Cultural

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Eventos relacionados (8)

Fontes de pesquisa (32)

  • AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na arte (1950-1962). Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna; São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1977. 360 p. 709.8104 P964
  • Arte construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner. Tradução Izabel Murat Burbridge, Terêncio E. Hill; apresentação Edemar Cid Ferreira, M. F. do Nascimento Brito; Texto Aracay Amaral, Adolpho Leirner   São Paulo: MAM, 1998. 85 p. Exposição realizada no período de 2 out. a 20 dez. de 1998. SPmam 1998/a
  • Arte construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner. Tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: DBA, 1998. 364 p. 
  • ARTE no Brasil. Apresentação de Pietro Maria Bardi e Pedro Manuel. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • ARTE no Brasil. Prefácio Pietro Maria Bardi; introdução Pedro Manuel. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 709.81 A163ar
  • AYALA, Walmir (org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: MEC / INL, 1980. v.4: Q a Z. (Dicionários especializados, 5).
  • BARDI, Pietro Maria. Fotoforma [Catálogo da exposição, Masp, 1950]. In: AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na arte (1950-1962). Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna; São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1977. 360 p.
  • BARROS, Geraldo de. Fotoformas: Geraldo de Barros, fotografia. Apresentação Ricardo Ohtake, Max Bill, Charles Henri Favrod. São Paulo: Raízes, 1994. 770.981 B277f
  • BARROS, Geraldo de. Fotoformas: Geraldo de Barros: fotografias = photographies. São Paulo: Raízes, 1994.
  • BARROS, Geraldo de. Geraldo de Barros 1923 - 1998. Fotoformas. Munich: Prestel, 1998.
  • BARROS, Geraldo de. Geraldo de Barros 1923-1998, Fotoformas. Munich: Prestel, 1998. 770.981 B277g
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  • BARROS, Geraldo de. Jogos de dados. Apresentação Bernardo Caro. Campinas: Galeria de Arte Unicamp/IA, 1989. B2774j 1989
  • BARROS, Geraldo de. Precursor. Curadoria Sérgio Pizoli; texto Sérgio Pizoli, Max Bill (1908-1994); depoimento Geraldo de Barros. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1996.
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  • CAVALCANTI, Carlos (org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: MEC / INL, 1973. v.1: A a C. (Dicionários especializados, 5). R703.0981 C376d
  • GERALDO de Barros: 12 anos de pintura: 1964-1976. Textos de Radha Abramo. São Paulo: MAM, 1976.
  • GERALDO de Barros: jogos de dados. Apresentação de Bernardo Caro. Texto de Euger Gomringer. Campinas: Galeria de Arte Unicamp, 1989.
  • GERALDO de Barros: pinturas, serigrafias; Fiaminghi: litos. Apresentação José Aristodemo Pinotti; texto Radhá Abramo. Campinas: Unicamp, 1984. SPunicamp 1984/g
  • GERALDO de Barros: serigrafias; Fiaminghi: pinturas, litos. Apresentação de José Aristodemo Pinnotti e Radha Abramo. Campinas: Unicamp, 1984. (I Semana de Arte-Unicamp).
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  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d
  • MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO. Coleção Pirelli de Fotografias. Apres. Fábio Magalhães e Piero Sierra. Introd. Rubens Fernandes Junior. São Paulo: Masp, 1992. SPmasp cpirelli 1992
  • MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO. Coleção Pirelli de Fotografias. Apres. Fábio Magalhães e Piero Sierra. Introd. Rubens Fernandes Junior. São Paulo: Masp, 1992. v. 2.
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  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • WILDER, Gabriela Suzana. Waldemar Cordeiro: pintor vanguardista, difusor, critico de arte, teórico e líder do movimento concretista nas artes plásticas em Sao Paulo, na década de 50. 1982. 294 p., il. p&b. Mestrado - Artes, São Paulo, 1982. T759.09281 C794w
  • WILDER, Gabriela Suzana. Waldemar Cordeiro: pintor vanguardista, difusor, crítico de arte, teórico e líder do movimento concretista nas artes plásticas em São Paulo, na década de 50. São Paulo: ECA/USP, 1982. (Mestrado).
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. Pesquisa Cacilda Teixeira da Costa, Marília Saboya de Albuquerque. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 1106 p. 2v. 709.81 H673
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. Pesquisa Cacilda Teixeira da Costa, Marília Saboya de Albuquerque. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 1106 p. 2v.

Como citar?

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  • GERALDO de Barros. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa6490/geraldo-de-barros>. Acesso em: 23 de Nov. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7